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A Política somos nós

A Política somos nós

15.05.22

Emmanuel Macron continua a insistir que é necessário encontrar uma solução para o conflito na Ucrânia onde Vladimir Putin não perca a face nem a Federação Russa seja humilhada. 

Ao que parece, o presidente francês ainda não vislumbrou que tanto Vladimir Putin como a Federação Russa, aos olhos da esmagadora maioria de países do mundo, já perderam a face e estão a sofrer um processo de humilhação generalizado. 

Nem é necessário referir as constantes derrotas de que o exército russo tem sofrido no terreno. O sistema bancário da Federação Russa foi excluído quase na totalidade do sistema internacional bancário; as grandes marcas de multinacionais abandonaram o mercado russo; os bens de centenas de empresários russos foram confiscados nos principais mercados mundiais; as companhias aéreas internacionais deixaram de operar no espaço aéreo da Federação Russa. A ONU expulsou a Rússia do Conselho de Direitos Humanos. 

Se esta realidade não corresponde à perda da face dos dirigentes do Kremlin e a uma humilhação do país, não sei o que será mais necessário acontecer para negar esta evidência. 

O que o Sr. Macron parece estar a propor é que se evite a total humilhação de Putin em troca da humilhação do povo ucraniano. Gostaria de poder entender qual o critério usado pelo presidente francês para medir o grau de humilhação que um indivíduo e por outro lado, um povo inteiro, conseguem suportar. 

Pelos vistos o Sr. Macron tem muito receio sobre as consequências de uma possível derrota de Putin na guerra da Ucrânia. Será que igualmente receia quais as consequências se Putin obtiver uma vitória? 

De invasão em invasão, Putin tem vindo a usurpar a terra alheia sem que nenhum líder ocidental tenha feito absolutamente nada para o confrontar. Até a Crimeia foi anexada sem que Putin fosse enfrentado. O único a enfrentá-lo foi o povo ucraniano quando sentiu que não se tratava apenas da Crimeia e da região do Donbass, - era a sua própria soberania e independência que estavam em risco. 

Interrogo-me, se esta coragem dos ucranianos não tivesse sido tão extraordinária, será que a ajuda internacional teria chegado? Sem esta coragem e sem a inoperacionalidade do exército russo, Kiev teria sido tomada em 3 dias e, - ato consumado, - tal e qual como na Crimeia. 

Foi esta a coragem que chamou a atenção das opiniões públicas que levaram às pressões junto dos governos. É esta a coragem que não vende barato nem a dignidade nem a liberdade. É esta a coragem que não vai permitir que o Sr. Macron negocie com o criminoso de guerra do Kremlin a humilhação de um povo que se nega a entregar a sua terra ao invasor. 

A única solução para este conflito é a completa e total derrota de Putin. Cada centímetro de território ucraniano terá que ser libertado do exército russo. Se tal não acontecer abrir-se-á um precedente em solo europeu do qual ninguém conseguirá prever quais as reais consequências. 

Os líderes ocidentais devem se concentrar em derrotar Putin o mais rapidamente possível, e isso passa no imediato por lhe infligir uma derrota na Ucrânia.  

Pior que recear quais as consequências disso, será não perspectivar o que virá depois de Putin. Por morte natural ou por afastamento político, Putin terá o seu fim. Com uma vitória ou com uma derrota na Ucrânia, o futuro da Federação Russa passa pelo sucessor de Putin. Por aquilo a que temos assistido as opções são no mínimo preocupantes.  

A derrota de Putin, não representará apenas a forma de o parar, será igualmente uma mensagem para quem o substituir. Uma prova de fraqueza no presente, será a exposição a uma ameaça igual ou pior no futuro. Se nos vergarmos agora, a ameaça nuclear que já paira no ar, continuará a pairar no futuro. 

O mundo mudou mesmo na madrugada do dia 24 de fevereiro de 2022, e enquanto tivermos esta Rússia, a ameaça do holocausto nuclear já é, e vai continuar a fazer parte desta nova realidade, independentemente do desfecho nos campos de batalha da Ucrânia. 

Enquanto isso, o povo Ucraniano não está disposto a considerar que as mortes dos seus mártires foram em vão, que a humilhação da capitulação é opção e que não farão o papel de ser moeda de troca para a obtenção de um qualquer equilíbrio geopolítico. Presidentes ou simples cidadãos, quem somos nós para os julgar? 

12.05.22

Até ao próximo domingo, a Finlândia irá apresentar o pedido formal de adesão à NATO. Este fato constitui a maior derrota política de Vladimir Putin desde que assumiu o poder na Federação Russa. Já em 2014 com o golpe de estado na Ucrânia, o Kremlin sofreu uma derrota política ao perder o controle que exercia sobre o país vizinho na sequência do afastamento de Yanukovytch o presidente ucraniano pró-russo. 

Com a adesão da Finlândia à NATO, a Federação Russa perde 1.300 quilómetros de fronteira neutra e ganha os mesmos quilómetros em fronteira inimiga. Em termos de geopolítica é um verdadeiro tiro no pé, e neste caso, um tiro de canhão. 

Como se não bastasse, segue-se a Suécia, - a fronteira é marítima e vem alterar todo o equilibro militar no mar báltico. Em pouco mais de 2 meses, Putin conseguiu interromper 200 anos consecutivos de neutralidade de um país vizinho. Para quem alega que a proximidade da NATO constitui uma ameaça à segurança da Federação Russa, e usa este argumento, entre outros, para invadir a Ucrânia, - provou que tem tanto de estúpido com de arrogante. Mais um exemplo de que a arrogância é a arma daqueles que nada devem à inteligência. 

Mesmo antes destas duas adesões se confirmarem oficialmente, já o Reino Unido assinou acordos de proteção militar tanto com a Finlândia como com a Suécia. Em caso de ataque russo, ambos estes países podem contar com a ajuda e proteção de um dos exércitos mais poderosos do mundo.  

A cada dia que passa, Putin perde cada vez mais esta guerra, - na Ucrânia, fora da Ucrânia e até dentro do seu próprio país. O fim do regime mafioso, corrupto e criminoso do Kremlin, vai ser ainda mais devastador para a Federação Russa, do que foi a queda do regime soviético.  

Em 1991 com a implosão da URSS, nasceu um novo estado, estado esse que manteve o estatuto de membro permanente do conselho de segurança da ONU, o que contraria a teoria de que a Rússia foi humilhada perante o fim da URSS. O que é fato, é que a guerra fria terminou com a queda do muro de Berlim e isso não resultou de nenhum conflito armado que tenha levado a uma derrota humilhante do povo russo. O regime soviético caiu porque estava podre, e se existem culpados para isso, são os próprios russos e os seus líderes. 

