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A Política somos nós

A Política somos nós

07.10.25

Dois anos depois do terror do 7 de Outubro de 2023, todos se interrogam sobre o futuro do Médio oriente.

É igualmente importante sabermos o que foi o passado naquela região.

Que o façamos com a mente aberta, sem facciosismos, sem grilhões ideológicos nem fanatismos – que o façamos com espírito humanista, com espírito crítico construtivo e com imparcialidade.

As barbaridades cometidas naquele dia fatídico são um perverso exemplo daquilo que os homens inexplicavelmente são capazes de fazer ao seu semelhante.

O sofrimento e a dor causadas às vítimas e aos seus familiares, é algo imensurável e inimaginável.

Sem qualquer tipo de dúvida, os crimes cometidos não podem ficar impunes.

Certamente que temos uma enorme dificuldade em entender como foi possível que seres humanos tenham cometido tais atrocidades.

O lugar comum encontrado para explicar o sucedido resume-se ao facto de os autores serem terroristas, desprovidos de humanidade e de clemência – nada mais perto da verdade, - porém, estes atributos não nascem de geração espontânea.

Ninguém nasce bárbaro, desumano e suficientemente malvado para chacinar homens mulheres e crianças.

A história do Médio oriente tem sido ao longo de mais de 100 anos, um palco de tiranias, de subjugação, de perseguições, de chacinas, de enganos e de traições.

Tal como os bárbaros não nascem de geração espontânea, os conflitos também não.

Todos os impérios trouxeram muita riqueza, ao mesmo tempo, provocaram muita desgraça.

Desde o império Otomano aos impérios coloniais britânico e francês, - esta estratégica região do mundo, esteve e continua a estar á mercê de jogos de poder, de ambição desmedida, da ignomínia e da tirania.

Para manterem o seu imenso império, - em especial a colónia indiana, - os ingleses contaram com o apoio das populações árabes numa história de alianças, falsas promessas e de traições.

A promessa de uma nação árabe rendeu muitos homens no campo de batalha no médio oriente durante a primeira e segunda guerra mundial

O fator judaico surgiu durante a segunda guerra mundial, quando a influência e riquezas judaicas foram fatores determinantes na vitória final.

Já não se tratava apenas de uma promessa, mas sim, de duas. A terra da Palestina foi prometida a dois povos: o Judeu e o Palestino.

A tragédia que se seguiu já dura há oitenta anos.

Há pensadores árabes que hoje se interrogam se não teria sido mais sábio se a divisão de território proposta em 1947, tivesse sido aceite pacificamente.

O que é certo é que não foi. E o que é certo também, é que desde a proclamação da formação do Estado de Israel em 1948, travaram-se quatro guerras entre árabes e judeus e, em resultado disso, a terra árabe prometida foi consecutivamente minguando.

Antes do 7 de Outubro de 2023 tivemos um homem chamado Yitzhak Rabin, - o homem que sonhava com um Israel pacificado e pacificador. Foi assassinado. Uns dirão que foi obra dos palestinianos, outros afirmam que foram os israelitas. Foi certamente obra dos inimigos da paz.

Hoje temos Benjamin Netanyah, - o homem que sonha com a grande Israel e com o enterro definitivo da promessa árabe.

Amanhã, teremos certamente os frutos do 7 de Outubro, da devastação de Gaza e da usurpação na Cisjordânia.

Os familiares dos soldados israelitas mortos, os familiares dos reféns, os sobreviventes de Gaza, são os frutos que representam a cultura do ódio, a sede de vingança e a rejeição do perdão e da aceitação.

Frutos de sementes que não foram apenas aquelas lançados na terra de Israel no dia de 7 de Outubro de 2023. São sementes antigas, tais como são os erros cometidos.

Enquanto forem estas as sementes escolhidas, os frutos colhidos, continuarão fatalmente a nascer podres.

 

02.10.25

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Quem ficar em Gaza está condenado á morte.

Uma mulher com o seu filho nos braços sem condições para fugir de Gaza, será considerada terrorista e como tal, será um alvo do exército israelita.

Quem não concordar com esta medida do governo de Israel, - apoiada por uma substancial percentagem da população israelita, é considerado/a, anti-semita.

Os que usam este argumento são certamente aqueles que faltaram às aulas de história e que só conseguem ver a preto e branco, esquerda ou direita e, outro tipo de limitações intelectuais.

Se escolhessem melhor as fontes de informação, se soltassem as coleiras ideológicas e, lessem a história documentada e comprovada, ficavam a saber, entre outras coisas, que os semitas são um conjunto de povos que englobam tanto árabes como judeus.

