Sobre a guerra na Ucrânia já pouco se fala e menos ainda se escreve. Contudo ela persiste em toda a sua barbaridade e crueldade. Com toda a região Leste praticamente ocupada, e escrevo ocupada, mas não conquistada, o exército russo, ou tudo o que resta dele, enfrenta agora a dura missão de manter sobre o seu controle os territórios ocupados.
Depois de meses de bombardeamentos indiscriminados, a esmagadora maioria das infraestruturas civis foram dizimadas, personificando não uma conquista, mas antes uma destruição massiva. Toda a riqueza supostamente alvo de conquista foi destruída. Restaram as inúmeras riquezas no subsolo.
Coincidência das coincidências — os russófonos e russófilos presentes em território ucraniano residiam todos eles sobre o mais rico subsolo ucraniano….
O ministro dos negócios estrangeiros da Federação Russa, o criminoso de guerra e terrorista de estado, Sergei Lavrov, anunciou que os objetivos militares na Ucrânia vão agora para além da região do Donbass. Possivelmente, certos idiotas úteis ficaram surpreendidos com esta afirmação. Como idiotas que são, foram permeáveis à propaganda russa quando esta espalhava a ideia de que a “operação militar especial” se limitava à tarefa de libertar os povos do Donbass da perseguição dos nazis ucranianos, e de garantir a segurança da Federação Russa face à ameaça nuclear e biológica existente em função dos inúmeros laboratórios e instalações militares secretas presentes em território ucraniano.
Pelos vistos, os nazis ucranianos estão presentes em toda a Ucrânia, assim como a presença das populações russófonas e russófilas estende-se igualmente por todo o país. Além disso as instalações onde se desenvolvem armas de destruição massiva, crescem que nem cogumelos por toda a Ucrânia.
Na realidade, o que está a acontecer na Ucrânia é a materialização de um velho sonho de um ex espião soviético que ao assumir o poder na Federação Russa, transformou esse sonho em desejo. A anexação total da Ucrânia.
Esse sonho ainda não terminou, porém o desejo está muito difícil de ser alcançado. Apesar de ver mais de 20% do seu território invadido, a Ucrânia resiste e continua a negar o desejo de Vladimir Putin. O controlo total e consequente anexação de todo o território ucraniano torna-se em cada batalha realizada uma miragem distante para Putin e para o seu séquito.
Enquanto os seus cães de fila rosnam ameaças e destilam propaganda para consumo dos idiotas, a guerra faz-se com armas, soldados e dinheiro.
A Federação Russa, durante estes quatro meses de guerra teve mais baixas humanas e perdas de material do que durante toda a guerra do Afeganistão. É a realidade dos números, e esta realidade pesa. Talvez por isso a extrema necessidade dos responsáveis do Kremlin afirmarem quase diariamente que todos os objetivos da sua operação especial irão ser alcançados. Há que garantir o pleno funcionamento da lavagem cerebral efetuada aos idiotas úteis, internos e externos.
As sanções que Putin afirmava não estarem a ter qualquer efeito sobre a economia russa, são as mesmas (mais algumas) que agora o mesmo admite já começarem a produzirem o seu efeito. O próprio afirmou que existe a necessidade de criar mecanismos e desenvolver estratégias que contornem e minimizem as consequências das sanções.
A verdade é que a economia russa está completamente asfixiada. Apesar das vendas crescentes de petróleo e gás, os lucros obtidos não compram tudo aquilo de que a Federação Russa precisa, pois ninguém vende à Rússia aquilo que ela realmente precisa. Nos próximos anos os efeitos do bloqueio à economia russa vão ser devastadores para o país.
É tempo pois do Kremlin conseguir um acordo de paz. Esta guerra está a sair muito cara. Os soldados que estão a ser lançados no campo de batalha nunca participaram numa guerra e até o equipamento que começa a ser usado é do tempo da segunda grande guerra.
Enquanto isso, no ocidente produz-se armamento a uma escala só comparável aos tempos da segunda grande guerra. Nos EUA os pacotes de ajuda em armamento sucedem-se a um ritmo quase semanal. E não é a fraca popularidade de Joe Biden que irá abrandar o ritmo, — afinal de contas, “business is business”, e neste “business”, enquanto houver guerra, há esperança.
Do lado Ucraniano, sem dúvida nenhuma que as perdas são elevadíssimas. Contudo, as armas, os soldados treinados no ocidente e o dinheiro, continuam a chegar, tudo isto somado a uma vontade férrea dos ucranianos de recuperar aquilo que lhes foi roubado.
Fala-se numa guerra de desgaste para os dois lados. Resta saber o peso do desgaste sobre aquele que tem agora que manter na sua posse o território ocupado e torná-lo parte integrante da Federação Russa.
Agora não basta a estratégia da terra queimada, onde se arrasa tudo para depois ocupar, agora serão os russos a ter que se entrincheirar, resistir e defender o território. E não ver ser os bombardeamentos sobre o restante território que assegurarão o domínio efetivo e permanente do Leste.
Nos próximos tempos, desta guerra pouco se falará ainda menos se escreverá. Mas enquanto houverem dois países com um inimigo comum, onde um não abdica do combate e o outro não abdica do “business”, ela, a guerra, continuará.