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A Política somos nós

A Política somos nós

04.01.26

Um governo ilegítimo e um estado soberano são conceitos diferentes.

O governo de Maduro era sem dúvida um governo ilegítimo. O Estado Venezuelano é certamente um estado soberano.

A intervenção dos EUA na Venezuela constitui uma ilegalidade e um desrespeito pelo direito internacional.

Maduro é um bandido, um ditador e um assassino. Opressor do povo venezuelano, enriqueceu à custa da miséria do seu povo. Como fidel Castro, Vladimir putin, Saddam Hussein e outros, não faz falta nenhuma a este mundo.

Sem dúvida que faz parte das obrigações dos países livres e democratas, oporem-se à existência de regimes autocratas, onde os direitos humanos são desprezados e as populações oprimidas.

Existem uma série de opções para contrariar a existência destes regimes. Pressão diplomática, sanções, apoio directo às oposições, etc.

Invadir militarmente um país não é certamente a opção correcta. E muitas vezes revela-se a opção ineficaz. A história comprova isso mesmo.

Os cartéis de droga são um flagelo e representam uma série ameaça à todas as sociedades. Devem ser combatidos sem mesiricordia. A Venezuela é sem sombra de dúvida um palco do narcotráfico e com certeza que Maduro e o seu governo são cúmplices dos narcotraficantes.

Devia ter sido preso numa operação policial não numa operação militar.

Se o problema com a Venezuela são os narcotraficantes, porque razão os EUA não invadiram também a Colombia e o México?

Trump ordenou esta operação apenas com dois objectivos: tomar posse dos recursos naturais da Venezuela e enviar uma mensagem ao mundo, em particular à Rússia e à China.

Por acaso a pior mensagem possível.

Mais uma vez Donald Trump provou que é um desastre político. 

Se o mundo não é um lugar seguro com a existência de homens como Xi jinping. Vladimir putin ou Maduro, certamente torna-se ainda mais perigoso quando a maior potência mundial é comandada por um homem como Donald Trump.

 

 

 

 

 

14.12.25

Ouvem-se comentários no sentido de considerar um erro que poderá levar à descredibilização das instituições bancárias europeias e até do próprio euro, a confiscação dos ativos russos na Europa. Concretamente na Bélgica.

O governo belga não está propriamente preocupado com os aspectos morais ou éticos na apreensão do dinheiro russo. A sua preocupação é puramente financeira. Se alguém der garantias que a Bélgica será financiada caso a Rússia saia vencedora de qualquer processo judicial imposto, a questão está resolvida. O resto é pura hipocrisia.

É consenso generalizados e regras são aplicadas em casos relacionados com negócios envolvendo diamantes com origem em zonas de conflito onde os direitos humanos são simplesmente espezinhados.

Produtos de consumo produzidos em condições de autêntica escravatura, muitas vezes envolvendo crianças, são alvo de de investigações e acções de sensibilização que visam o não consumo dos mesmos, são uma realidade.

Os receptores de bens roubados são perseguidos e os respectivos produtos do roubo são muitas vezes recuperados.

O tráfico de seres humanos, constitui hoje, um negócio mais lucrativo do que o narcotráfico.

Senão vejamos:

Desde o dia 24 de Fevereiro de 2022 a Ucrânia foi assaltada e espoliada, os seus habitantes foram torturados violados e assassinados, as suas crianças foram raptadas e enviadas para destinos incertos e o seu território foi roubado.

Não será então correcto confiscar o dinheiro de quem foi e é responsável por todos estes crimes ? Toda a sociedade russa (certamente com algumas excepções), direta ou indiretamente participa deste crime e de uma forma ou de outra tira dividendos.

Quando fazemos um depósito mais elevado de dinheiro, as instituições bancárias não nos questionam a origem desse dinheir? O mesmo pode ter origem no narcotráfico, ou no tráfico de armas, pode até ser dirigido ao financiamento do terrorismo.

O estado russo não deverá ser considerado um estado terrorista por tudo o que tem feito ao povo ucraniano?

O que o exército russo levou até às aldeias e cidades ucranianas não é a mais pura forma de terror ?

Se a UE tiver a capacidade e a força para nunca mais devolver este dinheiro à Rússia, será certamente um aviso sério aqueles que enriquecem à custa do roubo, do assassinato e do rapto de inocentes. 

Não basta apontar o dedo aos outros acusando-os de corruptos, quando nós próprios nos tornamos cúmplices de toda a espécie de crimes. 

Seja qual for o desfecho desta guerra, a Rússia, o povo russo, e a corja do Kremlin têm que pagar, pelo menos financeiramente, pelos crimes de guerra que estão a cometer.

06.12.25

Vladimir putin afirmou que a queda de URSS foi a maior tragédia geopolítica do século XX.

Certamente que Donald Trump ficará na história como o maior desastre geopolítico da segunda década do século XXI.

Presidente de um país onde o número de armas suplanta o número de habitantes e onde os massacres cometidos por indivíduos armados são recorrentes e trágicos.

Trump instiga, fomenta e encoraja a maior clivagem social vivida nos EUA desde a guerra civil americana.