Saberiam também que no final da primeira grande guerra, - com o colapso do império otomano, as potências coloniais inglesas e francesas frustraram todas as expectativas de autodeterminação dos povos árabes do médio oriente.

Depois do domínio otomano veio o domínio imperial europeu, - sendo as fronteiras definidas a belo prazer dos impérios coloniais. O colonialismo otomano foi substituído pelo europeu e mais tarde o êxodo massivo da população judaica desencadeou enormes perturbações e convulsões sociais.

Saberiam também que durante o período do protectorado inglês, o Reino Unido não esteve á altura para lidar com os conflitos entre facções árabes moderadas e radicais nem com os conflitos emergentes entre árabes e judeus, recentemente chegados à região da palestina, - os britânicos optaram então por abandonar a região, sem antes disso deixar de incendiar centenas de aldeias árabes e assassinar centenas de habitantes.

Existe uma tendência generalizada para justificar os problemas de hoje com aquilo que aconteceu na véspera.

No final da segunda grande guerra, os europeus interrogaram-se com o que fazer com a população judaica.

Hoje o mundo interroga-se com o que fazer com a população palestiniana.

Espero que a solução para o segundo problema não seja tão desastrosa como foi a solução para o primeiro.

80 anos depois e, depois de centenas de milhares de mortos, - o argumento para justificar a desgraça é o simplismo do conceito de anti-semitismo.

Neste processo só existem culpados e, ao que parece, uma mulher mais o seu filho no colo não merecem o estatuto de inocentes.

02.08.25

img_932x621uu2025-08-01-21-45-29-2226589-im-638896Uma imagem vale mil palavras. Os relatos e as imagens que diariamente nos chegam da Faixa de Gaza não deixam qualquer tipo de dúvida e chocam até as consciências mais insensíveis.

Imagens são imagens - independentemente de onde foram obtidas ou de quem as realizou. Sem qualquer tipo de dúvida são reais, não editadas ou manipuladas.

Gaza foi terraplanada. A devastação é total. Sem infraestrutura nem economia local. As movimentações populacionais são regidas pela busca de alimentos e por uma esperança ténue de obter alguma segurança. Se juntarmos a tudo isto as lutas de gangs armados pelo domínio de parcelas de terreno e pelo mercado negro dos bens de primeira necessidade, realizamos que em todos os aspectos, Gaza é a definição do caos absoluto.

Quem nega tudo isto é o sr. Embaixador de Israel em Portugal. Afirma que em Gaza não existe fome. Afirma que os corpos esqueléticos - aos quais só faltam os pijamas as riscas e a cruz de David ao peito - são apenas o fruto de doenças perlongadas e que em nada têm a ver com a intervenção militar israelita.

Se lhe pendurarem ao pescoço uma identificação de qualquer agência imobiliária, ele fará da Faixa de Gaza uma óptima oportunidade de negócio para se adquirir um imóvel - com a ressalva de que o mesmo ainda está em planta...

Quando as imagens de crianças esqueléticas ocupam metade do televisor e a outra metade é preenchida pela presença deste suposto diplomata, afirmando categoricamente que não existe fome, dá-me vontade de vomitar.

Mentir descaradamente sem qualquer pejo não é para qualquer um. Está apenas reservado aos profissionais da mentira , da hipocrisia e da ignomínia.

E não me venham com a conversa de merda das ideologias e dos partidos ou da Realpolitik. O que se passa em Gaza é uma vergonha para o mundo inteiro.

Estamos todos a assistir a uma limpeza étnica ao vivo e a cores.

Israel não tem competência nem política nem militar para extinguir o hamas, para libertar os reféns nem tão pouco para restabelecer as mínimas condições de vida aos habitantes de Gaza. Limita-se a eternizar o conflito, enquanto vai dizimando uma população inteira.

Nem Franz Kafka teria capacidade de nos providenciar este cenário. De um lado a realidade dos famintos moribundos, do outro, o retrato da falsidade numa pessoa que tenta passar uma imagem e um discurso de gente de bem.

Somos todos livres de acreditarmos naquilo que queremos ou naquilo que nos convém.

Eu acredito principalmente naquilo que vejo. Se uma criança morrer de fome, é uma fatalidade. Se forem às dezenas, é uma tragédia.

Uma tragédia para eles, uma vergonha para nós.

Para este sr. Embaixador, certamente não o será.

