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A Política somos nós

A Política somos nós

30.10.25

Não sou muito conhecido pelo meu sorriso, apesar disso, gosto de uma boa gargalhada. Por estes dias negros mais sisudo tenho sido, menos vontade de rir tenho tido.

Considero que o pior dos estados de espírito é a angústia. Não é propriamente tristeza, nem tão pouco indisposição e certamente não será indiferença.

Angústia é um choro interior que nos magoa e que com o tempo nos consome silenciosamente.

Nestes dias negros para a humanidade, repletos de insanidade, barbaridade e acima de tudo de profundo sofrimento, é este o estado de espírito – angústia.

Tudo o que naturalmente nos faria sorrir, tudo aquilo que deveria ser proveitoso, é invariavelmente, por nós próprios, censurado. Censurado por uma consciência que perante tanto sofrimento se questiona se somos merecedores de tal privilégio.

Consciência que é assaltada perante as imagens do terror, as lágrimas dos inocentes e a coragem daqueles que oferecem a vida não apenas pela sua pátria, mas em última instância pela sua dignidade. Dignidade que lhes nega a fraqueza de uma capitulação oferecida ao agressor.

Uma fraqueza que não encontra espaço onde só a coragem se impõe. Coragem dos homens que ficam para lutar pela terra que lhes pertence e a coragem das mulheres que partem dos seus lares com pouco mais do que a roupa do corpo e com aquilo que mais lhes é precioso, os seus filhos.

A imagem de uma mulher em fuga que na sua frente empurrava um carrinho de bebe enquanto que com a mão que lhe sobrava, puxava uma mala, faz-nos questionar se algum dia chegámos nós mesmos, a ser corajosos. Quando o jornalista lhe perguntou se ela precisava de alguma coisa, ela respondeu que a única coisa que precisava era de paz. Ainda não sabia qual seria o seu destino e como não conhecia ninguém fora da Ucrânia, o seu rosto estampava a desorientação e o desamparo. Lá seguiu, numa mão o filho, na outra a mala – espero que ela encontre a paz que pediu.

Depois há os filhos que ficam, os maiores de idade. Muitos acompanham as suas mães até às fronteiras dos países que acolhem aqueles que fogem do conflito. Quando chega a hora da despedida assistimos à inimaginável dor que uma mãe sente quando se separa do seu filho para o entregar à guerra, provavelmente à morte. Não há semente mais vingadora do que arrancar um filho dos braços da sua mãe. Elas poderão não pegar em armas para combater esta guerra, mas serão com certeza portadoras do pior ódio de que qualquer inimigo poderá recear.

Os homens ficam junto das famílias até ao derradeiro instante pois sabem que este poderá ser o último. As crianças choram sem entenderem, só conseguem ver os irmãos mais velhos e os pais partirem e voltam-se para as mães, o seu refúgio. Mulheres corajosas. Muitas engolem as lágrimas para não perturbarem ainda mais os filhos. Aqueles que não tem idade para combater ficam com as mães, mas já entendem o drama. Estas são também sementes de vingança. Poderão ter que esperar ainda alguns anos para germinar, mas quando germinarem, nascerão os soldados que farão as próximas guerras.

As guerras não provocam apenas a destruição e o sofrimento no tempo em que decorrem, semeiam também os conflitos do futuro. A guerra é algo de tão pernicioso que muitas vezes se perpétua pelas gerações futuras. As armas e as munições cumprem a sua função de morte na hora do combate, o sofrimento e o trauma que provocam continuam a matar os que sobreviverem.

18.10.25

Quando se misturam questões jurídicas com questões religiosas, cria-se uma discussão complexa e sensível, onde o sim ou o não se revela deveras simplista e manifestamente insuficiente.

Por princípio, e como ocidental, vejo o uso de objectos que cobrem o rosto das mulheres, uma aberração.

Inversamente, os muçulmanos, na sua maioria, consideram uma imoralidade e uma heresia o facto das mulheres se apresentarem em público com o rosto descoberto.

Acredito que no caso de serem mulheres não residentes, na qualidade de turistas, devia ser respeitado a liberdade religiosa e de costumes de alguém que não é cidadã nacional, nem tão pouco residente.

Nos restantes casos, penso que os costumes nacionais têm que ser obrigatoriamente respeitados. Os portugueses, principalmente as mulheres, não devem ser sujeitas a um costume alheio que, legitimamente, para nós ocidentais, é chocante.

Na realidade, em Portugal,os casos de mulheres que cobrem o rosto é uma ínfima excepção, e fazer disto um caso político é a estratégia de gente que faz do populismo, do mediatismo e da demagogia as armas para iludir os incautos.

