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A Política somos nós

A Política somos nós

15.05.22

Emmanuel Macron continua a insistir que é necessário encontrar uma solução para o conflito na Ucrânia onde Vladimir Putin não perca a face nem a Federação Russa seja humilhada. 

Ao que parece, o presidente francês ainda não vislumbrou que tanto Vladimir Putin como a Federação Russa, aos olhos da esmagadora maioria de países do mundo, já perderam a face e estão a sofrer um processo de humilhação generalizado. 

Nem é necessário referir as constantes derrotas de que o exército russo tem sofrido no terreno. O sistema bancário da Federação Russa foi excluído quase na totalidade do sistema internacional bancário; as grandes marcas de multinacionais abandonaram o mercado russo; os bens de centenas de empresários russos foram confiscados nos principais mercados mundiais; as companhias aéreas internacionais deixaram de operar no espaço aéreo da Federação Russa. A ONU expulsou a Rússia do Conselho de Direitos Humanos. 

Se esta realidade não corresponde à perda da face dos dirigentes do Kremlin e a uma humilhação do país, não sei o que será mais necessário acontecer para negar esta evidência. 

O que o Sr. Macron parece estar a propor é que se evite a total humilhação de Putin em troca da humilhação do povo ucraniano. Gostaria de poder entender qual o critério usado pelo presidente francês para medir o grau de humilhação que um indivíduo e por outro lado, um povo inteiro, conseguem suportar. 

Pelos vistos o Sr. Macron tem muito receio sobre as consequências de uma possível derrota de Putin na guerra da Ucrânia. Será que igualmente receia quais as consequências se Putin obtiver uma vitória? 

De invasão em invasão, Putin tem vindo a usurpar a terra alheia sem que nenhum líder ocidental tenha feito absolutamente nada para o confrontar. Até a Crimeia foi anexada sem que Putin fosse enfrentado. O único a enfrentá-lo foi o povo ucraniano quando sentiu que não se tratava apenas da Crimeia e da região do Donbass, - era a sua própria soberania e independência que estavam em risco. 

Interrogo-me, se esta coragem dos ucranianos não tivesse sido tão extraordinária, será que a ajuda internacional teria chegado? Sem esta coragem e sem a inoperacionalidade do exército russo, Kiev teria sido tomada em 3 dias e, - ato consumado, - tal e qual como na Crimeia. 

Foi esta a coragem que chamou a atenção das opiniões públicas que levaram às pressões junto dos governos. É esta a coragem que não vende barato nem a dignidade nem a liberdade. É esta a coragem que não vai permitir que o Sr. Macron negocie com o criminoso de guerra do Kremlin a humilhação de um povo que se nega a entregar a sua terra ao invasor. 

A única solução para este conflito é a completa e total derrota de Putin. Cada centímetro de território ucraniano terá que ser libertado do exército russo. Se tal não acontecer abrir-se-á um precedente em solo europeu do qual ninguém conseguirá prever quais as reais consequências. 

Os líderes ocidentais devem se concentrar em derrotar Putin o mais rapidamente possível, e isso passa no imediato por lhe infligir uma derrota na Ucrânia.  

Pior que recear quais as consequências disso, será não perspectivar o que virá depois de Putin. Por morte natural ou por afastamento político, Putin terá o seu fim. Com uma vitória ou com uma derrota na Ucrânia, o futuro da Federação Russa passa pelo sucessor de Putin. Por aquilo a que temos assistido as opções são no mínimo preocupantes.  

A derrota de Putin, não representará apenas a forma de o parar, será igualmente uma mensagem para quem o substituir. Uma prova de fraqueza no presente, será a exposição a uma ameaça igual ou pior no futuro. Se nos vergarmos agora, a ameaça nuclear que já paira no ar, continuará a pairar no futuro. 

O mundo mudou mesmo na madrugada do dia 24 de fevereiro de 2022, e enquanto tivermos esta Rússia, a ameaça do holocausto nuclear já é, e vai continuar a fazer parte desta nova realidade, independentemente do desfecho nos campos de batalha da Ucrânia. 

Enquanto isso, o povo Ucraniano não está disposto a considerar que as mortes dos seus mártires foram em vão, que a humilhação da capitulação é opção e que não farão o papel de ser moeda de troca para a obtenção de um qualquer equilíbrio geopolítico. Presidentes ou simples cidadãos, quem somos nós para os julgar? 