Trump é o presidente que afirma o seu ódio pelos seus adversários internos. Quando um presidente odeia o seu próprio povo, fica claro a sua inépcia para o cargo que ocupa.

Nas suas últimas afirmações considera que a Europa enfrenta um perigo de "extinção civilizacional ".

Como ignorante que é, desconhece a história milenar e a cultura ímpar europeia. O americano comum está para um europeu como um Neandertal está para o homem moderno.

Depois de terem dizimado uma civilização inteira de indígenas, massacraram-se num guerra civil sangrenta, e nos anos seguintes, com razões mais ou menos discutíveis, envolveram-se em guerras pelo mundo inteiro.

Esta América de Trump não é exemplo para ninguém, muito menos para a Europa.

Sendo um país com apenas 250 anos de história comporta-se como um adolescente arrogante e inconsequente. Com Trump, os EUA não amadureceram, regrediram.

Como maior potência económica e militar no mundo, é deveras preocupante os tempos que se vivem do outro lado oceano. 

Perante isto, é incontornável a necessidade que a Europa tem em se afirmar. 

Os Estados Unidos da Europa podem ainda ser uma miragem, mas serão certamente o caminho que os europeus terão que trilhar se realmente querem manter o seu estatuto de potência civilizacional.

 

 

 

 

01.12.25

Combater estes dois males é certamente imperativo.

Se este combate for levado a cabo através de incursões militares em estados soberanos, então estabelece-se um conflito generalizado nos cinco continentes com consequências imprevisiveis e inegavelmente perigosas.

Somente aqueles tolhidos por dogmas ideológicos ou crenças vãs, conseguem vislumbrar justificações e assumir posições aprovativas quando a arrogância, o poder desmesurado e a ambição desmedida, resultam na agressão a povos e a estados soberanos.

Apenas esses acreditam e compactuam com ideia de que Vladimir Putin devastou mais de 20% de território ucraniano na senda anti nazi ou que o encerramento do espaço aéreo venezuelano e a ameaça expressa de uma incursão militar na Venezuela se justifica com o combate ao narcotráfico.

Trump está a provar aos americanos e ao mundo que até os EUA são capazes de produzir uma liderança que se nivela com o historial de terríveis lideranças russas.

Putin já provou que tem o poder de comprar a impunidade e de manipular a nação mais poderosa do planeta.

O mundo assiste ao sofrimento do povo ucraniano e à miséria do povo da Venezuela.

Uns agredidos e expuliados, outros oprimidos e explorados, ambos vítimas de regimes perfidos e criminosos.

É então que surge o poder ocidental no seu pior exemplo. 

Trump, em nome de interesses pessoais e familiares, sanciona a ignominia russa em território soberano da Ucrânia e se for necessário, reconhecerá os territórios roubados como sendo parte da federação russa, quebrando um paradigma de 80 anos - com excepção do Kosovo, onde a carnificina étnica levou a uma posiçao de força por parte da NATO, - mais nenhum país perdeu pela força das armas parte da sua soberania, sendo a potência invasora premiada com o reconhecimento dos territórios usurpados como sendo seus por direito.

O mesmo Trump, iniciou um processo de agressão a um país soberano. Por mais terrível que seja um regime, é inaceitável que o seu povo seja alvo de um poder estrangeiro que pela força das armas, impõe a sua vontade.

Maduro é um ser desprezível, um líder criminoso e opressor do seu povo. Deverá ser afastado do poder pelo povo venezuelano. Deverá a comunidade internacional ajudar nesse processo? Sem dúvida que sim, mas essa ajuda não deve incluir a mais poderosa frota naval do mundo fundeada na sua costa e o encerramento do seu espaço aéreo. Em suma, um acto de guerra.

Se cada vez que discordar-mos com um regime, iniciar-mos uma guerra, então teremos que nos despedir dos nossos filhos e pagar o mais terrível dos preços.

Da Europa não se espera nada mais do que algumas declarações de preocupação. Prevalece o cuidado de não ofender o "amigo" americano, pois a ilusão de protecção por parte do mesmo, sobrevive nas mentes dos líderes europeus que, sintomaticamente, representam o que houve de pior na liderança deste continente nas últimas décadas.

25.11.25

Em tempos, Portugal teve ao seu serviço um homem que ficou conhecido como o "General sem medo". O seu nome era Humberto Delgado.

Enfrentou a ditadura Salazarista e pagou com a vida o preço da sua coragem.

Desde o início da guerra na Ucrânia, diversas patentes militares desfilam nos canais televisivos em comentários mais ou menos acertivos; mas ou menos isentos e independentes. Entre estes senhores figura um que certamente não se inspirou em Humberto Delgado, pelo contrário.

O distinto General Pinto Ramalho, desde o primeiro tiro naquele fatídico dia de 24 de Fevereiro de 2022, que considera, - pelo menos a avaliar pelas suas considerações, - que seria mais sensato não hostilizar a federação russa e, como tal, o melhor que a Ucrânia deve mesmo fazer é satisfazer todas as exigências de putin, ou seja, render-se.

Mais: As novas fronteiras da NATO, na opinião do Sr. General, constituem uma afronta à federação russa.