A nova Rússia foi então recebida no concerto das nações e teve oportunidade para prosperar. Esta Rússia de Putin, foi rejeitada, isolada e condenada por todo o mundo ocidental que constitui o grande mercado mundial, o mesmo mercado com quem até há pouco mais de 2 meses a Rússia mantinha relações comerciais bilionárias. Até a falsa amiga chinesa, se aproveita do grande urso enfraquecido e vai sugando os seus recursos naturais a preço de saldo. 

Todos os impérios caem. Este império que não é russo, é apenas putinista, vai caindo a cada dia que passa precipitando-se fatalmente para o abismo. É uma questão de tempo. Talvez esse tempo pudesse ser encurtado se o povo russo mostrasse a mesma coragem demonstrada pelo povo ucraniano quando em 2014 na praça Maidan, lutou até à morte pela sua autodeterminação, pela sua liberdade e pela sua dignidade. 

10.05.22

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Vladimir Putin, senhor da Rússia, neste 9 de Maio, sujeitou o povo russo a uma dose de propaganda bem ao estilo soviético a fazer lembrar outros tempos e outros atores. 

Mestre da mentira e do embuste, o antigo espião soviético, no discurso proferido durante a parada militar em Moscovo, aplicou a quem o quis ouvir, uma injeção de veneno.  

A quem não é imune à toxina, as consequências são fatais. O povo russo inoculado, acredita piamente que a situação na Ucrânia, que não é de todo uma guerra, é contudo, algo perigoso, pois os verdadeiros responsáveis pelos acontecimentos são os ocidentais e a sua organização chamada NATO, que está, veja-se, a atacar a Ucrânia, e pior ainda, prepara-se para atacar a Federação Russa. São os próprios nazis que agora aliados dos países ocidentais constituem uma séria ameaça à segurança nacional russa. 

Para um povo que sofreu como nenhum outro as agruras da segunda grande guerra, onde quase 30 milhões de russos morreram resultado da mesma, este discurso é algo perturbador e certamente desperta os seus instintos. 

Com o objetivo de agregar simpatias e apoios para a sua política, Putin, habilmente mistura os símbolos soviéticos com o brasão oficial da Federação Russa. Então é ver foices e martelos misturados com águias imperiais de duas cabeças, que sintomaticamente apontam simultaneamente ao oriente e ao ocidente. 

A Putin é completamente indiferente as foices, os martelos e as águias. O que ele pretende a todo o custo é manter o poder que lhe permite entre outras coisas possuir um vasto e rico património naquele ocidente que ele tanto diz desprezar e odiar, - o mesmo ocidente onde ele e os seus aliados operam negócios milionários que tanto contribuem para lhe garantir o lugar de comandante supremo do Kremlin. 

Para além da dita injeção, o discurso foi vazio de todo. Falar na situação na Ucrânia era impossível. Dizer o quê? Dizer que o exército russo já chacinou mais de 3.000 civis e que arrasou dezenas de cidades e aldeias, mas que não conseguiu efetivamente controlar totalmente nenhuma delas? Dizer que o exército russo tem na verdade levado uma valente sova do exército ucraniano?  

Nada disso. A mensagem a passar é que o malvado ocidente se aliou aos nazis e está a ameaçar a mãe Rússia. Não sabemos se o seu povo chegou a entender a dissimulada declaração de derrota no discurso do seu líder. Se os nazis já tivessem sido derrotados pelo glorioso exército russo, não havia necessidade de estar a convocar a nação para se concentrar e envolver nesta luta. 

Entretanto, os aviões de combate não marcaram presença no desfile, parece que o trânsito nos céus de Moscovo estava um caos... 

05.05.22

O estado terrorista conhecido como Federação Russa, planeia para o próximo dia 9 a realização de uma parada na cidade ucraniana de Mariupol.

Celebra-se a vitória soviética sobre a Alemanha nazi em 1945, vitória essa só conseguida com o enormíssimo apoio fornecido pelo EUA, quando estes optaram por fornecer milhares de toneladas de material de guerra ao regime chefiado por Stalin. Foi esta a estratégia adotada pelos aliados para derrotar o terceiro reich no último terço da segunda grande guerra mundial.

Sem esta inestimável ajuda, a indesmentível e heroica coragem do povo russo, não teria sido suficiente para levar de vencida os exércitos nazis. Este fato histórico apesar de ser do conhecimento de Vladimir Putin, nunca será lembrado pelo mesmo, e aí de alguém na Rússia que se atreva a sequer sussurra-lo.

Quando se afirma que os níveis de destruição na cidade de Mariupol alcançam os 90%, adivinha-se que a parada terá lugar exatamente nos restantes 10%. De outra forma como iria o Kremlin justificar perante os dormentes russos que a sua “operação militar especial” tinha afinal sido uma operação de destruição e assassinato em larga escala que obliterou do mapa da Ucrânia a cidade de Mariupol?

Já faz algum tempo que esta zona da cidade foi alvo de total limpeza de todo e qualquer vestígio comprometedor fruto da barbaridade ocorrida.

Os civis mortos foram incinerados pelos crematórios portáteis, máquina indispensável nos exércitos russos, - as ruas foram limpas e serão engalanadas e os habitantes irão ser “convidados” a ladear as avenidas empunhando bandeiras da Federação Russa onde aclamarão os militares em desfile.

Tudo como manda o figurino, que embora já não contenha a chancela soviética, é nela em tudo idêntico. Como diz o ditado: “A merda é a mesma, as moscas é que são outras”.

Se até lá, os resistentes escondidos dentro dos bunkers em Azovstal conseguirem se manter vivos, podem no próximo dia 9 poder contar com um dia sem bombardeamentos. Se assim não fosse, iria soar um pouco estranho aos ouvidos dos cidadãos russos, o som das bombas enquanto Putin discursava em direto para a TV russa.

A haver um cessar fogo, que seja em honra dos heróis da grande guerra patriótica, - já as crianças dentro dos bunkers não serão merecedoras de tal benesse.

Esta parada vai constituir mais um capítulo da grande farsa com que o Kremlin constantemente presenteia os seus cidadãos. Vitórias fictícias serão apresentadas e glórias serão contadas, tudo para gladio do povo russo que assim se mantém convenientemente dopado.

Serão também apaziguados os russos radicais que por este tempo já pressionam Putin no sentido de que o massacre na Ucrânia ainda não é suficiente, pois a “mãe Rússia” pouco apaziguada que está, vocifera por mais sacrifícios de sangue.

Para uma parte da Federação Russa será com certeza a parada de uma vitória do passado e uma ilusão de vitória no presente, - para o resto do mundo e particularmente para o povo ucraniano, será uma verdadeira parada de morte.

04.05.22

A Federação Russa afirma que não tem dúvidas sobre a presença de mercenários israelitas junto dos militantes do batalhão Azov.

Depois da marioneta de Putin, na pessoa do ministro Sergei Lavrov ter afirmado que Hitler tinha sangue judeu e que foram judeus antissemitas que conspiraram contra o seu próprio povo durante o holocausto, fica difícil imaginar o que mais surgirá das mentes perturbadas que habitam no Kremlin.