14.05.22

No último dia 11, Shireen Abu Akleh, jornalista da cadeia televisiva Al Jazeera foi assassinada no território de Jenin na Cisjordânia. A jornalista de dupla nacionalidade – palestiniana e norte-americana, foi atingida mortalmente enquanto fazia a cobertura de uma operação militar israelita na Cisjordânia. 

A sua morte desencadeou reações em todo o mundo – as do costume – todos lamentam e condenam o ocorrido. 

Nos media, li o seguinte trecho: “A sua morte ocorreu no contexto de uma onda de violência israelo-palestiniana atiçada por tensões num importante lugar sagrado de Jerusalém. Pelo menos 18 israelitas morreram em ataques palestinianos nas últimas semanas, enquanto mais de 30 palestinianos, a maioria dos quais envolvidos em ataques ou confrontos com forças israelitas, foram também mortos.”. 

Esta é uma notícia que não necessitava de data. Neste eterno conflito, notícias deste teor são intemporais. Repetem-se assim como se repete o terrível drama. 

A Terra de Israel é segunda a Bíblia judaica, a região que foi prometida por Deus aos descendentes de Abraão através do seu filho Isaac e aos descendentes hebreus do seu neto Jacó. Diz a tradição hebraica que esta é a terra prometida de Israel.  

Esta promessa nasceu de uma recompensa divina à fidelidade de Abraão e do seu povo quando este adotou uma crença monoteísta e a concepção de uma nação escolhida por Deus. A promessa incluía a eliminação de outros povos semitas como os cananeus como castigo pelos seus pecados e a atribuição das suas terras aos hebreus, igualmente, eles, parte desse conjunto maior de povos semitas. Esta promessa tornou-se válida para a totalidade do povo judeu.  

Descendo agora à terra – Com o final da primeira grande guerra mundial, a Liga das Nações atribuiu ao Reino Unido o chamado “Mandato Britânico da Palestina” com a responsabilidade deste estabelecer, "…tais condições políticas, administrativas e econômicas para garantir o estabelecimento do lar nacional judaico, tal como previsto no preâmbulo e no desenvolvimento de instituições autônomas, e também para a salvaguarda dos direitos civis e religiosos de todos os habitantes da Palestina, sem distinção de raça e de religião… ".  

Dois anos depois do termo da segunda grande guerra, em 1947, a ONU elaborou um plano para a partição da região da Palestina, do qual nasceria um Estado judeu, um Estado árabe e onde a cidade de Jerusalém ficaria sob administração direta da organização. 

Esta partição que foi aceite pelos líderes sionistas e rejeitada pelos líderes árabes deu origem a uma guerra civil onde se confrontaram judeus e árabes, enquanto isso, os britânicos retiravam, desresponsabilizando-se assim do suposto compromisso que assumiram de manter a ordem e a segurança na região.  Séculos antes, nas mesmas redondezas, houve quem igualmente lavasse as mãos...  

Em 1947 Israel declara a sua independência e na sequência os seus vizinhos árabes atacaram o recém formado país. Resumidamente, este conflito de um ano que ficou conhecido como a guerra da independência, resultou na fuga de centenas de milhares de árabes palestinianos e na invasão da Faixa de Gaza pelo Egito e da Cisjordânia pela Trans Jordânia dando origem à Jordânia. Por parte de Israel, houve a conquista de cerca de 75% do território que estava destinado ao povo palestiniano, bem como da parte ocidental de Jerusalém. 

Nesta que é provavelmente a mais complexa história dos povos, ficará sempre muito por esmiuçar, muito por contar e certamente mais ainda por argumentar. 

Desde este fatídico ano de 1947 que uma vergonha prevalece: O conflito Israel o árabe.  

Sem santos, mas com muitos pecadores. Com diversos culpados e com inúmeros inocentes mortos. Gerações criadas no ódio. Infindáveis vinganças. Intermináveis injustiças. Infrutíferos esforços para que cesse o conflito. Estéreis acusações. Dedos apontados na busca dos responsáveis. 

A promessa divina, a usurpação da terra alheia, a irresponsabilidade e a inépcia da comunidade internacional numa solução para o problema. 

