01.12.25
Combater estes dois males é certamente imperativo.
Se este combate for levado a cabo através de incursões militares em estados soberanos, então estabelece-se um conflito generalizado nos cinco continentes com consequências imprevisiveis e inegavelmente perigosas.
Somente aqueles tolhidos por dogmas ideológicos ou crenças vãs, conseguem vislumbrar justificações e assumir posições aprovativas quando a arrogância, o poder desmesurado e a ambição desmedida, resultam na agressão a povos e a estados soberanos.
Apenas esses acreditam e compactuam com ideia de que Vladimir Putin devastou mais de 20% de território ucraniano na senda anti nazi ou que o encerramento do espaço aéreo venezuelano e a ameaça expressa de uma incursão militar na Venezuela se justifica com o combate ao narcotráfico.
Trump está a provar aos americanos e ao mundo que até os EUA são capazes de produzir uma liderança que se nivela com o historial de terríveis lideranças russas.
Putin já provou que tem o poder de comprar a impunidade e de manipular a nação mais poderosa do planeta.
O mundo assiste ao sofrimento do povo ucraniano e à miséria do povo da Venezuela.
Uns agredidos e expuliados, outros oprimidos e explorados, ambos vítimas de regimes perfidos e criminosos.
É então que surge o poder ocidental no seu pior exemplo.
Trump, em nome de interesses pessoais e familiares, sanciona a ignominia russa em território soberano da Ucrânia e se for necessário, reconhecerá os territórios roubados como sendo parte da federação russa, quebrando um paradigma de 80 anos - com excepção do Kosovo, onde a carnificina étnica levou a uma posiçao de força por parte da NATO, - mais nenhum país perdeu pela força das armas parte da sua soberania, sendo a potência invasora premiada com o reconhecimento dos territórios usurpados como sendo seus por direito.
O mesmo Trump, iniciou um processo de agressão a um país soberano. Por mais terrível que seja um regime, é inaceitável que o seu povo seja alvo de um poder estrangeiro que pela força das armas, impõe a sua vontade.
Maduro é um ser desprezível, um líder criminoso e opressor do seu povo. Deverá ser afastado do poder pelo povo venezuelano. Deverá a comunidade internacional ajudar nesse processo? Sem dúvida que sim, mas essa ajuda não deve incluir a mais poderosa frota naval do mundo fundeada na sua costa e o encerramento do seu espaço aéreo. Em suma, um acto de guerra.
Se cada vez que discordar-mos com um regime, iniciar-mos uma guerra, então teremos que nos despedir dos nossos filhos e pagar o mais terrível dos preços.
Da Europa não se espera nada mais do que algumas declarações de preocupação. Prevalece o cuidado de não ofender o "amigo" americano, pois a ilusão de protecção por parte do mesmo, sobrevive nas mentes dos líderes europeus que, sintomaticamente, representam o que houve de pior na liderança deste continente nas últimas décadas.