Sobre a presença de mercenários israelitas junto dos militantes do batalhão Azov, não será de estranhar tal possibilidade. Nas guerras, a presença de mercenários é fato sobejamente conhecido, e a guerra na Ucrânia não é certamente exceção.

O que é certo, é que a paranoia e o desespero evidenciados por Putin e pelo seu gang neste conflito, já os levou a colocar um pé dentro de um atoleiro chamado Ucrânia, e pelas afirmações dos últimos dias, a intenção é enfiar a mão dentro de um vespeiro chamado Israel.

Os israelitas por razões naturais são extremamente sensíveis no que toca ao assunto Holocausto. Não gostam de ser ofendidos, nem provocados, e a sua história prova que a sua especialidade não é de forma alguma a diplomacia, nem tão pouco atribuem grande importância às opiniões alheias sobre os seus atos.

A juntar-se à possível presença de mercenários israelitas, há a garantia de envio de material de guerra por parte do governo israelita. A isto poderá muito bem se adicionar a possibilidade de certas incursões aéreas sobre território russo, com a destruição de alvos estratégicos, sem que nenhuma reivindicação dos mesmos seja apresentada, - bem ao estilo israelita.

Quando se tem um pé preso dentro de um atoleiro, é muito pouco sensato enfiar a mão num vespeiro.

03.05.22

O regime do Kremlin é de tão execrável que todos os dias prova que em certos casos a diplomacia não é exequível. Infelizmente neste caso para se alcançar a paz é necessário usar a força para travar quem invadiu um estado soberano. 

Resta a solução dos “pacifistas” de conveniência. Para eles, para terminar a guerra na Ucrânia, esta tem que se render, entregar a sua terra ao invasor e permitir que o seu povo continue a ser escravo do regime cancerígeno de Moscovo. 

Na sua visão limitada e romântica de um mundo sem armas, talvez até sem fronteiras, onde a comunidade dos povos poderia ouvir todas as noites o imagine de John Lennon, acreditam que se as armas fossem depostas pelos ucranianos, a paz venceria. Resta saber se TODOS destruiriam as suas armas e renegariam em SIMULTÂNIO à usurpação da terra alheia. 

Todos condenamos o roubo, mas isso não nos permite dormir de porta aberta, pois sabemos que os ladrões andam lá fora. E até não haver mais NENHUM ladrão, a porta tem que permanecer fechada. Por mais belas que sejam as causas, a dura realidade impõe a sua ordem. 

Depois da Ucrânia, seria a Moldava, depois a Roménia e a Polónia. Quando Putin se aproximasse de Berlim, aquela que ele nunca aceitou perder, talvez os defensores das causas impossíveis, se interrogassem, - e agora? Provavelmente prefeririam se entregar nas mãos da Federação Russa, no lugar de aceitar a ajuda do Ocidente.  

Talvez seja por isso que das suas bocas não sai uma palavra de repúdio pela desgraça que neste momento acontece na Ucrânia, na Europa. 

01.05.22

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É sobre isto que os apoiantes e simpatizantes do regime do Kremlin não conseguem falar. A língua se enrola como acontecia com a fita das velhas cassetes.

30.04.22

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Vai acontecer na Transnístria exatamente aquilo que aconteceu na Abecácia, na Ossétia do Sul e no Donbass.

O regime cancerígeno do Kremlin vai dar início às atividades de destabilização social, incitamento à violência, conspiração e sabotagem, - o Modus Operandi de quem realmente manda na Federação Russa, ou seja, o FSB, herdeiro do KGB, escola do criminoso de guerra e terrorista de estado, Vladimir Putin.

Vão incentivar e promover toda e qualquer diferença étnica, linguística e cultural presente no território. No lugar de viabilizar a sã convivência entre as populações, gerindo e apaziguando os possíveis conflitos, fazem precisamente o contrário. Dividem o mais possível para depois eles próprios poderem reinar.

Quando a violência social se instala, surgem então com o pretexto que a sua presença para defender as populações russófonas e russófilas é inevitável. Vêm as tropas, os referendos falseados e ilegais e a instalação de governos fantoches. Surgem então novas repúblicas que sendo ou não independentes da Federação russa, passarão a estar em absoluto sob o seu controlo.

É claro que depois por cá, temos aquele pequeno e reduzido grupinho de papagaios, que tal como o bicho, repetem a cassete do anti ocidentalismo, do grande Satã americano, etc. Tudo no pacote copy/paste de asneiras.

O que lhes sobra de sabão na cabeça, falta-lhes de coragem em assumir frontalmente que são defensores de um regime criminoso. Não os censuro por serem antiocidentais, cada um tem direito às suas opiniões. O que é vergonhoso, é que para conseguirem se posicionar contra aquilo que está indesmentivelmente errado, têm que forçosamente invocar os erros de outra partes.

Os erros do regime do Kremlin não são de todo desculpáveis pela existência de erros dos regimes ocidentais. Este raciocínio está-lhes vedado. A cassete só roda para um lado.

29.04.22

Desde o dia 24 de Fevereiro de 2022, data da invasão da Ucrânia por parte do exército da Federação Russa, que vários analistas e comentadores se têm escusado a fazer comparações históricas sobre os atuais acontecimentos e aqueles que deram origem ao início da segunda grande guerra mundial.

Invocando o princípio de que a história não se repete e que as circunstâncias e os atores são diferentes, preferem analisar esta crise de forma distinta e única.

A reação do comum cidadão mais ou menos atento ou interessado nos fatos históricos quando se coloca este tipo de comparações, é a natural rejeição da ideia de que algo tão terrível como a última grande guerra possa de alguma forma se repetir num cenário e antecedentes semelhantes.

Apesar de me conter no que diz respeito a comparações, não consigo evitar vislumbrar um certo paralelismo entre os antecedentes e as motivações que envolvem este conflito e o início da segunda grande guerra.

Senão vejamos: Apesar de a data oficial para o início da segunda grande guerra ser o dia 1 de Setembro de 1939, a origem do conflito previamente germinava numa região da Europa central conhecida como os Sudetos.

Na verdade, o termo Sudetos, refere-se às populações germanófonas que habitavam os territórios da Boémia, da Morávia e da Silésia. Este termo foi adotado a partir do século XX para designar estas regiões como uma só considerando a questão das populações de alemães Sudetos. Depois do final da primeira grande guerra, esta região passou a fazer parte integrante da então designada Checoslováquia.

Mesmo antes da formação da Checoslováquia, os Sudetos que constituíam cerca de 35% da população da Boémia, já aspiravam à autodeterminação, e à união com austríacos e alemães com o intuito da formação de um único estado. Quando em 1933 Hitler é eleito chanceler da Alemanha, já tinha sido formado na Checoslováquia o partido alemão dos Sudetos - inicialmente tinha apenas pretensões autonomistas, mas esta pretensão evoluiu para o desejo de anexação por parte do Estado Alemão.