O Estado de Israel, desde a data da sua formação, tem vindo a violar as regras internacionais e o respeito pela autodeterminação do povo palestiniano. Este é talvez o único simples fato nesta tão complexa história.  

Enormes barbaridades de parte a parte têm vindo a resultar desta realidade. Mais importante que encontrar os culpados, pois a história já disso se encarregou, seria encontrar as soluções que até agora os líderes mundiais não lograram alcançar. 

Não existem soluções simplistas para problemas complexos. A formação de um Estado Palestino soberano, cujas fronteiras não podem ser as atuais, é incontornável. Forçosamente Israel terá que ceder parte dos territórios ocupados e um novo acordo de paz terá que ser realizado. Infelizmente nem palestinianos nem israelitas têm o bom senso nem a independência para o fazer. Essa terá que ser a responsabilidade da comunidade internacional.  

As novas fronteiras terão que ser respeitadas e a cidade de Jerusalém deverá ficar definitivamente sob a total administração da ONU. A cidade não mais será israelita ou palestiniana. Haverá uma só cidade, uma só Jerusalém, património da humanidade, - policiada exclusivamente por tropas da ONU. 

Tragicamente, dois povos, fruto de décadas de ódio e de conflito, têm-se comportado como bichos selvagens, e quando assim é, impõe-se uma nova arbitragem. Os desrespeitos a esta nova ordem deverão ter como resposta, as tão na moda, sanções. Que se sancione sem hesitações nem condescendências aqueles que prevaricarem, nem que isso signifique enfrentar o tão poderoso Israel. 

Este assassinato da jornalista da cadeia televisiva Al Jazeera não deveria ficar como mais um rodapé desta triste história. Já são demasiados os rodapés onde ficaram escritas as mortes de tantos inocentes. Está na hora de pôr um fim a esta infindável vergonha e escrever não um rodapé, mas sim um novo título para o médio oriente. Uma palavra é suficiente: BASTA. 

12.05.22

Até ao próximo domingo, a Finlândia irá apresentar o pedido formal de adesão à NATO. Este fato constitui a maior derrota política de Vladimir Putin desde que assumiu o poder na Federação Russa. Já em 2014 com o golpe de estado na Ucrânia, o Kremlin sofreu uma derrota política ao perder o controle que exercia sobre o país vizinho na sequência do afastamento de Yanukovytch o presidente ucraniano pró-russo. 

Com a adesão da Finlândia à NATO, a Federação Russa perde 1.300 quilómetros de fronteira neutra e ganha os mesmos quilómetros em fronteira inimiga. Em termos de geopolítica é um verdadeiro tiro no pé, e neste caso, um tiro de canhão. 

Como se não bastasse, segue-se a Suécia, - a fronteira é marítima e vem alterar todo o equilibro militar no mar báltico. Em pouco mais de 2 meses, Putin conseguiu interromper 200 anos consecutivos de neutralidade de um país vizinho. Para quem alega que a proximidade da NATO constitui uma ameaça à segurança da Federação Russa, e usa este argumento, entre outros, para invadir a Ucrânia, - provou que tem tanto de estúpido com de arrogante. Mais um exemplo de que a arrogância é a arma daqueles que nada devem à inteligência. 

Mesmo antes destas duas adesões se confirmarem oficialmente, já o Reino Unido assinou acordos de proteção militar tanto com a Finlândia como com a Suécia. Em caso de ataque russo, ambos estes países podem contar com a ajuda e proteção de um dos exércitos mais poderosos do mundo.  

A cada dia que passa, Putin perde cada vez mais esta guerra, - na Ucrânia, fora da Ucrânia e até dentro do seu próprio país. O fim do regime mafioso, corrupto e criminoso do Kremlin, vai ser ainda mais devastador para a Federação Russa, do que foi a queda do regime soviético.  

Em 1991 com a implosão da URSS, nasceu um novo estado, estado esse que manteve o estatuto de membro permanente do conselho de segurança da ONU, o que contraria a teoria de que a Rússia foi humilhada perante o fim da URSS. O que é fato, é que a guerra fria terminou com a queda do muro de Berlim e isso não resultou de nenhum conflito armado que tenha levado a uma derrota humilhante do povo russo. O regime soviético caiu porque estava podre, e se existem culpados para isso, são os próprios russos e os seus líderes. 

