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A Política somos nós

A Política somos nós

12.11.22

Os rigores do inverno no hemisfério norte têm ao longo dos séculos sido decisivos no desfecho de muitas batalhas e de umas tantas guerras.

A grande Guerra do Norte, travada entre 1700 e 1721, colocou em confronto o império sueco e uma coligação composta pelo Czarado da Rússia, o Reino da Dinamarca e Noruega, e Saxónia-Polónia.

O início das hostilidades foi protagonizado por um ataque realizado pela coligação, tendo como resposta, uma forte contra-ofensiva sueca - o que não evitou a derrota final da Suécia com a consequente queda do seu império em 1721.

Em 1812 Napoleão, ao comando de um exército de 610.000 homens, invadiu a Rússia. Foi incapaz de alcançar o exército russo e já na direção de Moscovo, este, foi deixando no seu rasto a devastação total de aldeias e terrenos agrícolas queimado assim provisões e abrigo às forças napoleónicas.

Antes das primeiras neves, Napoleão abandonou a cidade de Moscovo, a qual tinha apenas alcançado e não conquistado, pois fê-lo sem qualquer tipo de oposição. Depois desta auto derrota, e no seu regresso a França, apenas 100.000 dos seus homens o acompanharam, tendo ainda milhares dos mesmos, morrido de frio, de fome e de exaustão.

Durante a segunda grande guerra, o inverno mais rigoroso foi o de 1941-1942. Foi precisamente no dia 22 de junho de 1941 que se deu início a “Operação Barbarossa”.

A Wehrmacht alemã invadia o território russo com o objetivo de conquistar as regiões ocidentais da União Soviética, e com isso levar a cabo o repovoamento destes territórios por alemães. Enquanto isso, os povos eslavos seriam usados como mão de obra escrava, assim como os recursos naturais seriam canalizados para o esforço de guerra nazi.

Na verdade, nos primeiros 5 meses da operação, cerca de 730.0000 homens, (quase 25% do total das tropas) foram perdidos.

Travados nos arredores de Moscovo, e derrotados na batalha de Stalingrade ,os exércitos alemães perderam definitivamente a campanha do Leste e com esse facto a maré da guerra virou de forma irreversível.

O que este Inverno vai trazer nesta guerra da Ucrânia é ainda uma incógnita, tal como o foi em conflitos passados. Embora de formas distintas, afeta tanto aquele que defende como aquele que ataca.

Dizem os generais que quem ganha as guerras são os soldados. Os equipamentos, a logística, as condições atmosféricas e as decisões dos altos comandos, são sem dúvida preponderantes, mas é o soldado que faz toda esta engrenagem funcionar e é ele o decisor do curso da guerra.

Nesta guerra, o soldado ucraniano já provou que apresenta indicies de preparação e motivação muito superiores ao soldado russo.

Este inverno vai afetar ambos os lados e terá como principal consequência o abrandar das operações no terreno. Apesar do facto de que a Rússia irá certamente intensificar os bombardeamentos às instalações civis, o inverno vai apenas atrasar a sua derrota.

Sem território conquistado e assegurado não se ganham guerras. Todo o território conquistado pela Rússia não foi devidamente assegurado, e como tal, boa parte do mesmo foi perdido. Não vai ser o inverno o responsável pela inversão desta tendência.

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