18.10.25
Quando se misturam questões jurídicas com questões religiosas, cria-se uma discussão complexa e sensível, onde o sim ou o não se revela deveras simplista e manifestamente insuficiente.
Por princípio, e como ocidental, vejo o uso de objectos que cobrem o rosto das mulheres, uma aberração.
Inversamente, os muçulmanos, na sua maioria, consideram uma imoralidade e uma heresia o facto das mulheres se apresentarem em público com o rosto descoberto.
Acredito que no caso de serem mulheres não residentes, na qualidade de turistas, devia ser respeitado a liberdade religiosa e de costumes de alguém que não é cidadã nacional, nem tão pouco residente.
Nos restantes casos, penso que os costumes nacionais têm que ser obrigatoriamente respeitados. Os portugueses, principalmente as mulheres, não devem ser sujeitas a um costume alheio que, legitimamente, para nós ocidentais, é chocante.
Na realidade, em Portugal,os casos de mulheres que cobrem o rosto é uma ínfima excepção, e fazer disto um caso político é a estratégia de gente que faz do populismo, do mediatismo e da demagogia as armas para iludir os incautos.
O que preocupa os jovens portugueses são os 300.000 euros que custa um apartamento onde poderão viver e constituir família.
O que preocupa os portugueses em geral são as listas de espera para realizar um cirurgia ou as 12 horas de espera numa urgência hospitalar.
O que preocupam os jovens licenciados são os vergonhosos salários que se pagam áqueles que passaram anos numa faculdade e se vêm obrigados a emigrar, ou então a permanecer eternamente em casa dos seus pais.
Os problemas nacionais de relevância são muitos, - já a questão das burcas não passa de uma novela rasca protagonizada por aqueles que já nos habituaram à nulidade.
É um tema, certamente, Mas está longe de ser uma prioridade relevante e mais longe ainda das verdadeiras preocupações dos portugueses, - pelo menos daqueles que têm alguma coisa de útil para fazer.