A nova Rússia foi então recebida no concerto das nações e teve oportunidade para prosperar. Esta Rússia de Putin, foi rejeitada, isolada e condenada por todo o mundo ocidental que constitui o grande mercado mundial, o mesmo mercado com quem até há pouco mais de 2 meses a Rússia mantinha relações comerciais bilionárias. Até a falsa amiga chinesa, se aproveita do grande urso enfraquecido e vai sugando os seus recursos naturais a preço de saldo. 

Todos os impérios caem. Este império que não é russo, é apenas putinista, vai caindo a cada dia que passa precipitando-se fatalmente para o abismo. É uma questão de tempo. Talvez esse tempo pudesse ser encurtado se o povo russo mostrasse a mesma coragem demonstrada pelo povo ucraniano quando em 2014 na praça Maidan, lutou até à morte pela sua autodeterminação, pela sua liberdade e pela sua dignidade. 

10.05.22

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Vladimir Putin, senhor da Rússia, neste 9 de Maio, sujeitou o povo russo a uma dose de propaganda bem ao estilo soviético a fazer lembrar outros tempos e outros atores. 

Mestre da mentira e do embuste, o antigo espião soviético, no discurso proferido durante a parada militar em Moscovo, aplicou a quem o quis ouvir, uma injeção de veneno.  

A quem não é imune à toxina, as consequências são fatais. O povo russo inoculado, acredita piamente que a situação na Ucrânia, que não é de todo uma guerra, é contudo, algo perigoso, pois os verdadeiros responsáveis pelos acontecimentos são os ocidentais e a sua organização chamada NATO, que está, veja-se, a atacar a Ucrânia, e pior ainda, prepara-se para atacar a Federação Russa. São os próprios nazis que agora aliados dos países ocidentais constituem uma séria ameaça à segurança nacional russa. 

Para um povo que sofreu como nenhum outro as agruras da segunda grande guerra, onde quase 30 milhões de russos morreram resultado da mesma, este discurso é algo perturbador e certamente desperta os seus instintos. 

Com o objetivo de agregar simpatias e apoios para a sua política, Putin, habilmente mistura os símbolos soviéticos com o brasão oficial da Federação Russa. Então é ver foices e martelos misturados com águias imperiais de duas cabeças, que sintomaticamente apontam simultaneamente ao oriente e ao ocidente. 

A Putin é completamente indiferente as foices, os martelos e as águias. O que ele pretende a todo o custo é manter o poder que lhe permite entre outras coisas possuir um vasto e rico património naquele ocidente que ele tanto diz desprezar e odiar, - o mesmo ocidente onde ele e os seus aliados operam negócios milionários que tanto contribuem para lhe garantir o lugar de comandante supremo do Kremlin. 

Para além da dita injeção, o discurso foi vazio de todo. Falar na situação na Ucrânia era impossível. Dizer o quê? Dizer que o exército russo já chacinou mais de 3.000 civis e que arrasou dezenas de cidades e aldeias, mas que não conseguiu efetivamente controlar totalmente nenhuma delas? Dizer que o exército russo tem na verdade levado uma valente sova do exército ucraniano?  

Nada disso. A mensagem a passar é que o malvado ocidente se aliou aos nazis e está a ameaçar a mãe Rússia. Não sabemos se o seu povo chegou a entender a dissimulada declaração de derrota no discurso do seu líder. Se os nazis já tivessem sido derrotados pelo glorioso exército russo, não havia necessidade de estar a convocar a nação para se concentrar e envolver nesta luta. 

Entretanto, os aviões de combate não marcaram presença no desfile, parece que o trânsito nos céus de Moscovo estava um caos... 

08.05.22

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No dia 8 de Maio de 1945 calavam-se os canhões e sossegavam-se os homens, - com a capitulação do terceiro reich alemão, tinha terminado a guerra na Europa. Depois de 6 anos de insanidade que deixou um rasto de barbaridade e que custou mais de 80 milhões de mortes, a paz tinha sido alcançada no velho continente. 

As palavras escasseiam para descrever tão negro período da história da humanidade. O sofrimento inimaginável de milhões de seres humanos marcou para sempre a era moderna dos homens. 