As concessões feitas por Praga não foram suficientes para evitar que em Setembro de 1938 no ultimato feito por Hitler, fossem impostas as condições do terceiro Reich referentes à questão dos Sudetos que resultaram no acordo da conferência de Munique.

Nessa conferência, no dia 30 de Setembro de 1938, foi assinado um acordo entre Alemanha, Itália, Reino Unido e França onde ficou decidido a entrega do controle da região dos Sudetos à Alemanha. Não foi permitida a presença dos dirigentes checos durante o desenrolar da conferência, tendo sido o acordo definido à total revelia dos mesmos. Na atual República Checa ou Chéquia, a conferência de Munique é conhecida como a “Sentença de Munique”.

O grande objetivo deste acordo por parte do Reino Unido e da França, era conter o ímpeto bélico e expansionista de Hitler e conseguir a paz numa Europa onde as memórias do primeiro grande conflito mundial eram ainda recentes e traumáticas.

Depois da anexação concedida pacificamente por parte dos austríacos e agora com a obtenção da região dos Sudetos, Hitler prometia que não reivindicaria mais nenhum território europeu. Ainda hoje se questiona se o primeiro ministro inglês Chamberlain, simplesmente se deixou enganar por Hitler, ou se por outro lado, ele próprio consciente da inevitabilidade da guerra, assinou o acordo numa tentativa de ganhar tempo e com isso preparar o seu país e os aliados para o conflito eminente.

A ocupação dos Sudetos resultou na expulsão dos habitantes checos dessas regiões. Em poucas semanas, a Checoslováquia. perdeu mais de 40 mil km2 e mais de 4 milhões de habitantes. A Checoslováquia. perdia igualmente as suas defesas militares sendo que as linhas defensivas ficaram sob o controle do Reich, - em resultado disso, a independência do país ficou em sério risco.

Em Março de 1939 Hitler viola o acordo assinado seis meses antes, e o exército nazi invade o restante território da Checoslováquia. Apesar disso, tanto o Reino Unido como a França não realizaram nenhuma ação concreta, para além da mobilização das suas tropas.

Depois de em Agosto de 1939 a Alemanha nazi e a União soviética terem assinado um tratado de não agressão, no dia 1 de Setembro de 1939 os exércitos da Wehrmacht invadem a Polónia dando início à segunda grande guerra mundial. No dia 17 do mesmo mês, o exército vermelho invade igualmente o território polaco. No tratado de não agressão assinado entre Hitler e Stalin, tinha ficado acordado a partilha da Polónia.

Hitler tinha assim evoluído do falso pretexto de proteger as populações germanófonas conhecidas como Sudetos, para a sua verdadeira pretensão na Europa, expressa na frase que ele próprio mais tarde proferiu: “O espaço vital do povo alemão”.

As atuais circunstâncias e os seus atores não são exatamente iguais, mas certamente não serão totalmente diferentes. O erros do presente podem ser evitados analisando os erros do passado.

28.04.22

Enquanto o secretário geral da ONU e o presidente ucraniano davam uma conferência de imprensa em Kiev, a cidade foi atingida pelos bombardeamentos do exército russo.

O alvo foi uma fábrica de armamento a poucos quilómetros do local da conferência. Não se tratou apenas de mais um bombardeamento e de mais um alvo, tratou-se de um ataque político às Nações Unidas, e como tal, um ataque ao mundo inteiro. Nem se pode qualificar como sendo uma provocação, tratou-se na realidade de um ultraje a toda a comunidade internacional.

Putin, num clímax de cinismo, depois de se ter reunido com António Guterres, ordena um ataque direto a Kiev no preciso dia e momento em que o secretário geral da ONU se encontrava presente na cidade.

Depois das farsas que constituíram todos os encontros entre os líderes ocidentais e o presidente da Federação Russa, espera-se agora, com mais esta afronta, que mais ninguém com vergonha na cara se preste a falar com Vladimir Putin.

Quando um membro permanente do conselho de segurança da ONU é responsável por um ato desta gravidade, não pode restar mais espaço para o mesmo continuar a ter o estatuto privilegiado de que desfruta. O único destino que resta à Federação Russa na ONU, é a expulsão do conselho de segurança.

Este bombardeamento, apesar de não ter como alvo direto o secretário geral da ONU, constituiu uma ameaça velada de guerra ao mundo inteiro.

O líder do Kremlin é um terrorista de estado e um criminoso de guerra que só entende a linguagem da força. Quem manifestar fraqueza perante esta personagem está condenado a ser subjugado. Todas as exposições, todas as conceções e todos os fechar de olhos que o ocidente concedeu a Putin, estão a resultar não só na tragédia que está a ocorrer na Ucrânia, mas também na mais grave crise geopolítica vivida na Europa desde o final da segunda grande guerra mundial.

Quanto maior for a fraqueza, quanto maiores forem as hesitações perante Putin, maior será o preço que todos pagaremos.

No Kremlin existe um cancro que cresce a cada dia que passa, ou o contemos agora, ou todos seremos vítimas dele.

27.04.22

O presidente Zelensky deixou bem claro que está disponível para receber chefes de estado que lhe tragam propostas concretas de apoio referentes às sanções a aplicar à Federação Russa, ao apoio militar e à ajuda humanitária. Visitas cujo objetivo seja apenas de posar para a fotografia com o político mais mediático do mundo, estão fora da agenda.

Considerando a postura da Alemanha na política de sanções, tudo apontava para que o presidente da Alemanha ia mesmo só para a fotografia. A Alemanha tem vindo a praticar uma política de inércia no processo de sanções atribuídas à Federação Russa, apesar, dela depender o verdadeiro impacto das mesmas na economia russa. Depois de ter cometido o colossal erro de se colocar numa posição de excessiva dependência energética, não quer agora de maneira nenhuma pagar o preço exigido.

Pelo menos até agora, para o governo alemão é impensável reduzir uma décima que seja do seu PIB em consequência de restringir significativamente as suas importações de gás natural da Rússia. Com um esforço adicional da Alemanha, a máquina de guerra da Federação Russa teria sérias dificuldades em manter este conflito, - o resultado disso, permitiria no mínimo, que o mesmo não se arrastasse muito mais no tempo. Com um maior esforço de um, o sacrifício de muitos, seria aliviado.

Outros têm-no feito, como é o caso da Itália. A Alemanha não está disposta a fazê-lo porque isso sai caro. As justificações de que o seu nível de dependência é demasiado elevado, não impedem que se exija à maior economia europeia um esforço muito superior àquele que por ela tem sido feito.

Talvez uma das razões para não correr o risco de abrandar o ritmo da sua economia, se prenda com o fato de já ter planeado a atribuição de largos milhões de euros à sua política de defesa. Compreensível, depois de ter subsidiado e continuar a subsidiar um país que representa uma série ameaça.