 

18.07.25

Foi engano. Como quem liga para um número errado e pede desculpa pelo lapso.

Na matemática militar do governo extremista israelita - não confundir com o Estado de Israel - o cálculo é simples :

Por cada terrorista do Hamas morto, morrem 100 crianças. É este o preço.

Para que estes inocentes não tivessem que morrer, as tropas israelitas na sua caça aos elementos do Hamas teriam que percorrer Gaza casa a casa e não bombardear massiva e indescreminadamente.

Não é necessário ser especialista militar para perceber que este combate urbano representaria um número de baixas no exército israelita completamente inaceitável para a sociedade civil de Israel.

O governo fundamentalista de Israel faz simplesmente aquilo que quer. Sem regras, sem respeito e sem limites. 

De vez em quando pedem desculpa por algum "engano". Ataques a instalações da ONU, ataques a locais de culto, ataques a centros de distribuição de ajuda humanitária ou simplesmente a campos de refugiados. 

" ... desculpem lá ! Foi engano ... tínhamos que atacar aquela zona porque estavam lá 2 ou 3 terroristas. Os 50 civies mortos foi uma fatalidade... é  a guerra... "

Com o total apoio do amigo americano, o governo israelita continua a disparar para todos lados e a chacinar tanto quanto no se entender for necessário para alcançaros os seus objectivos - sejam eles legítimos ou não.

E ai de alguém que critique este comportamento israelita. É imediatamente conotado como anti semita. Agora é uma moda que dá muito jeito aos populistas e extremistas - se alguma voz se levantar contra eles, então coloca-se um rótulo com conotação negativa.

Se ser opositor à matemática de extermínio do governo de Israel, representa ser rotulado como anti semita; então eu mesmo coloco o rótulo.

 

10.07.25

Mais do que a vontade de escrever, sobra a necessidade de desabafar.

O assunto é o de sempre e a tragédia é maior.

Aquele assunto que instintivamente procuramos passar á frente com um toque no comando da televisão. Já cansa. Incomoda.

Aquele assunto que agride a nossa consciência quando a violência das imagens eclipsa qualquer réstia de tendencionalismo ou retórica política.

No canal seguinte já se fala de outra coisa mas o que é certo é que árabes e judeus, inocentes, continuam a morrer em Gaza, na Cisjordânia e em Israel.

Não consigo deixar de me indignar com a constante barbaridade existentente nos dois enclaves árabes dentro do Estado de Israel e no próprio Estado de Israel.

Mais de uma centena de organizações internacionais presentes em Gaza garantem que a situação é completamente caótica. Na minha opinião, algo semelhante aos cenários do Mad Max.

As pessoas são baleadas quando procuram chegar as centros de distribuição de alimentos.

Custa me acreditar que todas estas organizações estejam a mentir.

Infelizmente a ONU está à espera que Trump resolva o problema. E fatalmente estamos mesmo nas mãos dele para encontrar uma solução duradoura para a tragédia em que se transformou o médio oriente.

Passados 80 anos desde o final da segunda grande guerra, perfazem 78 de guerra entre Israel e os povos árabes da região. Não houve um dia de paz absoluta.

Se Trump conseguir que os reféns sejam devolvidos e que haja um cessar fogo imediato, talvez se possa abrir caminho para comprometer a maioria dos países da península Arábia a participarem na construção de um estado palestiniano; garantir que o povo de Israel possa viver em paz e muito importante: o fim definitivo da construção de novos colonatos na Cisjordânia.

Neste processo será indispensável que a diplomacia europeia nem esteja presente. O legado de ganância, incompetência e desonistidade deixado pelos impérios coloniais europeus já foi o quanto basta.

Não sei quando a paz duradoura e próspera chegará para aqueles povos. Sei que não consigo normalizar aquilo que é inaceitável.

O assunto de tão repetitivo que é, incomoda. A realidade absoluta daquele dia a dia, incomoda muito mais.

25.06.25

Surprende-me a ligeireza e principalmente a falta de isenção em alguns comentários televisivos sobre problemas tão compexos como a geopolítica e os conflitos mundiais.

A questão ucraniana e as questões do médio oriente têm ocupado um vasto espaço televisivo e em muitas ocasiões têm sido um meio muito apetecível para certos comentadores fazerem brilhar o seu ego e propagandearem ideologias mal disfarçadas.

Entre todos, são raros aqueles que conseguem ter um discurso isento e paragmatico perante assuntos tão complexos.