77 anos depois, uma frase se eleva nas nossas consciências: Nunca mais. 

Infelizmente não foram anos inteiramente de paz na Europa. Entre 1991 e 2001, a guerra civil na então Jugoslávia, trouxe de novo a guerra e o sofrimento aos povos europeus. Fruto de conflitos étnicos, este sangrento conflito que ficou conhecido por guerra dos Balcãs resultou em mais de 100 mil mortos. 

Em 2014 a Federação Russa invadiu a Ucrânia e anexou o território da Crimeia. Nesse mesmo ano, as incursões de forças russas na zona do Donbass, instigavam os conflitos entre ucranianos fiéis ao governo soberano de Kiev e separatistas ucranianos pró-russos. 

Desde então não houve mais paz na Europa. Foi um conflito esquecido e até ignorado pela maioria dos europeus. No dia 28 de Fevereiro de 2022 Vladimir Putin ordena uma nova invasão à Ucrânia e com isso a Europa acordou para a realidade, - a guerra em larga escala estava de volta ao solo europeu. Pelos vistos, 77 anos de paz estava a ser demasiado tempo. 

Uma idosa ucraniana que pela idade foi com certeza testemunha da segunda grande guerra, exclamou perante as ruínas da sua casa depois de um bombardeamento russo: “Acredito que ainda não fomos abandonados e que no fim tudo vai acabar bem”. 

Foi com este espírito que sobreviveu ao mais sangrento conflito da história e é com o mesmo que encara agora o regresso da barbaridade à sua terra. Que o espírito desta idosa nos inspire para podermos gritar bem alto: Nunca mais.  

05.05.22

O ex-presidente do Brasil Lula da Silva, declarou a propósito do conflito na Ucrânia:

Ele [Zelensky] fica se achando o rei da cocada, quando na verdade deveriam ter tido conversa mais séria com ele: ‘Ô, cara, você é um bom artista, você é um bom comediante, mas não vamos fazer uma guerra para você aparecer’. E dizer para o Putin: ‘Ô, Putin, você tem muita arma, mas não precisa utilizar arma contra a Ucrânia. Vamos conversar!’”.

As fatalidades da história por vezes são irreversíveis. Se Lula da Silva ainda fosse presidente do Brasil, as probabilidades de a Federação Russa ter invadido o território soberano da Ucrânia, tinham sido praticamente nulas.

Apesar de o Brasil ser considerado pela comunidade diplomática como um peso morto em termos de diplomacia internacional, nada o impede de ter este ativo diplomático chamado Luís Inácio Lula da Silva.

Se no lugar de Mácron, naquela emblemática mesa do Kremlin, tivesse estado o ex. presidente brasileiro, tudo teria sido diferente. Para começar, quando Vladimir Putin visse o seu companheiro Lula entrar na sala, teria de imediato dito na forma russa, traduzida para o português falado no Brasil: “Oi cara! Senta logo aqui do meu lado para nós batermos um papo reto”. Aquela distância fria de 6 metros, teria sido espontaneamente quebrada.

Depois de “quebrar o gelo”, Lula da Silva teria então o caminho aberto para soltar o seu discurso diplomático livre de protocolos e de subterfúgios, - “Vamo conversar cara!, primeiramente: tu não precisa usar arma contra a Ucrânia, basta tu perguntar ao Zelensky quantos km2 do território ele tá disposto a entregar à Rússia.

Tal como eu fui um simples operário, e consegui chegar a presidente, ele como comediante e bom artista, se acha o rei da cocada, mas pode muito bem ser levado na conversa”.

Perante este português açucarado com direito a cocada e tudo, era certo que Putin balançava.

Lula nunca aconselharia por exemplo que o local das conversações entre ucranianos e russos tivesse lugar na Bielorrússia, - lugar frio danado, - o Brasil seria o local ideal para se chegar a um acordo de paz.

De resto seria até uma excelente iniciativa de Lula para se projetar ainda mais nas próximas presidenciais onde encara o seu adversário Bolsonaro, que por acaso também não perde oportunidade para dizer asneiras.

Mácron, Mácron! Tu não sabe de nada. Antes de teres ido ao Kremlin, devias ter dado uma ligadinha para o Lula, aquele ali sim, é que sabe do babado.