O que preocupa os jovens portugueses são os 300.000 euros que custa um apartamento onde poderão viver e constituir família.

O que preocupa os portugueses em geral são as listas de espera para realizar um cirurgia ou as 12 horas de espera numa urgência hospitalar.

O que preocupam os jovens licenciados são os vergonhosos salários que se pagam áqueles que passaram anos numa faculdade e se vêm obrigados a emigrar, ou então a permanecer eternamente em casa dos seus pais.

Os problemas nacionais de relevância são muitos, - já a questão das burcas não passa de uma novela rasca protagonizada por aqueles que já nos habituaram à nulidade.

É um tema, certamente, Mas está longe de ser uma prioridade relevante e mais longe ainda das verdadeiras preocupações dos portugueses, - pelo menos daqueles que têm alguma coisa de útil para fazer.

13.10.25

Com a perda da maioria absoluta na Câmara de Cascais, o PSD, se optar por negociações à direita, vai ter que o fazer com o Chega.

Sendo assim, acredito que muito vai mudar no Concelho de Cascais.

Paladino da justiça, dos bons costumes e do patriotismo, o Chega, tem agora uma oportunidade de ouro para, - como foi slogan de campanha: “endireitar Cascais”.

A especulação imobiliária expressa nos projetos de luxo que proliferam por todo o concelho, vai sofrer uma inversão, - será prioridade a construção de bairros sociais e de outras infraestruturas públicas, indo desse modo ao encontro das aspirações dos mais desfavorecidos, que tanto preocupam os dirigentes do Chega.

O problema com os imigrantes que residem em Cascais, é muito grave. São muitos, não falam português (excepto os brasileiros, e mesmo assim, alguns deles têm ligeiras dificuldades, quando os portugueses falam mais depressa), - os outros, (chineses, americanos, ingleses), tornaram a língua portuguesa no concelho, uma mera curiosidade. Isto representa uma afronta ao espírito lusitano, ao sentimento nacional e uma ameaça à nossa cultura, - à do Chega, claro.

No caso dos anglo-saxónicos, é até constrangedor ver aquela invasão de tanta “gente branca”, - demasiado “branca”. Para o comum dos bronzeados portugueses, causa aquela sensação incomum de estar de férias no norte da Europa. Quem passeia pelo centro de Cascais, a qualquer hora do dia, seja inverno, seja verão, tem a nítida sensação de ter sido tele-transportado para Piccadilly Circus ou Times Square.

Dirão os representantes do Chega: “então e os portugueses! Passeiam onde?”.

Mas o problema maior é que esta gente toda, é rica, quero dizer: milionária. A coisa fica complicada de contrariar, - até mesmo para o valente Chega.

O dilema é gigantesco: expulsamos os milionários “brancos” ou expulsamos os desenrascados de outras “cores” que, por acaso, são os mesmos que constroem as mansões dos milionários, que os servem às mesas, que lhes levam a comida a casa ou que lhes conduzem o Uber quando o caminho ficou trôpego.

Com este resultado eleitoral, o Chega vai ter a possibilidade de fazer frente ao PSD e com isso devolver o Concelho de Cascais aos cascalenses PORTUGUESES.

Caso contrário vai ser uma enorme desilusão para os 12.954 ingénuos.

 

07.10.25

Dois anos depois do terror do 7 de Outubro de 2023, todos se interrogam sobre o futuro do Médio oriente.

É igualmente importante sabermos o que foi o passado naquela região.

Que o façamos com a mente aberta, sem facciosismos, sem grilhões ideológicos nem fanatismos – que o façamos com espírito humanista, com espírito crítico construtivo e com imparcialidade.

As barbaridades cometidas naquele dia fatídico são um perverso exemplo daquilo que os homens inexplicavelmente são capazes de fazer ao seu semelhante.

O sofrimento e a dor causadas às vítimas e aos seus familiares, é algo imensurável e inimaginável.

Sem qualquer tipo de dúvida, os crimes cometidos não podem ficar impunes.

Certamente que temos uma enorme dificuldade em entender como foi possível que seres humanos tenham cometido tais atrocidades.

O lugar comum encontrado para explicar o sucedido resume-se ao facto de os autores serem terroristas, desprovidos de humanidade e de clemência – nada mais perto da verdade, - porém, estes atributos não nascem de geração espontânea.

Ninguém nasce bárbaro, desumano e suficientemente malvado para chacinar homens mulheres e crianças.

A história do Médio oriente tem sido ao longo de mais de 100 anos, um palco de tiranias, de subjugação, de perseguições, de chacinas, de enganos e de traições.

Tal como os bárbaros não nascem de geração espontânea, os conflitos também não.