Naturalmente que desconheço se o Sr. General está a par dos discursos proferidos por Vladimir Putin nestes últimos anos. Um onde este afirma que a Rússia não tem fronteiras; outro onde refere que a guerra entre a Rússia e a Suécia, não foi uma guerra para conquista, mas sim uma guerra para recuperar aquilo que já tinha sido russo; entre outros dislates onde deixa bem claro quem realmente representa a verdadeira ameaça à paz na Europa. Isto para não falar nas várias invasões territoriais que pela sua ordem a federação russa tem vindo a executar.

Não se tratam de simples incursões, são verdadeiras invasões militares, morte, destruição, saque, violações, raptos e, no essencial, a tomada de posse territorial, ou no mínimo, a instalação de governos fantoches.

Das duas uma: Ou o Sr. General está tremendo de medo, ou efectivamente desconheçe o perigo

Se Humberto Delgado ficou imortalizado como o General sem medo, o Sr. General Pinto Ramalho aparenta ser o General com medo.

Se a guerra ultrapassar as fronteiras da NATO, - algo que não é de todo improvável, - espero que nas nossas fileiras se apresentem verdadeiros homens de armas. Caso contrário, só nos resta arrear as calças e nos ajoelharmos perante putin e a sua canalha.

 

21.11.25

A realidade é incontornável: Quando a primeira potência mundial é comandada por um desequilibrado, o mundo estremece.

A paz anunciada no médio oriente é uma miragem. Desde a data da assinatura do "acordo se paz" - onde não estiveram presentes nem israelitas nem palestinianos- que não houve um dia sequer onde não houvessem confrontos entre palestinianos e as forças israelitas. A paz de Trump no médio oriente é uma ilusão.

As outras guerras que supostamente teriam terminado com a intervenção de Trump, ou já estavam sanadas ou apenas foram adiadas.

Para a Ucrânia está a ser preparado um acordo que é uma receita para a eternização do conflito. Desenganem-se aqueles que acreditam que os ucranianos que perderam tudo se vão resignar perante o inimigo russo. Mil acordos podem ser realizados, mas o ódio foi plantado e os russos não vão ter paz enquanto a memória ucraniana durar.

A guerra não se faz apenas de conflitos generalizados. As explosões, as sabotagens e os assassinatos nos territórios roubados vão ser a realidade dos próximos anos.

Esta paz podre que se anuncia não passa do prelúdio do próximo conflito generalizado.

Em 1918 plantou-se a semente que viria a germinar em 1939.

Em 1948 com a formação do estado de Israel deu-se início a um conflito que perdura até aos dias de hoje.

A história está recheada de conflitos mal resolvidos que degeneraram em conflitos muito maiores.

Se a Europa deixar cair a Ucrânia vai pagar um preço incalculável.

Trump é passageiro mas as consequências dos seus dislates vão perdurar.

 

20.11.25

Nem os lideres nem as instituições europeias realizaram totalmente que as administrações americanas, em particular a administração Trump, vêm a Europa como um bloco concorrente, o maior mercado mundial,e por conseguinte procuram reduzir o poder e a influência europeia no cenário geopolítico mundial.

Se a Ucrânia entrar para a UE, mesmo sendo uma nação fragilizada, em breve se tornará uma grande potência no seio da união. Com um território que alberga a Alemanha e a França juntas, rica em recursos naturais, com o vector da guerra também se tornou uma potência tecnológica, tornará a UE muito mais poderosa.

Os EUA não vêem isto com bons olhos - nem tão pouco a própria Alemanha e a França o vêem.

Não é por acaso que a ajuda militar à Ucrânia tem sido providenciada a conta gotas e deveras insuficiente. É verdade que sem a ajuda recebida, a Ucrânia, provavelmente, hoje já não seria uma nação independente.

Por outro lado, presentemente, a Ucrânia e o povo ucraniano estão isolados na sua luta e em muitos aspectos, dependem apenas de si próprios.

Creio que se trata de um jogo cínico de enfraquecimento de todas as partes, com excepção dos EUA e da China, que são os únicos que retiram vantagem deste conflito, numa competição directa para obter maiores proveitos.

No fundo, Ucrânia, Europa e Rússia são peões num jogo onde as duas verdadeiras potências disputam a corrida para o domínio mundial.

É o eterno jogo das zonas de influência. O objectivo não é ganhar as guerras, trata-se apenas de impedir que os outros as ganhem, evitando assim a ascensão de poderes regionais que possam pôr em causa a egemonia dos dois grandes.

O povo mártir ucraniano foi apanhado nesta tenebrosa encruzilhada.

Foi assim que começaram as duas grandes guerras. Ambas começaram na europa e esta já começou.

30.10.25

Não sou muito conhecido pelo meu sorriso, apesar disso, gosto de uma boa gargalhada. Por estes dias negros mais sisudo tenho sido, menos vontade de rir tenho tido.

Considero que o pior dos estados de espírito é a angústia. Não é propriamente tristeza, nem tão pouco indisposição e certamente não será indiferença.

Angústia é um choro interior que nos magoa e que com o tempo nos consome silenciosamente.