05.05.22

O estado terrorista conhecido como Federação Russa, planeia para o próximo dia 9 a realização de uma parada na cidade ucraniana de Mariupol.

Celebra-se a vitória soviética sobre a Alemanha nazi em 1945, vitória essa só conseguida com o enormíssimo apoio fornecido pelo EUA, quando estes optaram por fornecer milhares de toneladas de material de guerra ao regime chefiado por Stalin. Foi esta a estratégia adotada pelos aliados para derrotar o terceiro reich no último terço da segunda grande guerra mundial.

Sem esta inestimável ajuda, a indesmentível e heroica coragem do povo russo, não teria sido suficiente para levar de vencida os exércitos nazis. Este fato histórico apesar de ser do conhecimento de Vladimir Putin, nunca será lembrado pelo mesmo, e aí de alguém na Rússia que se atreva a sequer sussurra-lo.

Quando se afirma que os níveis de destruição na cidade de Mariupol alcançam os 90%, adivinha-se que a parada terá lugar exatamente nos restantes 10%. De outra forma como iria o Kremlin justificar perante os dormentes russos que a sua “operação militar especial” tinha afinal sido uma operação de destruição e assassinato em larga escala que obliterou do mapa da Ucrânia a cidade de Mariupol?

Já faz algum tempo que esta zona da cidade foi alvo de total limpeza de todo e qualquer vestígio comprometedor fruto da barbaridade ocorrida.

Os civis mortos foram incinerados pelos crematórios portáteis, máquina indispensável nos exércitos russos, - as ruas foram limpas e serão engalanadas e os habitantes irão ser “convidados” a ladear as avenidas empunhando bandeiras da Federação Russa onde aclamarão os militares em desfile.

Tudo como manda o figurino, que embora já não contenha a chancela soviética, é nela em tudo idêntico. Como diz o ditado: “A merda é a mesma, as moscas é que são outras”.

Se até lá, os resistentes escondidos dentro dos bunkers em Azovstal conseguirem se manter vivos, podem no próximo dia 9 poder contar com um dia sem bombardeamentos. Se assim não fosse, iria soar um pouco estranho aos ouvidos dos cidadãos russos, o som das bombas enquanto Putin discursava em direto para a TV russa.

A haver um cessar fogo, que seja em honra dos heróis da grande guerra patriótica, - já as crianças dentro dos bunkers não serão merecedoras de tal benesse.

Esta parada vai constituir mais um capítulo da grande farsa com que o Kremlin constantemente presenteia os seus cidadãos. Vitórias fictícias serão apresentadas e glórias serão contadas, tudo para gladio do povo russo que assim se mantém convenientemente dopado.

Serão também apaziguados os russos radicais que por este tempo já pressionam Putin no sentido de que o massacre na Ucrânia ainda não é suficiente, pois a “mãe Rússia” pouco apaziguada que está, vocifera por mais sacrifícios de sangue.

Para uma parte da Federação Russa será com certeza a parada de uma vitória do passado e uma ilusão de vitória no presente, - para o resto do mundo e particularmente para o povo ucraniano, será uma verdadeira parada de morte.

04.05.22

A Federação Russa afirma que não tem dúvidas sobre a presença de mercenários israelitas junto dos militantes do batalhão Azov.

Depois da marioneta de Putin, na pessoa do ministro Sergei Lavrov ter afirmado que Hitler tinha sangue judeu e que foram judeus antissemitas que conspiraram contra o seu próprio povo durante o holocausto, fica difícil imaginar o que mais surgirá das mentes perturbadas que habitam no Kremlin.

Sobre a presença de mercenários israelitas junto dos militantes do batalhão Azov, não será de estranhar tal possibilidade. Nas guerras, a presença de mercenários é fato sobejamente conhecido, e a guerra na Ucrânia não é certamente exceção.

O que é certo, é que a paranoia e o desespero evidenciados por Putin e pelo seu gang neste conflito, já os levou a colocar um pé dentro de um atoleiro chamado Ucrânia, e pelas afirmações dos últimos dias, a intenção é enfiar a mão dentro de um vespeiro chamado Israel.