Existem os adoradores das autocracias que são extremamente alérgicos à civilização ocidental, mas também existem os adoradores de Trump e Netanyahu que acreditam que estes são um exemplo de virtudes.

Nem preciso referenciar nomes pois é deveras notório a aparição de alguns casos agudos de tendencionalismo.

Desde a senhora que insiste nos termos em inglês com forte sotaque americano,  que não resiste a expressar rasgados elogios à política da Casa Branca, com especial destaque para Trump; até ao Xô Major que para além de não acertar uma, frequentemente passa dos limites quando é confrontado.

Há quem prefira acreditar que neste mundo existe um lado bom e um lado mau. Os bem aventurados e os malditos. Esta simples dualidade de conceitos revela-se muito estreita quando se procura entender os complexos problemas do xadrez mundial.

Prefiro a visão de que existem bons e maus em todos os lados. Acredito que são as pequenas minorias de desequilibrados, de extremistas e de ambiciosos sem escrúpulos, que vilmente plantam as sementes que mais tarde dão origem a grandes problemas. Problemas esses que serão ainda mais complexos de resolver nas gerações seguintes. O grave problema do médio oriente é um exemplo clássico disto mesmo. Uma sucessão de erros e consequentes tragédias que se eternizam no tempo.

Neste jogo das três grandes potências não há nem inocentes nem Santos.

 

 

22.06.25

Os Golias dos tempos modernos não se deixam abater pelas fundas dos pequenos David's.

Contra as inocentes e romanticas posições em defesa do direito internacional, surge fatidicamente a força militar dos verdadeiros Golias.

Ilariante observar a indignação iraniana perante o ataque de EUA/Israel, onde acusam estes de violarem o direito internacional. O Estado iraniano constitui um regime totalitário ditatorial, fundamentalista islâmico e financiador do terrorismo internacional. Durante décadas desrespeita o direito internacional atacando indirectamente através dos seus grupos terroristas, o estado de Israel.

Ilariante observar a posiçao de Vladimir Putin quando este se oferece para ser o mediador de um processo de paz para este conflito ao mesmo tempo que acusam os EUA de violarem o direito internacional ao atacarem o território iraniano.

Ilariante a posiçao de EUA/Israel apresentado-se como defensores da justiça, da paz no mundo, como se eles fossem inteiramente os bons da fita.

Independentemente das razões apresentadas, o ataque americano ao Irão para além de desrespeitar a constituição americana, desrespeita o direito internacional.

Ilariante a pretensa preocupação do Irão com o destino do povo palestiniano. A verdade é que o regime iraniano despreza completamente os palestinianos, quando na verdade apenas usa a causa palestiniana para justificar o grande desígnio do regime dos ayatolas que é a destruição do estado de Israel.

Israel sempre foi a ponta da lança dos EUA no médio oriente onde defende os gigantescos interesses geopolíticos e económicos americanos nesta região única no mundo. A grande a ameaça para os EUA nesta questão é o Irão.

Foram os EUA que colocaram no poder o Xa Reza Pahlavi quando o antigo regime iraniano decidiu nacionalizar a indústria petrolífera iraniana. 

Foi a antiga URSS que fomentou,  financiou e apoiou a revolução islâmica que colocou no poder um conjunto de facínoras e de fanáticos tão corruptos e tão criminosos como o regime monárquico do Xa. 

Se de um lado, Israel tem sido um peão americano, o Irão tem sido o peão da Rússia e da China.

Se a Rússia perder a influência que tem no regime iraniano, toda a sua presença e influência será posta em causa nesta região chave do mundo.

Os planos chineses na construção da nova rota de seda, passam directamente em solo iraniano. Basta observar a posiçao geográfica do irão para perceber que é única, invejável e naturalmente extremamente cobiçada.

Se a Ucrânia tivesse armas nucleares, a Crimeia ainda seria território sob controle dos ucranianos. Se a Europa tivesse força militar para se opor no terreno ucraniano à invasão russa, esta não tinha acontecido.

Se a Rússia não fosse a maior potência atómica do planeta os dirigentes europeus não borravam as calças sempre que o criminoso de guerra Medvedev abre a boca.

Ilariante ouvir os comentários daqueles que procuram um dos lados como se qualquer um deles fosse um refúgio de virtudes e de justiça.

SE o Irão detinha ou detém capacidade eminente de construir um engenho nuclear, este ataque é justificado e proveitoso.

SE realmente corresponder à verdade que existiam ou existem instalações secretas iranianas a dezenas de metros de profundidade, coloca-se a questão: porquê esconder tanto, algo que os líderes iranianos afirmam ser um projecto pacífico?