Nestes dias negros para a humanidade, repletos de insanidade, barbaridade e acima de tudo de profundo sofrimento, é este o estado de espírito – angústia.

Tudo o que naturalmente nos faria sorrir, tudo aquilo que deveria ser proveitoso, é invariavelmente, por nós próprios, censurado. Censurado por uma consciência que perante tanto sofrimento se questiona se somos merecedores de tal privilégio.

Consciência que é assaltada perante as imagens do terror, as lágrimas dos inocentes e a coragem daqueles que oferecem a vida não apenas pela sua pátria, mas em última instância pela sua dignidade. Dignidade que lhes nega a fraqueza de uma capitulação oferecida ao agressor.

Uma fraqueza que não encontra espaço onde só a coragem se impõe. Coragem dos homens que ficam para lutar pela terra que lhes pertence e a coragem das mulheres que partem dos seus lares com pouco mais do que a roupa do corpo e com aquilo que mais lhes é precioso, os seus filhos.

A imagem de uma mulher em fuga que na sua frente empurrava um carrinho de bebe enquanto que com a mão que lhe sobrava, puxava uma mala, faz-nos questionar se algum dia chegámos nós mesmos, a ser corajosos. Quando o jornalista lhe perguntou se ela precisava de alguma coisa, ela respondeu que a única coisa que precisava era de paz. Ainda não sabia qual seria o seu destino e como não conhecia ninguém fora da Ucrânia, o seu rosto estampava a desorientação e o desamparo. Lá seguiu, numa mão o filho, na outra a mala – espero que ela encontre a paz que pediu.

Depois há os filhos que ficam, os maiores de idade. Muitos acompanham as suas mães até às fronteiras dos países que acolhem aqueles que fogem do conflito. Quando chega a hora da despedida assistimos à inimaginável dor que uma mãe sente quando se separa do seu filho para o entregar à guerra, provavelmente à morte. Não há semente mais vingadora do que arrancar um filho dos braços da sua mãe. Elas poderão não pegar em armas para combater esta guerra, mas serão com certeza portadoras do pior ódio de que qualquer inimigo poderá recear.

Os homens ficam junto das famílias até ao derradeiro instante pois sabem que este poderá ser o último. As crianças choram sem entenderem, só conseguem ver os irmãos mais velhos e os pais partirem e voltam-se para as mães, o seu refúgio. Mulheres corajosas. Muitas engolem as lágrimas para não perturbarem ainda mais os filhos. Aqueles que não tem idade para combater ficam com as mães, mas já entendem o drama. Estas são também sementes de vingança. Poderão ter que esperar ainda alguns anos para germinar, mas quando germinarem, nascerão os soldados que farão as próximas guerras.

As guerras não provocam apenas a destruição e o sofrimento no tempo em que decorrem, semeiam também os conflitos do futuro. A guerra é algo de tão pernicioso que muitas vezes se perpétua pelas gerações futuras. As armas e as munições cumprem a sua função de morte na hora do combate, o sofrimento e o trauma que provocam continuam a matar os que sobreviverem.

07.10.25

Dois anos depois do terror do 7 de Outubro de 2023, todos se interrogam sobre o futuro do Médio oriente.

É igualmente importante sabermos o que foi o passado naquela região.

Que o façamos com a mente aberta, sem facciosismos, sem grilhões ideológicos nem fanatismos – que o façamos com espírito humanista, com espírito crítico construtivo e com imparcialidade.

As barbaridades cometidas naquele dia fatídico são um perverso exemplo daquilo que os homens inexplicavelmente são capazes de fazer ao seu semelhante.

O sofrimento e a dor causadas às vítimas e aos seus familiares, é algo imensurável e inimaginável.

Sem qualquer tipo de dúvida, os crimes cometidos não podem ficar impunes.

Certamente que temos uma enorme dificuldade em entender como foi possível que seres humanos tenham cometido tais atrocidades.

O lugar comum encontrado para explicar o sucedido resume-se ao facto de os autores serem terroristas, desprovidos de humanidade e de clemência – nada mais perto da verdade, - porém, estes atributos não nascem de geração espontânea.

Ninguém nasce bárbaro, desumano e suficientemente malvado para chacinar homens mulheres e crianças.

A história do Médio oriente tem sido ao longo de mais de 100 anos, um palco de tiranias, de subjugação, de perseguições, de chacinas, de enganos e de traições.

Tal como os bárbaros não nascem de geração espontânea, os conflitos também não.

Todos os impérios trouxeram muita riqueza, ao mesmo tempo, provocaram muita desgraça.

Desde o império Otomano aos impérios coloniais britânico e francês, - esta estratégica região do mundo, esteve e continua a estar á mercê de jogos de poder, de ambição desmedida, da ignomínia e da tirania.

Para manterem o seu imenso império, - em especial a colónia indiana, - os ingleses contaram com o apoio das populações árabes numa história de alianças, falsas promessas e de traições.

A promessa de uma nação árabe rendeu muitos homens no campo de batalha no médio oriente durante a primeira e segunda guerra mundial

O fator judaico surgiu durante a segunda guerra mundial, quando a influência e riquezas judaicas foram fatores determinantes na vitória final.