Os israelitas por razões naturais são extremamente sensíveis no que toca ao assunto Holocausto. Não gostam de ser ofendidos, nem provocados, e a sua história prova que a sua especialidade não é de forma alguma a diplomacia, nem tão pouco atribuem grande importância às opiniões alheias sobre os seus atos.

A juntar-se à possível presença de mercenários israelitas, há a garantia de envio de material de guerra por parte do governo israelita. A isto poderá muito bem se adicionar a possibilidade de certas incursões aéreas sobre território russo, com a destruição de alvos estratégicos, sem que nenhuma reivindicação dos mesmos seja apresentada, - bem ao estilo israelita.

Quando se tem um pé preso dentro de um atoleiro, é muito pouco sensato enfiar a mão num vespeiro.

03.05.22

O regime do Kremlin é de tão execrável que todos os dias prova que em certos casos a diplomacia não é exequível. Infelizmente neste caso para se alcançar a paz é necessário usar a força para travar quem invadiu um estado soberano. 

Resta a solução dos “pacifistas” de conveniência. Para eles, para terminar a guerra na Ucrânia, esta tem que se render, entregar a sua terra ao invasor e permitir que o seu povo continue a ser escravo do regime cancerígeno de Moscovo. 

Na sua visão limitada e romântica de um mundo sem armas, talvez até sem fronteiras, onde a comunidade dos povos poderia ouvir todas as noites o imagine de John Lennon, acreditam que se as armas fossem depostas pelos ucranianos, a paz venceria. Resta saber se TODOS destruiriam as suas armas e renegariam em SIMULTÂNIO à usurpação da terra alheia. 

Todos condenamos o roubo, mas isso não nos permite dormir de porta aberta, pois sabemos que os ladrões andam lá fora. E até não haver mais NENHUM ladrão, a porta tem que permanecer fechada. Por mais belas que sejam as causas, a dura realidade impõe a sua ordem. 

Depois da Ucrânia, seria a Moldava, depois a Roménia e a Polónia. Quando Putin se aproximasse de Berlim, aquela que ele nunca aceitou perder, talvez os defensores das causas impossíveis, se interrogassem, - e agora? Provavelmente prefeririam se entregar nas mãos da Federação Russa, no lugar de aceitar a ajuda do Ocidente.  

Talvez seja por isso que das suas bocas não sai uma palavra de repúdio pela desgraça que neste momento acontece na Ucrânia, na Europa. 

01.05.22

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É sobre isto que os apoiantes e simpatizantes do regime do Kremlin não conseguem falar. A língua se enrola como acontecia com a fita das velhas cassetes.

30.04.22

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Vai acontecer na Transnístria exatamente aquilo que aconteceu na Abecácia, na Ossétia do Sul e no Donbass.

O regime cancerígeno do Kremlin vai dar início às atividades de destabilização social, incitamento à violência, conspiração e sabotagem, - o Modus Operandi de quem realmente manda na Federação Russa, ou seja, o FSB, herdeiro do KGB, escola do criminoso de guerra e terrorista de estado, Vladimir Putin.

Vão incentivar e promover toda e qualquer diferença étnica, linguística e cultural presente no território. No lugar de viabilizar a sã convivência entre as populações, gerindo e apaziguando os possíveis conflitos, fazem precisamente o contrário. Dividem o mais possível para depois eles próprios poderem reinar.

Quando a violência social se instala, surgem então com o pretexto que a sua presença para defender as populações russófonas e russófilas é inevitável. Vêm as tropas, os referendos falseados e ilegais e a instalação de governos fantoches. Surgem então novas repúblicas que sendo ou não independentes da Federação russa, passarão a estar em absoluto sob o seu controlo.

É claro que depois por cá, temos aquele pequeno e reduzido grupinho de papagaios, que tal como o bicho, repetem a cassete do anti ocidentalismo, do grande Satã americano, etc. Tudo no pacote copy/paste de asneiras.

O que lhes sobra de sabão na cabeça, falta-lhes de coragem em assumir frontalmente que são defensores de um regime criminoso. Não os censuro por serem antiocidentais, cada um tem direito às suas opiniões. O que é vergonhoso, é que para conseguirem se posicionar contra aquilo que está indesmentivelmente errado, têm que forçosamente invocar os erros de outra partes.