A ideia é reduzir o número de armas nucleares não aumentar este número.

Não é aceitável que se defenda a existência de um estado iraniano nuclear argumentando que Israel já é uma potência nuclear.

Neste caso, mais é demais. 

Se já é suficientemente preocupante a actual radicalização da política de Israel - uma potência nuclear que nunca escondeu - muito pelo contrário - a sua intenção expansionista. Quanto mais um Irão nuclear. Um regime extremista, que nutre um ódio profundo à civilização ocidental - um regime que condena à morte por apedrejamento - um regime que permite que as mulheres sejam tratadas como escravas onde a menor desobediência é castigada com chibatadas ou o uso de ácido no rosto - um regime onde os dissidentes são enforcados em gruas na via pública em autênticos espetáculos medievais. O regime dos ayatolas nunca poderá deter armas nucleares. Ponto.

Esperemos que seja o povo iraniano a derrubar este regime. A história demonstrou que nesta região, as tentativas de alteração de regimes pela força das armas estrangeiras tem resultado em processos catástroficos. Substituiram-se ditadores por outros e transformou-se a paz podre em guerras cívies intermináveis.

Ilariante a posiçao de Israel que vem agora defender a via diplomática, depois de ter assassinado milhares de civies palestinos, com o pretexto de aniquilar um grupo terrorista que certamente terá muito mais de iraniano do que palestiniano. O verdadeiro objectivo do governo israelita com o apoio de uma boa parte do seu povo é a eliminação total do povo palestino e com isso alcançar o grande sonho israelita de ter um Israel que se estenda das margens do rio Jordão às margens do mediterrâneo.

Desde o final da segunda grande guerra que a carta das Nações Unidas tem vindo a ser rasgada e a diplomacia internacional se tornou uma farsa.

Depois da Ucrânia, depois do Irão, não será surpresa nenhuma que o próximo palco seja Taiwan.

Somos aquilo que somos, merecemos aquilo que temos.

 

 

 

 

 

 

 

19.06.25

Israel arrasou Gaza. Milhares de cívies foram mortos, outros milhares são hoje apenas miseráveis famintos.

Apenas mais uma vingança a castigar outra vingança. 

A barbaridade do 7 de Outubro - uma barbaridade na sequência de intermináveis outras.

Durante o mandato inglês na terra da palestina, centenas de aldeias foram incendiadas, milhares de árabes palestinianos for chacinados. Já ninguém se lembra disto - não convém.

Na constituição do estado iraniano consta a obrigatoriedade de destruir um outro estado - o Estado de Israel.

Se eu fosse israelita teria muito medo. Se eu fosse palestiniano recordaria com saudade o tempo e a terra onde durante séculos viveram os meus antepassados. Terra usurpada e irrecuperável.

Os números costumam ser uma excelente ferramenta para compreendermos os factos :

Durante séculos, judeus e árabes coabitaram pacificamente nesta região. Com um pormenor: A população judaica era apenas uma pequeníssima parte face à população àrabe. Com o desenrolar dos acontecimentos na Europa em guerra, a fuga de judeus para a Palestina aumentou drasticamente.

Com o desfecho do holocausto, centenas de milhares de judeus sentiram na pele a desconfiança dos europeus e a rejeição dos mesmos á presença judaica e rumaram à palestina - também já ninguém se lembra disto - não convém.

Hoje na Europa contesta-se a presença dos imigrantes apesar de estes constituírem uma clara minoria.

Coloco a questão: Como se sentiriam os europeus se de um momento para o outro a poluição de imigrantes suplantasse a população europeia ?

Só para recordar - depois do final da segunda grande guerra, a população judaica na Palestina quase suplantava a própria população àrabe.

A legitima aspiração do povo judeu a uma terra que fosse sua, foi mal pensada, mal gerida e fatidicamente imposta.

Décadas depois, inúmeras desculpas, incontáveis razões foram apresentas para considerar que por exemplo, um hospital israelita bombardeado é considerado um crime de guerra, enquanto que a tragédia de Gaza é apenas um dano colateral.

O que está em cima da mesa não é nem território, nem religião, nem armas de destruição massissa, nem urânio mais ou menos enrriquecido.

O derradeiro prémio é a hegemonia geopolítica na região. Ponto.

Israel é o dono dessa hegemonia e para a manter tem que derrotar o seu adversário direto. É o irão - podia ser outro qualquer.