Já não se tratava apenas de uma promessa, mas sim, de duas. A terra da Palestina foi prometida a dois povos: o Judeu e o Palestino.

A tragédia que se seguiu já dura há oitenta anos.

Há pensadores árabes que hoje se interrogam se não teria sido mais sábio se a divisão de território proposta em 1947, tivesse sido aceite pacificamente.

O que é certo é que não foi. E o que é certo também, é que desde a proclamação da formação do Estado de Israel em 1948, travaram-se quatro guerras entre árabes e judeus e, em resultado disso, a terra árabe prometida foi consecutivamente minguando.

Antes do 7 de Outubro de 2023 tivemos um homem chamado Yitzhak Rabin, - o homem que sonhava com um Israel pacificado e pacificador. Foi assassinado. Uns dirão que foi obra dos palestinianos, outros afirmam que foram os israelitas. Foi certamente obra dos inimigos da paz.

Hoje temos Benjamin Netanyah, - o homem que sonha com a grande Israel e com o enterro definitivo da promessa árabe.

Amanhã, teremos certamente os frutos do 7 de Outubro, da devastação de Gaza e da usurpação na Cisjordânia.

Os familiares dos soldados israelitas mortos, os familiares dos reféns, os sobreviventes de Gaza, são os frutos que representam a cultura do ódio, a sede de vingança e a rejeição do perdão e da aceitação.

Frutos de sementes que não foram apenas aquelas lançados na terra de Israel no dia de 7 de Outubro de 2023. São sementes antigas, tais como são os erros cometidos.

Enquanto forem estas as sementes escolhidas, os frutos colhidos, continuarão fatalmente a nascer podres.

 

02.10.25

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Quem ficar em Gaza está condenado á morte.

Uma mulher com o seu filho nos braços sem condições para fugir de Gaza, será considerada terrorista e como tal, será um alvo do exército israelita.

Quem não concordar com esta medida do governo de Israel, - apoiada por uma substancial percentagem da população israelita, é considerado/a, anti-semita.

Os que usam este argumento são certamente aqueles que faltaram às aulas de história e que só conseguem ver a preto e branco, esquerda ou direita e, outro tipo de limitações intelectuais.

Se escolhessem melhor as fontes de informação, se soltassem as coleiras ideológicas e, lessem a história documentada e comprovada, ficavam a saber, entre outras coisas, que os semitas são um conjunto de povos que englobam tanto árabes como judeus.

Saberiam também que no final da primeira grande guerra, - com o colapso do império otomano, as potências coloniais inglesas e francesas frustraram todas as expectativas de autodeterminação dos povos árabes do médio oriente.

Depois do domínio otomano veio o domínio imperial europeu, - sendo as fronteiras definidas a belo prazer dos impérios coloniais. O colonialismo otomano foi substituído pelo europeu e mais tarde o êxodo massivo da população judaica desencadeou enormes perturbações e convulsões sociais.

Saberiam também que durante o período do protectorado inglês, o Reino Unido não esteve á altura para lidar com os conflitos entre facções árabes moderadas e radicais nem com os conflitos emergentes entre árabes e judeus, recentemente chegados à região da palestina, - os britânicos optaram então por abandonar a região, sem antes disso deixar de incendiar centenas de aldeias árabes e assassinar centenas de habitantes.

Existe uma tendência generalizada para justificar os problemas de hoje com aquilo que aconteceu na véspera.

No final da segunda grande guerra, os europeus interrogaram-se com o que fazer com a população judaica.

Hoje o mundo interroga-se com o que fazer com a população palestiniana.

Espero que a solução para o segundo problema não seja tão desastrosa como foi a solução para o primeiro.

80 anos depois e, depois de centenas de milhares de mortos, - o argumento para justificar a desgraça é o simplismo do conceito de anti-semitismo.

Neste processo só existem culpados e, ao que parece, uma mulher mais o seu filho no colo não merecem o estatuto de inocentes.

23.09.25

 

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Num cenário tão belo, caíu uma mancha laranja do pior gosto possível.

Foi mais um discurso nulo de Donald Trump, numa assembleia que desta vez não foi a de Deus, - pois na plateia não constavam os fanáticos de Bíblia na mão, nem os "caps" da MAGA nas cabeças vazias.

O homem considerar-se o maior. Aquele que resolve todos os problemas e, que por isso mesmo, deve ser um exemplo a seguir.

Na verdade, por estes tempos que correm, - para além do rei de Inglaterra, - que por força do protocolo, - por alguns momentos, teve mesmo que o seguir durante a visita de estado ao Reino Unido, - só existe mais um líder mundial que o segue, o terrorista de estado e criminoso de guerra, Benjamim Netanyahu.

Pais fundadores dos EUA como, Thomas Jefferson, Benjamin Franklin ou John Adams, homens corajosos e iluminados, certamente corariam de vergonha perante a triste figura que os seus amados Estados Unidos fazem neste tão conturbado momento da história.

O homem é totalmente incompetente para o cargo que exerce, ridículo, arrogante e compulsivamente mentiroso. Não é seguramente um exemplo a seguir.