Do Reino Unido sopram ventos de muito maior eficácia. O anfitrião das festas no 10 de Downing Street, desta vez mandou parar a festa e tem mostrado serviço. Contra factos não há argumentos, - o Reino Unido é o país europeu que mais tem ajudado a Ucrânia, e com um avanço substancial sobre os demais.

Depois de ter sido uma verdadeira lavandaria para os rublos sujos do Kremlin e dos seus amigos, O Reino Unido procura limpar a sua imagem e sem dúvida que tenta compensar de alguma forma os erros cometidos quando abriu as portas aos corruptos russos. O mal está feito, resta agora ter a atitude certa. Neste momento o que é assertivo fazer é travar Putin, e sem qualquer sombra de dúvida, que enquanto uns se encolhem, o Reino Unido não hesita e age.

26.04.22

 

  

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O secretário geral da ONU foi a Moscovo assistir ao vivo à farsa de Putin.

Perante a mentira compulsiva e doentia, nem o dono das melhores intenções consegue fazer valer o seu ponto de vista.

Quando um chefe de estado considera que tem o direito de invadir um estado soberano, usando o argumento de que nesse mesmo estado existe um conflito regional com o governo central, as palavras para o contrapor tornam-se escassas.

António Guterres até contrapôs alguns argumentos de Putin, mas o resultado foi nulo, e essa nulidade não reflete incapacidade de quem contrapõe, o que fica refletido é a imagem de uma personagem que personifica a falsidade, o cinismo e a hipocrisia.

A Putin é completamente indiferente a opinião dos outros, e quando assim é, o diálogo torna-se num monólogo. Em textos anteriores já tinha referido que tentar dialogar e negociar de boa fé com este tipo de indivíduos é simplesmente uma perda de tempo.

Alguns dirão: “Mas tem que ser tentado”. Não discordo, apenas considero que é infrutífero. António Guterres fez o seu papel e usou os seus argumentos perante um “surdo”. Foi um David contra Golias, só que este David nem funda teve ao seu dispor.

Para quem ainda duvida da postura do Kremlin, ficou ainda mais claro a forma como os seus dirigentes operam nesta crise. Enquanto António Guterres é recebido, o terrorista de estado Sergei Lavrov, dá uma entrevista onde novamente coloca a possibilidade de uma escalada nuclear num conflito ao qual ele chama “operação militar especial”.

Afirmou que perante a ajuda militar dos países ocidentais prestada à Ucrânia, a Federação Russa terá a legitimidade em usar armas nucleares. Terminou a declaração com a seguinte frase: “Guerra é guerra”. Afinal parece que agora até o Kremlin considera que existe uma guerra na Ucrânia.

De um lado apela-se a um cessar fogo e à abertura de corredores humanitários; do outro, ameaçasse com a utilização de armas atómicas.

Não sei o que é que ainda falta ouvir, o que é que falta assistir, para se concluir que o regime do Kremlin é um autêntico cancro, e que até à sua completa extração, não haverá sossego para os povos europeus.

Não basta fornecer equipamento militar ao exército ucraniano, - o aumento das sanções a TUDO o que for russo, é indispensável. Aquele regime tem que ser enfraquecido até perecer, - e que fique bem clara a mensagem para os vindouros: Este tipo de comportamento, será de imediato confrontado com a máxima força.

Este conflito tem que terminar, mas é igualmente necessário criar os mecanismos que garantam que nem este nem outros se repitam.

23.04.22

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António Guterres vai a Moscovo fazer mais ou menos a mesma figura que Macron fez, - talvez pior, o que é difícil.

Como se pode negociar seja o que for com um indivíduo que mente compulsivamente e que nutre um desprezo total por todos, mesmo por aqueles que o rodeiam? Negociar com um narcisista que vive com a paranoia de que vai ser atacado? Negociar com um chefe de estado que condecora “soldados” que cometem crimes de guerra?

Quais vão ser as propostas de Guterres? A capitulação da Ucrânia com a cedência de todo o território ocupado? A retirada do exército russo da Ucrânia? Nem ucranianos nem Putin aceitariam as respetivas propostas.

Negociar corredores humanitários? Praticamente todos aqueles que se conseguiram concretizar foram alvo dos ataques do exército russo. Os únicos que decorreram em segurança foram aqueles que tiveram como destino o território russo, - foram na prática, deportações.

Enviar assistência humanitária da ONU para território ucraniano? Só se for debaixo de bombardeamentos, já que o cessar fogo não faz parte dos planos de Putin.

Espero estar enganado, mas creio que Guterres vai fazer a mesma figura triste que Macron fez. Por outro lado, para Putin vai ser mais uma oportunidade para ele massajar o seu ego perturbado.

Putin só vai fazer uma paragem quando isolar a Ucrânia do mar. Tal circunstância provocará um enorme enfraquecimento do país, o que permitirá a Putin desencadear uma nova ofensiva contra Kiev e com isso obter o controlo do estado ucraniano. Os planos de Putin foram desde o início o controlo absoluto de toda a Ucrânia. Tem vindo a fatiar o território e só parará quando o seu objetivo for alcançado.

Infelizmente não existe negociação que o faça desviar-se daquilo que pretende. Só será travado com a coragem do povo e do exército ucraniano, e com a ajuda dos países ocidentais.

Putin é um terrorista, e com terroristas não se negoceia.

 

 

22.04.22

Ninguém pode em consciência afirmar que o PCP não é um partido organizado.

Nada é feito de improviso, tudo é atempadamente planeado e apresentado de forma a que não reste qualquer dúvida sobre a unanimidade intrínseca à filosofia do partido. A alternativa a esta realidade é de todo impossível. No PCP, pouquíssimos decidem e os outros, (poucos), acenam com a cabeça.

Com a ausência durante o discurso de Volodymyr Zelensky no parlamento português, o PCP provou uma vez mais a sua capacidade organizativa. Neste caso é um planeamento a médio prazo. A quatro anos e meio das próximas eleições legislativas que darão origem a outro parlamento, o PCP fez hoje o ensaio geral da sua saída do parlamento como partido político.

Sinceramente, considero que não farão falta, nem tão pouco deixarão saudades.

20.04.22

O dicionário de português apresenta como significado para o termo, contraditório, o seguinte: “- Que se contradiz ou contradita. Quem contém, envolve ou constitui uma contradição; que tem sentido contrário; incoerente. Em que há discrepância; discordante -”.

Na opinião pública em Portugal existe uma minoria de organizações políticas e de cidadãos que se queixam de que os meios de comunicação social apresentam uma versão sobre a guerra na Ucrânia onde não existe espaço ao contraditório.

Percorrendo todos os canais de TV, privados ou estatais; lendo centenas de artigos de jornais; navegando pelos milhares de sites e de blogues, todos os portugueses que procuram informar-se sobre a situação do conflito, têm acesso às mais variadas opiniões, pontos de vista e análises sobre o mesmo.