Inglaterra, França, EUA, Rússia, Israel e Irão - os mesmos cães de sempre disputando o mesmo osso. 

Todos se merecem.

 

 

 

 

12.06.25

No dia 14 de Maio de 2022 escrevi e publiquei o seguinte texto.

Vergonha Israel 

No último dia 11, Shireen Abu Akleh, jornalista da cadeia televisiva Al Jazeera foi assassinada no território de Jenin na Cisjordânia. A jornalista de dupla nacionalidade – palestiniana e norte-americana, foi atingida mortalmente enquanto fazia a cobertura de uma operação militar israelita na Cisjordânia. 

A sua morte desencadeou reações em todo o mundo – as do costume – todos lamentam e condenam o ocorrido. 

Nos media, li o seguinte trecho: “A sua morte ocorreu no contexto de uma onda de violência israelo-palestiniana atiçada por tensões num importante lugar sagrado de Jerusalém. Pelo menos 18 israelitas morreram em ataques palestinianos nas últimas semanas, enquanto mais de 30 palestinianos, a maioria dos quais envolvidos em ataques ou confrontos com forças israelitas, foram também mortos.”. 

Esta é uma notícia que não necessitava de data. Neste eterno conflito, notícias deste teor são intemporais. Repetem-se assim como se repete o terrível drama. 

A Terra de Israel é segunda a Bíblia judaica, a região que foi prometida por Deus aos descendentes de Abraão através do seu filho Isaac e aos descendentes hebreus do seu neto Jacó. Diz a tradição hebraica que esta é a terra prometida de Israel.  

Esta promessa nasceu de uma recompensa divina à fidelidade de Abraão e do seu povo quando este adotou uma crença monoteísta e a concepção de uma nação escolhida por Deus. A promessa incluía a eliminação de outros povos semitas como os cananeus como castigo pelos seus pecados e a atribuição das suas terras aos hebreus, igualmente, eles, parte desse conjunto maior de povos semitas. Esta promessa tornou-se válida para a totalidade do povo judeu.  

Descendo agora à terra – Com o final da primeira grande guerra mundial, a Liga das Nações atribuiu ao Reino Unido o chamado “Mandato Britânico da Palestina” com a responsabilidade deste estabelecer, "…tais condições políticas, administrativas e econômicas para garantir o estabelecimento do lar nacional judaico, tal como previsto no preâmbulo e no desenvolvimento de instituições autônomas, e também para a salvaguarda dos direitos civis e religiosos de todos os habitantes da Palestina, sem distinção de raça e de religião… ".  

Dois anos depois do termo da segunda grande guerra, em 1947, a ONU elaborou um plano para a partição da região da Palestina, do qual nasceria um Estado judeu, um Estado árabe e onde a cidade de Jerusalém ficaria sob administração direta da organização. 

Esta partição que foi aceite pelos líderes sionistas e rejeitada pelos líderes árabes deu origem a uma guerra civil onde se confrontaram judeus e árabes, enquanto isso, os britânicos retiravam, desresponsabilizando-se assim do suposto compromisso que assumiram de manter a ordem e a segurança na região.  Séculos antes, nas mesmas redondezas, houve quem igualmente lavasse as mãos...  

Em 1947 Israel declara a sua independência e na sequência os seus vizinhos árabes atacaram o recém formado país. Resumidamente, este conflito de um ano que ficou conhecido como a guerra da independência, resultou na fuga de centenas de milhares de árabes palestinianos e na invasão da Faixa de Gaza pelo Egito e da Cisjordânia pela Trans Jordânia dando origem à Jordânia. Por parte de Israel, houve a conquista de cerca de 75% do território que estava destinado ao povo palestiniano, bem como da parte ocidental de Jerusalém. 

Nesta que é provavelmente a mais complexa história dos povos, ficará sempre muito por esmiuçar, muito por contar e certamente mais ainda por argumentar. 

Desde este fatídico ano de 1947 que uma vergonha prevalece: O conflito Israel o árabe.  

Sem santos, mas com muitos pecadores. Com diversos culpados e com inúmeros inocentes mortos. Gerações criadas no ódio. Infindáveis vinganças. Intermináveis injustiças. Infrutíferos esforços para que cesse o conflito. Estéreis acusações. Dedos apontados na busca dos responsáveis. 

A promessa divina, a usurpação da terra alheia, a irresponsabilidade e a inépcia da comunidade internacional numa solução para o problema. 