Todos os impérios trouxeram muita riqueza, ao mesmo tempo, provocaram muita desgraça.

Desde o império Otomano aos impérios coloniais britânico e francês, - esta estratégica região do mundo, esteve e continua a estar á mercê de jogos de poder, de ambição desmedida, da ignomínia e da tirania.

Para manterem o seu imenso império, - em especial a colónia indiana, - os ingleses contaram com o apoio das populações árabes numa história de alianças, falsas promessas e de traições.

A promessa de uma nação árabe rendeu muitos homens no campo de batalha no médio oriente durante a primeira e segunda guerra mundial

O fator judaico surgiu durante a segunda guerra mundial, quando a influência e riquezas judaicas foram fatores determinantes na vitória final.

Já não se tratava apenas de uma promessa, mas sim, de duas. A terra da Palestina foi prometida a dois povos: o Judeu e o Palestino.

A tragédia que se seguiu já dura há oitenta anos.

Há pensadores árabes que hoje se interrogam se não teria sido mais sábio se a divisão de território proposta em 1947, tivesse sido aceite pacificamente.

O que é certo é que não foi. E o que é certo também, é que desde a proclamação da formação do Estado de Israel em 1948, travaram-se quatro guerras entre árabes e judeus e, em resultado disso, a terra árabe prometida foi consecutivamente minguando.

Antes do 7 de Outubro de 2023 tivemos um homem chamado Yitzhak Rabin, - o homem que sonhava com um Israel pacificado e pacificador. Foi assassinado. Uns dirão que foi obra dos palestinianos, outros afirmam que foram os israelitas. Foi certamente obra dos inimigos da paz.

Hoje temos Benjamin Netanyah, - o homem que sonha com a grande Israel e com o enterro definitivo da promessa árabe.

Amanhã, teremos certamente os frutos do 7 de Outubro, da devastação de Gaza e da usurpação na Cisjordânia.

Os familiares dos soldados israelitas mortos, os familiares dos reféns, os sobreviventes de Gaza, são os frutos que representam a cultura do ódio, a sede de vingança e a rejeição do perdão e da aceitação.

Frutos de sementes que não foram apenas aquelas lançados na terra de Israel no dia de 7 de Outubro de 2023. São sementes antigas, tais como são os erros cometidos.

Enquanto forem estas as sementes escolhidas, os frutos colhidos, continuarão fatalmente a nascer podres.

 

02.10.25

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Quem ficar em Gaza está condenado á morte.

Uma mulher com o seu filho nos braços sem condições para fugir de Gaza, será considerada terrorista e como tal, será um alvo do exército israelita.

Quem não concordar com esta medida do governo de Israel, - apoiada por uma substancial percentagem da população israelita, é considerado/a, anti-semita.

Os que usam este argumento são certamente aqueles que faltaram às aulas de história e que só conseguem ver a preto e branco, esquerda ou direita e, outro tipo de limitações intelectuais.

Se escolhessem melhor as fontes de informação, se soltassem as coleiras ideológicas e, lessem a história documentada e comprovada, ficavam a saber, entre outras coisas, que os semitas são um conjunto de povos que englobam tanto árabes como judeus.

Saberiam também que no final da primeira grande guerra, - com o colapso do império otomano, as potências coloniais inglesas e francesas frustraram todas as expectativas de autodeterminação dos povos árabes do médio oriente.

Depois do domínio otomano veio o domínio imperial europeu, - sendo as fronteiras definidas a belo prazer dos impérios coloniais. O colonialismo otomano foi substituído pelo europeu e mais tarde o êxodo massivo da população judaica desencadeou enormes perturbações e convulsões sociais.

Saberiam também que durante o período do protectorado inglês, o Reino Unido não esteve á altura para lidar com os conflitos entre facções árabes moderadas e radicais nem com os conflitos emergentes entre árabes e judeus, recentemente chegados à região da palestina, - os britânicos optaram então por abandonar a região, sem antes disso deixar de incendiar centenas de aldeias árabes e assassinar centenas de habitantes.

Existe uma tendência generalizada para justificar os problemas de hoje com aquilo que aconteceu na véspera.

No final da segunda grande guerra, os europeus interrogaram-se com o que fazer com a população judaica.

Hoje o mundo interroga-se com o que fazer com a população palestiniana.

Espero que a solução para o segundo problema não seja tão desastrosa como foi a solução para o primeiro.

80 anos depois e, depois de centenas de milhares de mortos, - o argumento para justificar a desgraça é o simplismo do conceito de anti-semitismo.

Neste processo só existem culpados e, ao que parece, uma mulher mais o seu filho no colo não merecem o estatuto de inocentes.

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