A política que defende, assemelha-se a uma patologia que, tragicamente se tem vindo a revelar, contagiosa.

Aquela que foi considerada a primeira democracia dos tempos modernos, está enferma e corre perigosamente para algo muito mais sério e particularmente perigoso.

Por cá, temos alguns, que apesar de não usarem "caps", têm igualmente as cabeças cheias de nada.

A democracia portuguesa é vista como uma das mais sólidas e mais virtuosas do mundo. Cabe-nos a nós, portugueses, garantir que este privilégio não nos escape.

 

 

 

 

10.09.25

Vários drones russos entraram no espaço aéreo da Polónia e imagine-se, a Polónia retaliou e abateu os drones.

Inacreditável esta ousadia da Polónia. Atacar engenhos russos  ? Será que putin vai ficar chateado ? Será que vai atacar a Polónia com armas atómicas ?

Incrível esta atitude placa. É preciso ter muita coragem - defender-se da federação russa.

Ironias à parte - segundo dizem os especialistas militares, a intercepção de qualquer engenho militar lançado por um estado, é considerado um acto de guerra contra o autor do disparo. 

03.09.25

Todos os impérios tiveram o seu auge e a sua queda.

A queda pode acontecer de um dia para o outro, já a decadência é um processo que se arrasta no tempo.

Este tempo nos EUA tem sido marcado por sucessivas fracas administrações que se revelaram incapazes de resolver problemas internos e externos.

Nestas quase quatro décadas, nem democratas nem republicanos conseguiram encontrar os líderes à altura de solucionarem as enormes clivagens e desequilíbrios presentes na sociedade americana, sendo igualmente capazes de no plano internacinal contribuírem à sua dimensão para um mundo menos conflituoso e mais cooperante.

Numa sociedade fortemente dividida, o partido democrata apresenta-se sem rumo e sem lider. Por outro lado, o partido republicano está nas mãos de radicais de direita e de fanatismos religiosos de pensamento retrógrado e castrador. Exemplo disso é o apoio incondicional por parte desta administração ao estado de Israel, especialmente ao seu actual governo extremista. As igrejas evangélicas alcançaram um poder nunca antes visto na sociedade americana e representam uma real ameaça ao regime democrático americano.

Donald Trump recebe e ao mesmo tempo confere poder a estes movimentos. Alimentam-se um do outro. Em tudo semelhante ao fenómeno do bolsonarismo.

A história prova que perante grandes problemas, é indispensável a existência de grandes líderes.

Os EUA são a primeira economia mundial e a segunda maior potência nuclear. Convém que o líder de uma nação deste calibre seja muito mais do que um empresário do ramo imobiliário e jogador de golfe nas horas vagas.

Donald Trump fez de aliados, adversários e de adversários, procura fazer inimigos.

India e Brasil são exemplo disso. 

Já quanto à sua estratégia para fazer descolar putin de Xi Gi Ping, está à vista o resultado.

No Alasca, Trump estendeu uma passadeira vermelha tão formidável que a mesma desenrolou tanto, que só parou às portas da Praça Tiananmen em Pequim onde Vladimir Putin foi recebido pelo amigo presidente Xi Gi Ping.

O país que neste momento está realmente isolado no mundo são os EUA. Enquanto isso, quase metade do seu eleitorado acha que está óptimo.

Esta administração americana certamente ficará na história como uma das mais incompetentes e desastrosas deste país. Tem sido uma autêntica desgraça geopolítica.

A Europa resigana-se à sua dimensão política enquanto acalenta a ténue esperança que este presidente americano, ou o próximo, (que poderá muito bem ser J.D. Vance) volte a assumir uma posiçao de aliado.

Já a Ucrânia, infelizmente está entregue ao seu destino que é ser o primeiro palco de conflito militar nesta nova guerra fria em que vivemos.

 

 

 

19.08.25

Nunca o destino dos EUA esteve em piores mãos como está neste momento. Contudo, as forças armadas norte americanas são de LONGE as mais poderosas do mundo.

Não restam dúvidas a ninguém (os últimos anos provam isso mesmo) de que a força que verdadeiramente conta é a força das armas.

Quando dois oponentes procuram a diplomacia para resolver as suas quesilias, isso significa, na maioria dos casos, que ambos detém um poder militar equiparado. Quando não existe dissuasão basta haver vontade política para que a guerra comece.

Foi exactamente isso que aconteceu à Ucrânia quando abdicou das suas armas nucleares. Muito mais eficiente do que qualquer memorando com o nome de qualquer cidade, cujo conteúdo são garantias de segurança a um estado, é esse mesmo estado ter nos seus paióis umas quantas ogivas nucleares. 

Depois de 80 anos de protecção americana face à ameaça soviética, a Europa nunca esteve tão vulnerável.

Até que as grandes potências económicas europeias se tornem igualmente potências militares, estas estão não apenas vulneráveis como estão dependentes dos EUA para garantirem a sua segurança.

Como este processo é demorado e dispendioso, quer gostemos ou não, estamos nós europeus nas mãos de Donald Trump - metaforicamente falando, "O Senhor dos Canhões".