O Estado de Israel, desde a data da sua formação, tem vindo a violar as regras internacionais e o respeito pela autodeterminação do povo palestiniano. Os fundamentalistas islâmicos pretendem o fim do estado de Israel e para alcançar este objectivo colocam no conflito a população palestiniana que na sua maioria é inocente e que procura apenas sobreviver neste enorme caldeirão de violência que persiste no médio oriente. Estes são sem dúvida dois factos inegáveis nesta tão complexa história.  

Enormes barbaridades de parte a parte têm vindo a resultar desta realidade. Mais importante que encontrar os culpados, pois a história já disso se encarregou, seria encontrar as soluções que até agora os líderes mundiais não lograram alcançar. 

Não existem soluções simplistas para problemas complexos. A formação de um Estado Palestino soberano, cujas fronteiras não podem ser as atuais, é incontornável. Forçosamente Israel terá que ceder parte dos territórios ocupados e um novo acordo de paz terá que ser realizado. Infelizmente nem palestinianos nem israelitas têm o bom senso nem a independência para o fazer. Essa terá que ser a responsabilidade da comunidade internacional.  

As novas fronteiras terão que ser respeitadas e a cidade de Jerusalém deverá ficar definitivamente sob a total administração da ONU. A cidade não mais será israelita ou palestiniana. Haverá uma só cidade, uma só Jerusalém, património da humanidade, - policiada exclusivamente por tropas da ONU. 

Tragicamente, dois povos fruto de décadas de ódio e de conflito, têm-se comportado como bichos selvagens, e quando assim é, impõe-se uma nova arbitragem. Os desrespeitos a esta nova ordem deverão ter como resposta, as tão na moda - sanções. Que se sancione sem hesitações nem condescendências aqueles que prevaricarem, nem que isso signifique enfrentar o tão poderoso Israel. 

Este assassinato da jornalista da cadeia televisiva Al Jazeera não deveria ficar como mais um rodapé desta triste história. Já são demasiados os rodapés onde ficaram escritas as mortes de tantos inocentes. Está na hora de pôr um fim a esta infindável vergonha e escrever não um rodapé, mas sim um novo título para o médio oriente. Uma palavra é suficiente: BASTA. 

 

Desde esta data a situação complicou-se e piorou muitíssimo.

Depois daquele fatídico dia 7 que as circunstâncias mudaram significativamente, e para pior, muito pior.

Depois das barbaridades cometidas sobre os colonos judeus, seguiu-se a desgraça em Gaza.

A espiral de violência e as consequentes vítimas já fazem desta guerra, a mais violenta e trágica desde o primeiro conflito declarado - a guerra da independência do formado Estado de Israel.

Nesta nova fase deste eterno conflito destaca-se o facto de que o poder em ambos os lados está como nunca nas mão dos extremistas.

No meio, tentam coabitar centenas de milhares de israelitas e palestinianos que mais não querem do que viver em paz.

Por mais incrível que seja, o mesmo povo que no passado - que por ser passado histórico, é um passado recente - foi condenado ao extermínio ; esteja agora ele próprio desesperadamente empenhado em exterminar outro povo.

Tem vindo a ser um extermínio lento mas consistente.

A matemática é terrível:

Por cada missão militar israelita em Gaza morrem em média 50 palestinianos, para 5 elementos do Hamas,sendo as baixas das forças israelitas ou nulas ou baixíssimas.

Terminei aquele texto de Maio de 2022 com uma palavra: BASTA 

hoje, infelizmente mais uma vez não me ocorre outra.

 

11.10.23

Um vento de discórdia e de conflito soprou no dia 14 de Maio de 1948, quando o sionista David Ben-Gurion proclamou a independência de Israel materializada na formação do Estado Judaico na região da Palestina.

O anseio do movimento sionista na criação deste Estado, foi realizado nesta data, embora a ideia de se estabelecer um território onde o povo Judeu tivesse oportunidade de viver em paz, garantindo a sua soberania e liberdade, já remontava a vários séculos.

Não se está longe da verdade quando se afirma que o povo judaico sempre foi, desde tempos imemoriais, um povo perseguido. Desde o século XIII até ao século XX que a diáspora deste povo foi resultado de um sentimento antissemita latente em toda a Europa Ocidental e de Leste.

A escolha da região da Palestina pelo  movimento sionista assentou no Antigo Testamente, onde segundo o mesmo, “...a Terra de Israel  é a região que foi prometida por Deus aos descendentes de Abraão através do seu filho Isaac e aos descendentes hebreus do seu neto Jacó. Diz a tradição hebraica que esta é a terra prometida de Israel…

Poderá ter sido uma escolha divina mas a escolha terrena não foi certamente a mais acertada.