Senão reparemos:

No parlamento, símbolo da democracia, órgão representativo do povo e da sua opinião, expressa em liberdade e sem qualquer tipo de condicionamento. Aí, o PCP expressa uma opinião e toma uma atitude contraditória em relação ao governo e à maioria dos deputados. O BE, numa posição mais ambígua, não se vê privado de igualmente ser de alguma forma contraditório. Ou seja, em Portugal, ao mais alto nível, o contraditório tem espaço. É limitado, mas isso é exclusivamente resultado do processo democrático.

Nos mais variados canais de TV, dezenas de entrevistados, desde Majores-Generais, professores catedráticos e jornalistas, expressam as suas opiniões que inúmeras vezes são contraditórias. Só no âmbito das entrevistas a patentes militares, já se ouviu de tudo.

Desde um Major-General afirmar que para se saber qual o arsenal utilizado pela Federação Russa, bastava consultar a Internet, até à "manobra de reagrupamento” das tropas russas aquando da retirada dos arredores de Kiev. Um destes ilustres militares esteve mesmo à beira de fazer continência aos soldados russos, aos quais ele atribuía as mais altas competências, algo que ele mesmo constatou quando os teve sob o seu comando em operações da NATO.

Ouvi declarações de um professor onde apelava à compreensão dos ocidentais face à atuação da Federação Russa, pois no passado ocorreram conflitos territoriais e delimitações de Fronteiras que, afirmou o mesmo: “não ficaram bem resolvidas...”. Perante este contraditório, temo pela possível futura posição francesa em relação ao desfecho das guerras napoleónicas na Península Ibérica...

Diariamente somos "presenteados” com esta imagem:

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É apenas a minha opinião, mas este é com certeza a personagem mais irritante atualmente presente nos ecrans televisivos. Mas uma coisa é certa: mais contraditório é impossível.

Na Internet e nos blogues, a informação falsa ou verdadeira, circula livremente sem que o menor sinal de censura seja detetado. Afinal de contas, não estamos na Rússia, onde o contraditório resulta no mínimo em prisão.

O ditado diz: “Contra fatos não há argumentos”. Os fatos ocorridos na Ucrânia são incontornáveis, indesmentíveis e indubitavelmente, criminosos. Não há lugar nem espaço ao contraditório. Ou nos posicionamos pela humanidade e pela moral, ou nos colocamos em contradição com isso mesmo.

Já morreram mais de 200 crianças nesta guerra, e mesmo que só tivesse morrido uma, é algo que não se pode contradizer. Talvez assumido uma posição mais contraditória se deveria ter noticiado: “Até agora houve mais de 200 crianças que se colocaram no caminho das bombas, e lamentavelmente morreram”.

A invasão é mesmo uma invasão. O contraditório é chamar-lhe “operação especial militar”, e mesmo essa afirmação e outras, são vinculadas todos os dias pelos responsáveis russos, que têm direito ao contraditório em todos os Media portugueses.

As imagens da destruição de milhares de alvos civis não são montagens, são reais. O contraditório corresponde às imagens das escolas, dos jardins de infância, dos hospitais e das casas dos cidadãos ucranianos, antes da guerra. Contrariamente às circunstâncias atuais, todas estas infraestruturas civis estavam intactas e em pleno funcionamento. Numas cuidava-se e educavam-se as crianças, noutras tratava-se dos doentes ou simplesmente vivia-se o quotidiano em paz. O contraditório de vida é morte, e esta é bem real entre os milhares de civis ucranianos.

Os defensores do chamado contraditório e opositores daquilo que chamam de pensamento único, ou não estão completamente informados sobre o verdadeiro significado da palavra, ou então têm uma enorme dificuldade em disfarçar a sua simpatia com a política do Kremlin. A isso junta-se uma convicta amargura pelo fato de viverem em países ocidentais e terem que conviver com tudo aquilo que desprezam sobre a cultura dos mesmos.

O direito ao contraditório que reclamam é o instrumento que pretendem ter, e efetivamente têm para nos fazer crer que algo de contrário existe nesta barbaridade a que assistimos.

Talvez algumas frases proferidas por dirigentes russos sirvam de exemplo para aquilo que é considerado contrário: "A Rússia não quer a guerra nem vai fazer a guerra”; “O exército russo vai retirar das fronteiras da Ucrânia e não vai haver qualquer tipo de invasão”; “Não estão a ser atingidos alvos civis”; "Não foram cometidos crimes de guerra na cidade de Bucha, foi tudo uma encenação"; “O lançamento do míssil que atingiu a estação de comboios foi da autoria dos próprios ucranianos".

Pelo menos durante estes dias sombrios, e para que não nos deixemos enganar, no dicionário de português, ao significado da palavra contraditório, deveria ser acrescentada a palavra “MENTIRA”.

Estes defensores ouviram com certeza a última declaração do Sr. Lavrov.

Disse ele: “A Federação Russa nesta fase da guerra, não vai usar armas nucleares”.

Esperamos todos, que pelo menos neste caso, não haja mesmo espaço ao contraditório.

19.04.22

Um exercício de raciocínio hipotético e utópico, onde imaginamos os habitantes de Ayamonte a invadir o sotavento algarvio, e que de armas apontadas nos sujeitem a um referendo onde teremos que escolher entre nós ou eles, - pode ilustrar o absurdo em si mesmo daquilo que se discute quando um povo vê as suas fronteiras violadas e a sua soberania posta em causa.

Perante um absurdo destes, estou curioso em saber qual seria a opinião e quais as reações por parte daqueles que defendem ou no mínimo tentam dissimuladamente legitimar as constantes invasões, agressões e crimes cometidos pela Federação Russa contra a Ucrânia.

Não sei se iriam legitimar a atitude do estado espanhol ou se pelo contrário iriam deixar crescer dentro de si mesmos um sentimento nacionalista e reagir face à agressão. Perante aquilo que tenho lido, estou convencido que iriam começar a passar férias no Gerês e esquecer isso do Algarve.

Assim como assim, a derrota perante o exército espanhol seria inevitável e como tal a melhor atitude seria a rendição. Quem sabe se não poderíamos ir todos até Vila Real de Santo António celebrar a bendita e desejada paz podre com os nossos novos proprietários. Aí celebraríamos um acordo onde nos comprometeríamos a abdicar da nossa capacidade de defesa territorial. Assim, quando Espanha quisesse avançar pelo Alentejo acima, teria a tarefa facilitada sem que um tiro seque fosse disparado.

Parece absurdo não parece? Pois foi exatamente isso que aconteceu na noite de 27 para 28 de Fevereiro de 2014, onde homens armados e soldados russos sem qualquer insígnia tomaram de assalto os edifícios do Parlamento e do Governo da Crimeia, parte integrante do território ucraniano. Por força de um ocupante estrangeiro, um país que estava em paz, passou a estar em guerra de um dia para o outro.