É por isto que os líderes europeus - mesmo as duas potências nucleares - tanto se têm esforçado em oferecer os melhores negócios aos EUA, bem como proporcionar a Trump o seu prato preferido: Total bajulação, de preferência, com enorme cobertura mediática.

Se falharmos nestas duas tarefas, resta-nos começar a aprender a falar russo. Nos tempos que correm essa parece ser uma excelente garantia de segurança face ao estado terrorista da federação russa.

A propósito de falar russo ; O comentador televisivo Tiago André Lopes insiste na retórica no que diz respeito à população russófona presente no Donbass ucraniano. 

Ao que refere, nesta região da Ucrânia existe uma maioria populacional que tem como primeira língua o ruuso e que encontra razões de queixa das políticas do governo ucraniano. 

O que este senhor comentador não sabe equacionar é que face aos restantes ucranianos, estes falantes de russo são uma ínfima minoria dentro da Ucrânia. Não são russos dentro do território ucraniano, são ucranianos dentro do seu país.

Em democracia as minorias têm que respeitar as leis consagradas pela maioria. É este o princípio básico da democracia. O referido comentador sofre de um de dois problemas : Ou está desfasado dos princípios democráticos, ou tem dificuldades no cálculo matemático.

Compreendo que esta gente não saiba o que é a democracia. A proximidade ao território russo, assim como a enorme influência da doutrina russa explica tudo. Nunca conheceram mais nada para além do que a união soviética lhes incutiu, e com total agrado de ambos.

Fica a questão : Com a mesma língua, com a mesma afinidade pelo vizinho e com tão pouca distância a percorrer, porque não optam por emigrar para a federação russa ?

Não seria mais facil deslocar uma população para o país que tanto admiram e conceder-lhe cidadania do que iniciar uma guerra que já vitamizou centenas de milhares ?

São apenas questões retóricas que na prática não correspondem aos verdadeiros interesses da federação russa.

O assunto aqui não são as populações russófonas. O verdadeiro objectivo russo é a recuperação da jóia do império soviético - a Ucrânia.

Bem mais significativo do que a opção de Zelensky não trajar a rigor nos salões da Casa Branca, é a escolha da T-shirt de Lavrov - CCCP.

Para bom entendedor, estas 4 letras bastam. São a sigla da império mais criminoso da história da humanidade.

Não sei se o senhor Tiago Lopes também não terá dificuldades com esta aritmética ...

 

16.08.25

Surpreendente a quantidade de gente que consegue vislumbrar algo de positivo em Trump ou em Putin.

A expectativa que os media criaram em torno do encontro destes dois trastes foi simplesmente mirabolante.

Qualquer acordo entre Trump e Putin nunca terá como prioridade os reais interesses do país que foi invadido e roubado, a Ucrânia.

Putin ri às gargalhadas nos corredores do kremlin com tanta predisposição dos líderes das democracias ocidentais para fazerem papel de idiotas.

Para a célebre arrogância russa, todo este processo tem sido um prato cheio.

Em cada dia que passa putin ganha mais estatuto, mais tempo e mais território ucraniano.

Espero que Zelensky aguente a pressão e que o povo ucraniano continue a ter a coragem para lutar.

Nenhum governo europeu tem os tomates para desafiar putin, ponto.

Trump credita que coçando as costas a Putin consegue afastá-lo da China. É uma combinação de quem se acha mais esperto do que todos os outros e de estupidez absoluta.

Esta guerra pode ser negociada, interrompida ou congelada, mas na realidade só vai terminar com o colapso da organização criminosa que controla a federação russa.

Força Ucrânia.

 

 

02.08.25

img_932x621uu2025-08-01-21-45-29-2226589-im-638896Uma imagem vale mil palavras. Os relatos e as imagens que diariamente nos chegam da Faixa de Gaza não deixam qualquer tipo de dúvida e chocam até as consciências mais insensíveis.

Imagens são imagens - independentemente de onde foram obtidas ou de quem as realizou. Sem qualquer tipo de dúvida são reais, não editadas ou manipuladas.

Gaza foi terraplanada. A devastação é total. Sem infraestrutura nem economia local. As movimentações populacionais são regidas pela busca de alimentos e por uma esperança ténue de obter alguma segurança. Se juntarmos a tudo isto as lutas de gangs armados pelo domínio de parcelas de terreno e pelo mercado negro dos bens de primeira necessidade, realizamos que em todos os aspectos, Gaza é a definição do caos absoluto.

Quem nega tudo isto é o sr. Embaixador de Israel em Portugal. Afirma que em Gaza não existe fome. Afirma que os corpos esqueléticos - aos quais só faltam os pijamas as riscas e a cruz de David ao peito - são apenas o fruto de doenças perlongadas e que em nada têm a ver com a intervenção militar israelita.

Se lhe pendurarem ao pescoço uma identificação de qualquer agência imobiliária, ele fará da Faixa de Gaza uma óptima oportunidade de negócio para se adquirir um imóvel - com a ressalva de que o mesmo ainda está em planta...

Quando as imagens de crianças esqueléticas ocupam metade do televisor e a outra metade é preenchida pela presença deste suposto diplomata, afirmando categoricamente que não existe fome, dá-me vontade de vomitar.

