Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

A Política somos nós

A Política somos nós

10.03.22

Há muitos anos fui confrontado com um livro de nome: “Os 10 dias que
abalaram o mundo”. A história que contava passava-se na Rússia Imperial
do czar Nicholas II e viviam-se os primeiros anos do século XX. No ano de
1917 uma revolução derrubou a monarquia czarista e implantou na Rússia
um regime de inspiração marxista. Os revolucionários chamavam-se
bolcheviques e a revolução ficou conhecida como a revolução de Outubro.
Tinha acabado de cair um império e um outro tinha nascido. Com o
assassinato pelas tropas bolcheviques da família imperial russa, depois de
oito gerações, a dinastia dos Romanov desaparecia e com ela o império dos
czares. Nascia o império soviético e com ele uma nova nação, a URSS.
Em 1991 com a queda do muro de Berlim era a vez de mais um império
cair, desta vez o soviético. Outra nação surgia, a Federação Russa. E nos
seus meandros crescia também Vladimir Putin. Como por estes dias se
prova, a ideia de fazer renascer o império Russo já há muito tempo que
crescia na cabeça daquele que agora a executa.
Depois dos acontecimentos se darem é muito fácil para nós afirmarmos que
já suspeitávamos dos mesmos. Mesmo assim arrisco-me a incluir-me nesse
grupo. Para a generalidade das pessoas Vladimir Putin era apenas mais um
dirigente russo que assumia o poder em eleições pouco credíveis, mas
reconhecidas pelo mundo inteiro. Por outro lado, muita gente via Putin
como um indivíduo que durante dois terços da sua vida tinha sido agente
secreto de um dos países mais repressivos do globo. Não era de maneira
nenhuma o melhor cartão de visita para alguém que acabava de tomar posse
como presidente do pais detentor do maior arsenal nuclear do planeta. E
como carta de apresentação ostentava o massacre na segunda guerra da
Chechénia, conduzida sobre o governo que presidia como primeiro ministro.
Seguiu-se a invasão da Geórgia e a ofensiva na Síria onde as forças russas
simplesmente obliteraram do mapa a cidade de Alepo. Milhares de mortes,
e de refugiados enquanto os governos das nações ocidentais fingiam que
nada disto tinha assim tanta importância. Tratavam-se de conflitos regionais
e o assunto era lá com os russos. Na Europa e nos Estados Unidos o dinheiro
dos oligarcas russos corria fácil nos mercados e cada vez mais a Rússia de
Putin era vista agora como um país voltado para os mercados e com fortes
intenções de se integrar num novo mundo global onde mais do que nunca o
que fazia a diferença eram as relações comerciais e o crescimento das
economias. A guerra fria tinha acabado, e todos os russos e especialmente o
Sr. Putin estavam convidados para o grande salão das nações para que em
paz construíssem um mundo novo.
O dia de 24 de Fevereiro de 2022 veio acordar aqueles que estavam
adormecidos e veio dar razão aqueles que sempre desconfiaram daquele
rosto sem expressão e dono de um passado sombrio. Para estes não foi uma
total surpresa pois foram acompanhando o plano daquele que agora reclama
para si a figura de czar do século XXI com a missão de reerguer a mãe
Rússia onde todos os falantes da língua russa terão o seu espaço.
As comparações em história são sempre arriscadas, mas não posso deixar
de recordar o “espaço vital” que Adolf Hitler reclamava para os povos
germânicos. Foi o que se viu…
O terceiro reich não durou mil anos, durou apenas seis. Esta guerra da
Ucrânia não vai durar só dez dias, mas também não vai durar apenas um
mês ou dois. A possibilidade deste conflito escalar para outros países é real
e só a ameaça nuclear vai contendo a intervenção de outras nações. Tal
circunstância faz-nos acreditar, que a única solução para terminar este
conflito é a deterioração contínua do estado russo fruto das inúmeras
sanções impostas pela comunidade internacional, e que levará à queda Putin.
Pela vontade do ditador e por força das circunstâncias, esta guerra só
terminará com capitulação total do povo ucraniano. E pela coragem deste
mesmo povo isso é algo que nunca acontecerá. Se acontecer em Kiev o
mesmo que aconteceu em Alepo será uma catástrofe, e passem os anos que
passarem sejam eles de guerra ou de paz, Putin ficará para a história como
o carniceiro do século XXI, enquanto o povo ucraniano eternizará com o
seu sacrifício a exclamação de resistência – Glória à Ucrânia

Mais sobre mim

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Em destaque no SAPO Blogs
pub