Depois deste assalto, o regime do Kremlin forçou a realização de um referendo no território da Crimeia para apurar qual a “vontade popular” em relação à soberania do mesmo. Ou se votava pela integração da Crimeia na Federação Russa ou se escolhia a manutenção da soberania ucraniana.

Perante as armas apontadas, os habitantes tiveram a óbvia “escolha” de abdicar da sua soberania, caso contrário teriam fortes possibilidades de ter que abdicar de muito mais do que isso. É esta a tipologia de eleições, referendos e sondagens de opinião que é praticada pela Federação Russa. A farsa e a “legitimidade” dos atos são asseguradas pela pressão das armas.

Estes são fatos históricos, provados e documentados, e só os desmente quem tem um raciocínio toldado por algum sabão bem esfregado, ou que sofreu de algum problema intestinal depois de ter comido um hambúrguer americano, e até hoje amaldiçoa a cultura ocidental.

Tanto a ocupação da Crimeia como a recente invasão são graves violações do direito internacional e constituem sérios crimes contra a soberania de um estado soberano e independente. Ponto final.

Para os defensores do indefensável, o único caminho para a paz é a diplomacia com os dirigentes do Kremlin, leia-se, com Putin, - o que neste caso concreto significa preto no branco, - a Ucrânia abdicar das regiões ocupadas, abdicar da sua defesa nacional e com um jeitinho mais, permitir a instalação em Kiev um governo às ordens do Kremlin.

É esta a solução moral que defendem aqueles que confortavelmente debitam asneiras deste lado do mundo, onde a democracia admite até os não democratas e onde nas ruas se circula em liberdade sem o fantasma da ocupação, da agressão e do assassinato. Onde a soberania, o direito à autodeterminação e à honra, não se entregam de mão beijada. Onde a paz só faz sentido quando é vivida com dignidade.

A estes defensores da paz dos submissos e dos desonrados, não sei o que lhes sobra mais, - se a dita ensaboadela encefálica ou a simples covardia.

18.04.22

Margarita Simonyan, diretora do canal russo RT refere-se aos prisioneiros de guerra ucranianos como “monstros. Veio-me à memória a expressão usada pelos nazis durante o holocausto quando se referiam ao povo judeu: “São sub-humanos, são como ratos”. Segundo esta pérfida personagem são estes “monstros” que irão reconstruir a cidade de Mariupol, num regime de trabalhos forçados. Afirmou ainda que serão “reeducados” para “endireitar as suas cabeças”, ouvindo a rádio e a televisão russas.

É este tipo de discurso que chega ao povo russo pelos meios de comunicação estatais. Nunca saberemos verdadeiramente quantos o aprovam e quantos o desaprovam. Por cá, sabemos quem são aqueles que dissimuladamente aprovam o regime dono deste discurso. Dizem-se defensores da paz, mas são incapazes de apontar o dedo a quem iniciou e de forma alguma quer terminar esta guerra.

Entre eles existem mesmo alguns que são como os relógios de repetição. De cada vez que os confrontamos com a barbaridade desta guerra, argumentam de imediato com a existência de outras guerras no passado, guerras essas onde atuaram forças ocidentais. Perante erros do passado, tudo é justificável no presente.

Haja quem informe esta “jornalista” russa que por aqui, ela terá ao seu dispor alguns fiéis servidores para ajudar na reconstrução de Mariupol, - e nem se terá que preocupar em “reeduca-los”, nem tão pouco obrigá-los a ouvir a rádio e assistir à TV russa para que as suas cabeças sejam “endireitadas”, - essa formatação já está incluída no pacote.

12.04.22

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As linhas vermelhas de que Vladimir Putin fala, representam nada mais, nada menos, do que a antiga cortina de ferro que existiu durante o regime soviético. Países que referenciamos como sendo os países do leste europeu constituíram uma linha imaginária e uma barreira física entre a Europa ocidental e a antiga URSS.

Com a queda do império soviético que Putin considerou ser a maior tragédia geopolítica do século XX, essa linha caiu. Os povos que durante décadas viveram sob o jugo russo, que sob ameaça constante tiveram que abdicar da sua autodeterminação e que sofreram do atraso civilizacional nas suas sociedades, - viram com a queda do regime soviético a sua oportunidade de traçarem o rumo que entendessem para si próprios. Foi uma escolha que fizeram.

Sem essa linha Putin ficou incomodado, e mesmo ainda antes de assumir o poder, já na sua mente se desenhavam planos para contrapor a situação. Na sua conceção, o povo russo não devia de maneira nenhuma, sequer vislumbrar o que significava a vida no ocidente, e reforçava este conceito com uma campanha propagandista da ideia de que do ocidente provinha todo o mal, e dele chegavam todas as ameaças para a Rússia.

Isto aplicava-se ao povo russo, não a ele. Ele, tornou-se proprietário de todos os luxos que o ocidente oferecia, com inúmeros investimentos em países ocidentais. Ao que parecia, ele era imune ao “vírus ocidental”.

Para manter a chamada segurança da Federação Russa, Putin considera perfeitamente natural que haja países que tenham que obrigatoriamente prescindir da sua autodeterminação, da sua autodefesa, senão mesmo da sua soberania, para eles próprios formarem a tal linha defensiva, aquilo que os especialistas chamam de zona tampão.

Há quem defenda que quando a Ucrânia manifestou interesse em aderir à NATO, tal pretensão deveria desde logo ter sido rejeitada pela organização. Ou seja, a Ucrânia estava e pelos vistos continua a estar obrigada a ser uma zona tampão. A incontornável realpolitik dita que haja países soberanos, alguns párias, e ainda os tampões. A segurança de alguns obriga a submissão de outros.

Há quem considere normal e legítimo este imperativo, - e se para tal, for necessário invadir estados soberanos, arrasar cidades inteiras e aniquilar as populações, - existirá sempre o argumento de que os avisos sobre o ultrapassar das linhas, já tinham sido proferidos. Como quem diz: “Eu avisei! Se não obedecerem e não se sujeitarem a cumprir o papel que a vocês está destinado, - eu invado e disparo sobre todos aqueles que se cruzarem no meu caminho, até as crianças”.

Para Putin, a Ucrânia é o último trecho da linha. É estratégica e estava vulnerável. A Ucrânia reúne uma série de fatores que foram decisivos para as atitudes de Putin. Para além das considerações enviesadas e falsas que faz do povo e da cultura ucraniana, o cerne da questão prende-se com a riqueza e com a posição geopolítica do país.

A Ucrânia é um país rico em recursos naturais, grande produtor de alimentos e dispõe de portos de mar de águas temperadas. Portos que lhe permitem manter uma economia sustentada na exportação de bens, assim como garantir o estabelecimento de bases navais onde o tráfico marítimo é garantido durante todo o ano, – ao contrário do que se passa com os portos russos no polo.