Mentir descaradamente sem qualquer pejo não é para qualquer um. Está apenas reservado aos profissionais da mentira , da hipocrisia e da ignomínia.

E não me venham com a conversa de merda das ideologias e dos partidos ou da Realpolitik. O que se passa em Gaza é uma vergonha para o mundo inteiro.

Estamos todos a assistir a uma limpeza étnica ao vivo e a cores.

Israel não tem competência nem política nem militar para extinguir o hamas, para libertar os reféns nem tão pouco para restabelecer as mínimas condições de vida aos habitantes de Gaza. Limita-se a eternizar o conflito, enquanto vai dizimando uma população inteira.

Nem Franz Kafka teria capacidade de nos providenciar este cenário. De um lado a realidade dos famintos moribundos, do outro, o retrato da falsidade numa pessoa que tenta passar uma imagem e um discurso de gente de bem.

Somos todos livres de acreditarmos naquilo que queremos ou naquilo que nos convém.

Eu acredito principalmente naquilo que vejo. Se uma criança morrer de fome, é uma fatalidade. Se forem às dezenas, é uma tragédia.

Uma tragédia para eles, uma vergonha para nós.

Para este sr. Embaixador, certamente não o será.

 

18.07.25

Foi engano. Como quem liga para um número errado e pede desculpa pelo lapso.

Na matemática militar do governo extremista israelita - não confundir com o Estado de Israel - o cálculo é simples :

Por cada terrorista do Hamas morto, morrem 100 crianças. É este o preço.

Para que estes inocentes não tivessem que morrer, as tropas israelitas na sua caça aos elementos do Hamas teriam que percorrer Gaza casa a casa e não bombardear massiva e indescreminadamente.

Não é necessário ser especialista militar para perceber que este combate urbano representaria um número de baixas no exército israelita completamente inaceitável para a sociedade civil de Israel.

O governo fundamentalista de Israel faz simplesmente aquilo que quer. Sem regras, sem respeito e sem limites. 

De vez em quando pedem desculpa por algum "engano". Ataques a instalações da ONU, ataques a locais de culto, ataques a centros de distribuição de ajuda humanitária ou simplesmente a campos de refugiados. 

" ... desculpem lá ! Foi engano ... tínhamos que atacar aquela zona porque estavam lá 2 ou 3 terroristas. Os 50 civies mortos foi uma fatalidade... é  a guerra... "

Com o total apoio do amigo americano, o governo israelita continua a disparar para todos lados e a chacinar tanto quanto no se entender for necessário para alcançaros os seus objectivos - sejam eles legítimos ou não.

E ai de alguém que critique este comportamento israelita. É imediatamente conotado como anti semita. Agora é uma moda que dá muito jeito aos populistas e extremistas - se alguma voz se levantar contra eles, então coloca-se um rótulo com conotação negativa.

Se ser opositor à matemática de extermínio do governo de Israel, representa ser rotulado como anti semita; então eu mesmo coloco o rótulo.

 

10.07.25

Mais do que a vontade de escrever, sobra a necessidade de desabafar.

O assunto é o de sempre e a tragédia é maior.

Aquele assunto que instintivamente procuramos passar á frente com um toque no comando da televisão. Já cansa. Incomoda.

Aquele assunto que agride a nossa consciência quando a violência das imagens eclipsa qualquer réstia de tendencionalismo ou retórica política.

No canal seguinte já se fala de outra coisa mas o que é certo é que árabes e judeus, inocentes, continuam a morrer em Gaza, na Cisjordânia e em Israel.

Não consigo deixar de me indignar com a constante barbaridade existentente nos dois enclaves árabes dentro do Estado de Israel e no próprio Estado de Israel.

Mais de uma centena de organizações internacionais presentes em Gaza garantem que a situação é completamente caótica. Na minha opinião, algo semelhante aos cenários do Mad Max.

As pessoas são baleadas quando procuram chegar as centros de distribuição de alimentos.

Custa me acreditar que todas estas organizações estejam a mentir.

Infelizmente a ONU está à espera que Trump resolva o problema. E fatalmente estamos mesmo nas mãos dele para encontrar uma solução duradoura para a tragédia em que se transformou o médio oriente.

Passados 80 anos desde o final da segunda grande guerra, perfazem 78 de guerra entre Israel e os povos árabes da região. Não houve um dia de paz absoluta.

Se Trump conseguir que os reféns sejam devolvidos e que haja um cessar fogo imediato, talvez se possa abrir caminho para comprometer a maioria dos países da península Arábia a participarem na construção de um estado palestiniano; garantir que o povo de Israel possa viver em paz e muito importante: o fim definitivo da construção de novos colonatos na Cisjordânia.

Neste processo será indispensável que a diplomacia europeia nem esteja presente. O legado de ganância, incompetência e desonistidade deixado pelos impérios coloniais europeus já foi o quanto basta.

Não sei quando a paz duradoura e próspera chegará para aqueles povos. Sei que não consigo normalizar aquilo que é inaceitável.

O assunto de tão repetitivo que é, incomoda. A realidade absoluta daquele dia a dia, incomoda muito mais.

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