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A Política somos nós

A Política somos nós

07.01.26

Dois anos de política governamental na área da saúde, resultaram numa significativa degradação do serviço público prestado.

Partidarismos à parte, convenhamos que os problemas relacionados com a saúde no tempo de governação do PS, longe de estarem resolvidos, estavam na verdade muito menos agravados comparativamente com a realidade actual.

Não considero que se trata de incompetência. Na verdade trata--se de opções políticas.

O governo opta por descartar o processo de reforma na gestão do serviço público, - gestão essa,  incorrecta, ineficaz e em certos casos, mesmo corrupta, - e opta sim pelo desinvestimento no serviço público em favorecimento do serviço privado.

Rejeito completamente as acusações de discurso ideológico. A ideologia, seja de direita ou de esquerda, revelou-se algo pernicioso e castrante nas nossas sociedades.

Considero tão utópica uma sociedade baseada num sistema marxista, onde o estado tem quem ser o único meio para garantir o bem estar da população;  como igualmente considero utópica uma sociedade onde o ultra liberalismo faz crer que todo o cidadão é em teoria, abastado.

A sociedade portuguesa é a mais envelhecida da Europa. Os nossos pensionistas são certamente os mais pobres da Europa ocidental.

Estas são dois factores que tornam indispensável a existência de um serviço nacional de saúde fortemente implantado e impecavelmente gerido.

A realidade nacional é tão evidente, que deita por terra qualquer tentativa de trazer para a discussão qualquer argumento ideológico.

São muitos os casos de idosos em Portugal que têm sérias dificuldades em comer de uma forma equilibrada e recomendada. Muitos só podem comprar metade dos medicamentos. Porém há quem queira fazer passar a ideia que os planos de saúde são a solução.

Na maior economia do mundo, milhões de cidadãos não têm posses para ter um seguro de saúde. Quando adoecem, muitas vezes é fatal. Não quero isso para Portugal.

Certamente que todos desejamos viver numa sociedade em que todos possamos ter os empregos e os rendimentos que nos permitam ter uma segurança de excelência nos cuidados médicos. Será indiscutivelmente um sinal de desenvolvimento e de progresso.

Ao contrário daquilo que alguns tentam impingir, esse é um caminho que não se faz de um dia para o outro. Por vezes são necessárias gerações para o percorrer.

No entretanto, o respeito pelos direitos mais básicos e pela dignidade do nosso semelhante, exigem que não se passem 12 horas num serviço de urgência para ser atendido. Que os bebés não nasçam nas ambulâncias. Que a ambulância não seja trocada pelo carro funerário pois quando o socorro chegou o suposto socorrido já morreu. Que a espera por uma cirurgia não se revele uma eternidade por vezes trágica. Que os centros de saúde estejam abertos ao fim de semana. Que o serviço nacional de saúde seja gerido de uma forma exemplar. Que os nossos impostos não sejam roubados em infindáveis esquemas de corrupção, de compadrio e de favorecimentos de uma minoria em desfavorecimento da maioria.

A saúde privada é perfeitamente aceitável. Não se pode negar a ninguém a escolha pelos cuidados médicos privados.

O que terminantemente não pode ser negado é o acesso a cuidados médicos de qualidade para TODOS.

Quando o plafon de um seguro médico é esgotado, e o doente necessita de cuidados continuados, é ao serviço público que tem que recorrer.

É por esta razão que todos têm de contribuir para o funcionamento do serviço público de saúde.

Ao estado compete a gestão exigida. 

Sobre isto, não restam dúvidas:

O que estava mal, está muito pior.

 

 

 

 

 

 

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