Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

A Política somos nós

A Política somos nós

02.08.25

img_932x621uu2025-08-01-21-45-29-2226589-im-638896Uma imagem vale mil palavras. Os relatos e as imagens que diariamente nos chegam da Faixa de Gaza não deixam qualquer tipo de dúvida e chocam até as consciências mais insensíveis.

Imagens são imagens - independentemente de onde foram obtidas ou de quem as realizou. Sem qualquer tipo de dúvida são reais, não editadas ou manipuladas.

Gaza foi terraplanada. A devastação é total. Sem infraestrutura nem economia local. As movimentações populacionais são regidas pela busca de alimentos e por uma esperança ténue de obter alguma segurança. Se juntarmos a tudo isto as lutas de gangs armados pelo domínio de parcelas de terreno e pelo mercado negro dos bens de primeira necessidade, realizamos que em todos os aspectos, Gaza é a definição do caos absoluto.

Quem nega tudo isto é o sr. Embaixador de Israel em Portugal. Afirma que em Gaza não existe fome. Afirma que os corpos esqueléticos - aos quais só faltam os pijamas as riscas e a cruz de David ao peito - são apenas o fruto de doenças perlongadas e que em nada têm a ver com a intervenção militar israelita.

Se lhe pendurarem ao pescoço uma identificação de qualquer agência imobiliária, ele fará da Faixa de Gaza uma óptima oportunidade de negócio para se adquirir um imóvel - com a ressalva de que o mesmo ainda está em planta...

Quando as imagens de crianças esqueléticas ocupam metade do televisor e a outra metade é preenchida pela presença deste suposto diplomata, afirmando categoricamente que não existe fome, dá-me vontade de vomitar.

Mentir descaradamente sem qualquer pejo não é para qualquer um. Está apenas reservado aos profissionais da mentira , da hipocrisia e da ignomínia.

E não me venham com a conversa de merda das ideologias e dos partidos ou da Realpolitik. O que se passa em Gaza é uma vergonha para o mundo inteiro.

Estamos todos a assistir a uma limpeza étnica ao vivo e a cores.

Israel não tem competência nem política nem militar para extinguir o hamas, para libertar os reféns nem tão pouco para restabelecer as mínimas condições de vida aos habitantes de Gaza. Limita-se a eternizar o conflito, enquanto vai dizimando uma população inteira.

Nem Franz Kafka teria capacidade de nos providenciar este cenário. De um lado a realidade dos famintos moribundos, do outro, o retrato da falsidade numa pessoa que tenta passar uma imagem e um discurso de gente de bem.

Somos todos livres de acreditarmos naquilo que queremos ou naquilo que nos convém.

Eu acredito principalmente naquilo que vejo. Se uma criança morrer de fome, é uma fatalidade. Se forem às dezenas, é uma tragédia.

Uma tragédia para eles, uma vergonha para nós.

Para este sr. Embaixador, certamente não o será.

 

Mais sobre mim

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Em destaque no SAPO Blogs
pub