Quando a adesão da Ucrânia à UE estava a ser ponderada, soaram os alarmes no Kremlin. Para a debilitada economia russa é indispensável o acesso privilegiado ao mercado ucraniano. É trágico para a Federação Russa que as relações comerciais entre Ucrânia e UE se sobreponham aos seus interesses. A adesão da Ucrânia à UE é para a Federação Russa uma ameaça e uma derrota muito superior do que a questão da adesão à NATO.

Se assim não fosse, Putin já poderia ter saído vitorioso desta “operação militar especial”, com a anuência tanto do Presidente ucraniano, como da própria NATO, no sentido de que a questão da adesão está posta de parte. Em vez disso, sai derrotado com a inevitabilidade da Ucrânia aderir à União e para agravar a sua derrota, países como a Finlândia e a Suécia aceleram desde já a sua adesão à aliança militar.

Para desgosto de uma minoria sem expressão de apoiantes do regime russo, que se estende desde políticos, militares, comentadores e especialistas em “Copy de asneiras/Paste de asneiras”, que naturalmente por ausência de argumentos, recorrem ao vulgar insulto, - esta “operação militar especial” está a ser para Vladimir Putin uma tragédia ainda maior do que a própria queda da URSS.

O que se segue será a resistência da Ucrânia, a carnificina continuada por parte do exército russo, as falsidades do Kremlin, e a azia de Putin. Tragicamente é o povo ucraniano que continuará a pagar com o seu sangue a fatura por ainda continuar ser, a última linha vermelha do Sr. Putin.

11.04.22

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Vladimir Putin quer uma vitória no dia 9 de Maio. Resta saber que vitória é essa.  

Em 24 de Fevereiro procurava uma vitória que lhe colocaria a Ucrânia numa bandeja. 46 dias depois, a bandeja está vazia e a Ucrânia que agora enfrenta é uma nação que apesar de estar em boa parte destruída, se revela, fruto da agressão, muito mais unida do que estava num passado recente.  

Não conseguir derrotar o inimigo e ao mesmo tempo torná-lo ainda mais forte, configura aquilo que poderá ser a maior derrota para o agressor. 

Qual será o tipo de vitória que permitirá a Putin a sobrevivência como líder da Federação Russa? Seja ela qual for, o povo russo será sempre enganado, pois a mensagem para consumo interno, será sempre aquela que ilustrará uma grande vitória. A vitória sobre os nazis ucranianos e a vitória sobre o inimigo ocidental. 

Mais tarde ou mais cedo até o vendado cidadão russo, se irá interrogar porque é que ganharam mais dois vizinhos agora pertencentes à NATO - Suécia e Finlândia, logo ali ao lado de São. Petersburgo… questionará igualmente a razão porque as Repúblicas do Báltico e a Polónia reforçaram substancialmente os seus arsenais.  

Não sei se irão tomar conhecimento de que no país que os via como irmãos, reside agora um povo que os odeia. A culpa vai ser com certeza do inimigo ocidental que armou a Ucrânia. 

Para os dirigentes russos é muito fácil convencer os seus cidadãos de que na Ucrânia não se passa nada para além da libertação do povo ucraniano de todos os males – para isso basta apertar um pouco mais a venda, não vá o povo conseguir um fugaz vislumbre da verdade.  

Complicado vai ser explicar aos russos porque razão para eles, as visitas à Ucrânia serão altamente desaconselháveis nas próximas gerações. 

Seja qual for a vitória do exército russo nesta aventura, e se realmente ela se concretizar, o que Putin vender ao seu povo, será sempre uma mentira. A sua vantagem é que o povo pouco notará a diferença. A mentira tem um efeito dopante, e quando é repetida muitas vezes aos ouvidos dos dopados, parece verdade. 

O que Putin parece não ter ainda entendido é que a guerra que ele iniciou contra a Ucrânia em 2014 ainda não foi por ele vencida. Se nessa data ele enfrentou um exército mal preparado, uma opinião pública mundial distraída e líderes mundiais complacentes, e mesmo assim não conseguiu o domínio completo do leste da Ucrânia; agora, essa vai ser uma tarefa muito mais complicada. Agora, os ucranianos não vão largar mais as armas até expulsarem na totalidade o inimigo do seu território. 

Agora o Kremlin vai ter razão quando afirma que a NATO está a apertar o cerco. Porque será? Será que algum país da NATO invadiu a Federação Russa e como tal reforça agora militarmente os seus aliados com receio de uma retaliação russa? 

Quando em 2014 com a condescendência do mundo inteiro anexou a Crimeia, o erro estratégico de Putin foi não ter aproveitado o momento que lhe foi tão propício, para continuar a ofensiva ladeando o Mar de Azov rumo à conquista da agora cidade mártir, mas não conquistada, Mariupol. Aí, já em plena região de Donetsk, a conquista de todo o Donbass teria todas as condições para acontecer. Seria a continuação do passeio no parque que foi a Crimeia. 

Perdeu então essa oportunidade, como continua agora a perder no terreno, como continuará a perder em toda a linha a Federação Russa – isolada, descredibilizada, enfraquecida e agora, talvez como nunca esteve – rodeada de vizinhos ainda mais armados, ainda mais desconfiados e acima de tudo, decididos a reagir sem hesitações a qualquer tipo de agressão.  

Os passeios tranquilos do Sr. Putin por terras alheias terminaram. 

A Federação Russa nas próximas décadas só encontrará desconfiança e descrédito. E mesmo aqueles que por agora se fazem passar por aliados, irão logo que lhes aprouver, provar que estavam apenas a ser oportunistas. Putin, com a sua postura conseguiu convencer até os seus ditos aliados, que mesmo eles, devem manter a guarda perante a ameaça que ele representa. 

A história tem as suas ironias. Durante a segunda grande guerra mundial, a cidade russa de Leninegrado, esteve cercada pelos exércitos nazis durante cerca de 900 dias. Foi um dos mais longos cercos de todas as guerras e sem dúvida um dos mais destrutivos.  

A vitória final das forças russas só foi possível devido à heroica resistência dos soldados e da população na defesa da sua cidade. Nesses anos sombrios, os aliados tinham a perfeita noção que para vencer o terceiro reich, seria imprescindível ajudar militarmente o exército vermelho e dotar o regime soviético dos meios financeiros necessários para que este pudesse continuar a fazer frente a um inimigo comum.  

Foram os EUA que forneceram essa ajuda. Sem ela, Leninegrado teria certamente capitulado e o curso da guerra teria sido outro. 

Hoje, são os heroicos ucranianos que combatem e resistem a um exército que não é vermelho, mas que veio da mesma Rússia onde um dia existiu uma cidade mártir chamada Leninegrado.  

Hoje, a cidade sitiada chama-se Mariupol, e o povo cercado, mas não rendido, é outro – ironicamente, o país que agora ajuda, é o mesmo. 

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