Embora já existisse desde à séculos uma população judaica na região da palestina, a esmagadora maioria da população deste território era de origem árabe. O argumento sionista de que a integração dos judeus na sociedade cristã era impossível, levou à solução de integração dos judeus numa sociedade muçulmana.

Com o final da primeira grande guerra mundial, a Liga das Nações atribuiu ao Reino Unido o chamado “Mandato Britânico da Palestina” com a responsabilidade deste estabelecer, "…tais condições políticas, administrativas e econômicas para garantir o estabelecimento do lar nacional judaico, tal como previsto no preâmbulo e no desenvolvimento de instituições autônomas, e também para a salvaguarda dos direitos civis e religiosos de todos os habitantes da Palestina, sem distinção de raça e de religião… "

Dois anos depois do termo da segunda grande guerra, em 1947, a ONU elaborou um plano para a partição da região da Palestina, de onde nasceria um Estado judeu, um Estado árabe e onde a cidade de Jerusalém ficaria sob administração direta da organização.

Em 1947 Israel declara a sua independência, e na sequência, os seus vizinhos árabes em clara discordância com a referida partição, atacaram o recém formado país. Este conflito de um ano, ficou conhecido como a guerra da independência e resultou na fuga de centenas de milhares de árabes palestinos e na invasão da Faixa de Gaza pelo Egito e da Cisjordânia pela Transjordânia dando origem à Jordânia. Por parte de Israel, houve a conquista de cerca de 75% do território que estava destinado ao povo palestiniano, bem como  da parte ocidental de Jerusalém.

Enquanto isso, os britânicos retiraram-se, anulando assim o compromisso que assumiram de manter a ordem e a segurança na região. Foi um lavar de mãos…

A este conflito, outros lhe sucederam, e em cada um deles o Estado de Israel vem anexando sucessivos territórios e criando novos colonatos na Palestina completamente à revelia do direito internacional.

Hoje, numa faixa de terreno de poucas centenas de quilómetros quadrados vivem cerca de 2 milhões de palestinianos em condições totalmente deploráveis.

Independentemente das várias posições políticas, estes são os factos históricos. 

Depois de décadas de guerras e de barbaridades cometidas por ambos os lados, a situação atual não se resume simplesmente ao povo Judeu e ao povo Palestiniano.

Enquanto nos EUA não existir uma política genuinamente interessada e efectivamente empenhada na criação de um Estado Palestiniano, e por outro lado continuar a existir um regime fanático criminoso e patrocionador do terrorismo como é o presente regime Iraniano, nunca haverá paz no Médio Oriente.

Em cada agressão nasce mais uma vingança. Existe uma geração de Israelitas e Palestinianos que foi criada num ambiente e numa realidade de puro ódio. Trata-se de um ciclo vicioso de terror, opressão, agressão e morte. 

Apesar de haver entre estes dois povos um conjunto alargado de pessoas que deseja o fim das hostilidades e que sonha com uma convivência pacífica, existem setores em ambas as sociedades que radicalmente negam a existência mútua. 

A Palestina nem Estado é, a maioria da população vive aprisionada, desgraçada e refém de interesses maiores que vão muito para além da Faixa de Gaza.

Depois de mais esta cruel, hedionda e imperdoável barbaridade cometida pelo Hamas, segue-se a respetiva vingança do governo Israelita. O Ataque à Faixa de Gaza que já começou, vai ser certamente implacável e cruel.

Chegámos ao ponto onde vergonhosamente se estabelece uma macabra competição onde cada um dos lados procura ser vitorioso na contagem dos mortos do lado oposto.

Enquanto os EUA não abdicam de defender os seus interesses geopolíticos na região -  e para tal é fundamental garantir a existência do Estado de Israel - o Irão não desiste do seu projeto de criação do grande califado Xiita no Médio Oriente onde a existência de um estado Judaico não é sequer concebida.

Igualmente em Israel, existem correntes de opinião onde a existência do Estado Judaico só será plena quando as fronteiras do mesmo se estenderem das margens do rio Jordão até ao Mar Mediterrânico.

Enquanto tais radicalismos forem apoiados e suportados, o cidadão comum israelita e o cidadão comum palestiniano continuará a sofrer a ignomínia da guerra. 

Muito se irá escrever e falar sobre este eterno conflito. Creio que chegado ao ponto a que chegámos, uma palavra é suficiente: BASTA.

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