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A Política somos nós

A Política somos nós

20.04.22

O dicionário de português apresenta como significado para o termo, contraditório, o seguinte: “- Que se contradiz ou contradita. Quem contém, envolve ou constitui uma contradição; que tem sentido contrário; incoerente. Em que há discrepância; discordante -”.

Na opinião pública em Portugal existe uma minoria de organizações políticas e de cidadãos que se queixam de que os meios de comunicação social apresentam uma versão sobre a guerra na Ucrânia onde não existe espaço ao contraditório.

Percorrendo todos os canais de TV, privados ou estatais; lendo centenas de artigos de jornais; navegando pelos milhares de sites e de blogues, todos os portugueses que procuram informar-se sobre a situação do conflito, têm acesso às mais variadas opiniões, pontos de vista e análises sobre o mesmo.

Senão reparemos:

No parlamento, símbolo da democracia, órgão representativo do povo e da sua opinião, expressa em liberdade e sem qualquer tipo de condicionamento. Aí, o PCP expressa uma opinião e toma uma atitude contraditória em relação ao governo e à maioria dos deputados. O BE, numa posição mais ambígua, não se vê privado de igualmente ser de alguma forma contraditório. Ou seja, em Portugal, ao mais alto nível, o contraditório tem espaço. É limitado, mas isso é exclusivamente resultado do processo democrático.

Nos mais variados canais de TV, dezenas de entrevistados, desde Majores-Generais, professores catedráticos e jornalistas, expressam as suas opiniões que inúmeras vezes são contraditórias. Só no âmbito das entrevistas a patentes militares, já se ouviu de tudo.

Desde um Major-General afirmar que para se saber qual o arsenal utilizado pela Federação Russa, bastava consultar a Internet, até à "manobra de reagrupamento” das tropas russas aquando da retirada dos arredores de Kiev. Um destes ilustres militares esteve mesmo à beira de fazer continência aos soldados russos, aos quais ele atribuía as mais altas competências, algo que ele mesmo constatou quando os teve sob o seu comando em operações da NATO.

Ouvi declarações de um professor onde apelava à compreensão dos ocidentais face à atuação da Federação Russa, pois no passado ocorreram conflitos territoriais e delimitações de Fronteiras que, afirmou o mesmo: “não ficaram bem resolvidas...”. Perante este contraditório, temo pela possível futura posição francesa em relação ao desfecho das guerras napoleónicas na Península Ibérica...

Diariamente somos "presenteados” com esta imagem:

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É apenas a minha opinião, mas este é com certeza a personagem mais irritante atualmente presente nos ecrans televisivos. Mas uma coisa é certa: mais contraditório é impossível.

Na Internet e nos blogues, a informação falsa ou verdadeira, circula livremente sem que o menor sinal de censura seja detetado. Afinal de contas, não estamos na Rússia, onde o contraditório resulta no mínimo em prisão.

O ditado diz: “Contra fatos não há argumentos”. Os fatos ocorridos na Ucrânia são incontornáveis, indesmentíveis e indubitavelmente, criminosos. Não há lugar nem espaço ao contraditório. Ou nos posicionamos pela humanidade e pela moral, ou nos colocamos em contradição com isso mesmo.

Já morreram mais de 200 crianças nesta guerra, e mesmo que só tivesse morrido uma, é algo que não se pode contradizer. Talvez assumido uma posição mais contraditória se deveria ter noticiado: “Até agora houve mais de 200 crianças que se colocaram no caminho das bombas, e lamentavelmente morreram”.

A invasão é mesmo uma invasão. O contraditório é chamar-lhe “operação especial militar”, e mesmo essa afirmação e outras, são vinculadas todos os dias pelos responsáveis russos, que têm direito ao contraditório em todos os Media portugueses.

As imagens da destruição de milhares de alvos civis não são montagens, são reais. O contraditório corresponde às imagens das escolas, dos jardins de infância, dos hospitais e das casas dos cidadãos ucranianos, antes da guerra. Contrariamente às circunstâncias atuais, todas estas infraestruturas civis estavam intactas e em pleno funcionamento. Numas cuidava-se e educavam-se as crianças, noutras tratava-se dos doentes ou simplesmente vivia-se o quotidiano em paz. O contraditório de vida é morte, e esta é bem real entre os milhares de civis ucranianos.

Os defensores do chamado contraditório e opositores daquilo que chamam de pensamento único, ou não estão completamente informados sobre o verdadeiro significado da palavra, ou então têm uma enorme dificuldade em disfarçar a sua simpatia com a política do Kremlin. A isso junta-se uma convicta amargura pelo fato de viverem em países ocidentais e terem que conviver com tudo aquilo que desprezam sobre a cultura dos mesmos.

O direito ao contraditório que reclamam é o instrumento que pretendem ter, e efetivamente têm para nos fazer crer que algo de contrário existe nesta barbaridade a que assistimos.

Talvez algumas frases proferidas por dirigentes russos sirvam de exemplo para aquilo que é considerado contrário: "A Rússia não quer a guerra nem vai fazer a guerra”; “O exército russo vai retirar das fronteiras da Ucrânia e não vai haver qualquer tipo de invasão”; “Não estão a ser atingidos alvos civis”; "Não foram cometidos crimes de guerra na cidade de Bucha, foi tudo uma encenação"; “O lançamento do míssil que atingiu a estação de comboios foi da autoria dos próprios ucranianos".

Pelo menos durante estes dias sombrios, e para que não nos deixemos enganar, no dicionário de português, ao significado da palavra contraditório, deveria ser acrescentada a palavra “MENTIRA”.

Estes defensores ouviram com certeza a última declaração do Sr. Lavrov.

Disse ele: “A Federação Russa nesta fase da guerra, não vai usar armas nucleares”.

Esperamos todos, que pelo menos neste caso, não haja mesmo espaço ao contraditório.

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