02.08.25
Uma imagem vale mil palavras. Os relatos e as imagens que diariamente nos chegam da Faixa de Gaza não deixam qualquer tipo de dúvida e chocam até as consciências mais insensíveis.
Imagens são imagens - independentemente de onde foram obtidas ou de quem as realizou. Sem qualquer tipo de dúvida são reais, não editadas ou manipuladas.
Gaza foi terraplanada. A devastação é total. Sem infraestrutura nem economia local. As movimentações populacionais são regidas pela busca de alimentos e por uma esperança ténue de obter alguma segurança. Se juntarmos a tudo isto as lutas de gangs armados pelo domínio de parcelas de terreno e pelo mercado negro dos bens de primeira necessidade, realizamos que em todos os aspectos, Gaza é a definição do caos absoluto.
Quem nega tudo isto é o sr. Embaixador de Israel em Portugal. Afirma que em Gaza não existe fome. Afirma que os corpos esqueléticos - aos quais só faltam os pijamas as riscas e a cruz de David ao peito - são apenas o fruto de doenças perlongadas e que em nada têm a ver com a intervenção militar israelita.
Se lhe pendurarem ao pescoço uma identificação de qualquer agência imobiliária, ele fará da Faixa de Gaza uma óptima oportunidade de negócio para se adquirir um imóvel - com a ressalva de que o mesmo ainda está em planta...
Quando as imagens de crianças esqueléticas ocupam metade do televisor e a outra metade é preenchida pela presença deste suposto diplomata, afirmando categoricamente que não existe fome, dá-me vontade de vomitar.
Mentir descaradamente sem qualquer pejo não é para qualquer um. Está apenas reservado aos profissionais da mentira , da hipocrisia e da ignomínia.
E não me venham com a conversa de merda das ideologias e dos partidos ou da Realpolitik. O que se passa em Gaza é uma vergonha para o mundo inteiro.
Estamos todos a assistir a uma limpeza étnica ao vivo e a cores.
Israel não tem competência nem política nem militar para extinguir o hamas, para libertar os reféns nem tão pouco para restabelecer as mínimas condições de vida aos habitantes de Gaza. Limita-se a eternizar o conflito, enquanto vai dizimando uma população inteira.
Nem Franz Kafka teria capacidade de nos providenciar este cenário. De um lado a realidade dos famintos moribundos, do outro, o retrato da falsidade numa pessoa que tenta passar uma imagem e um discurso de gente de bem.
Somos todos livres de acreditarmos naquilo que queremos ou naquilo que nos convém.
Eu acredito principalmente naquilo que vejo. Se uma criança morrer de fome, é uma fatalidade. Se forem às dezenas, é uma tragédia.
Uma tragédia para eles, uma vergonha para nós.
Para este sr. Embaixador, certamente não o será.