Os erros do regime do Kremlin não são de todo desculpáveis pela existência de erros dos regimes ocidentais. Este raciocínio está-lhes vedado. A cassete só roda para um lado.

29.04.22

Desde o dia 24 de Fevereiro de 2022, data da invasão da Ucrânia por parte do exército da Federação Russa, que vários analistas e comentadores se têm escusado a fazer comparações históricas sobre os atuais acontecimentos e aqueles que deram origem ao início da segunda grande guerra mundial.

Invocando o princípio de que a história não se repete e que as circunstâncias e os atores são diferentes, preferem analisar esta crise de forma distinta e única.

A reação do comum cidadão mais ou menos atento ou interessado nos fatos históricos quando se coloca este tipo de comparações, é a natural rejeição da ideia de que algo tão terrível como a última grande guerra possa de alguma forma se repetir num cenário e antecedentes semelhantes.

Apesar de me conter no que diz respeito a comparações, não consigo evitar vislumbrar um certo paralelismo entre os antecedentes e as motivações que envolvem este conflito e o início da segunda grande guerra.

Senão vejamos: Apesar de a data oficial para o início da segunda grande guerra ser o dia 1 de Setembro de 1939, a origem do conflito previamente germinava numa região da Europa central conhecida como os Sudetos.

Na verdade, o termo Sudetos, refere-se às populações germanófonas que habitavam os territórios da Boémia, da Morávia e da Silésia. Este termo foi adotado a partir do século XX para designar estas regiões como uma só considerando a questão das populações de alemães Sudetos. Depois do final da primeira grande guerra, esta região passou a fazer parte integrante da então designada Checoslováquia.

Mesmo antes da formação da Checoslováquia, os Sudetos que constituíam cerca de 35% da população da Boémia, já aspiravam à autodeterminação, e à união com austríacos e alemães com o intuito da formação de um único estado. Quando em 1933 Hitler é eleito chanceler da Alemanha, já tinha sido formado na Checoslováquia o partido alemão dos Sudetos - inicialmente tinha apenas pretensões autonomistas, mas esta pretensão evoluiu para o desejo de anexação por parte do Estado Alemão.

As concessões feitas por Praga não foram suficientes para evitar que em Setembro de 1938 no ultimato feito por Hitler, fossem impostas as condições do terceiro Reich referentes à questão dos Sudetos que resultaram no acordo da conferência de Munique.

Nessa conferência, no dia 30 de Setembro de 1938, foi assinado um acordo entre Alemanha, Itália, Reino Unido e França onde ficou decidido a entrega do controle da região dos Sudetos à Alemanha. Não foi permitida a presença dos dirigentes checos durante o desenrolar da conferência, tendo sido o acordo definido à total revelia dos mesmos. Na atual República Checa ou Chéquia, a conferência de Munique é conhecida como a “Sentença de Munique”.

O grande objetivo deste acordo por parte do Reino Unido e da França, era conter o ímpeto bélico e expansionista de Hitler e conseguir a paz numa Europa onde as memórias do primeiro grande conflito mundial eram ainda recentes e traumáticas.

Depois da anexação concedida pacificamente por parte dos austríacos e agora com a obtenção da região dos Sudetos, Hitler prometia que não reivindicaria mais nenhum território europeu. Ainda hoje se questiona se o primeiro ministro inglês Chamberlain, simplesmente se deixou enganar por Hitler, ou se por outro lado, ele próprio consciente da inevitabilidade da guerra, assinou o acordo numa tentativa de ganhar tempo e com isso preparar o seu país e os aliados para o conflito eminente.

A ocupação dos Sudetos resultou na expulsão dos habitantes checos dessas regiões. Em poucas semanas, a Checoslováquia. perdeu mais de 40 mil km2 e mais de 4 milhões de habitantes. A Checoslováquia. perdia igualmente as suas defesas militares sendo que as linhas defensivas ficaram sob o controle do Reich, - em resultado disso, a independência do país ficou em sério risco.

Em Março de 1939 Hitler viola o acordo assinado seis meses antes, e o exército nazi invade o restante território da Checoslováquia. Apesar disso, tanto o Reino Unido como a França não realizaram nenhuma ação concreta, para além da mobilização das suas tropas.

Depois de em Agosto de 1939 a Alemanha nazi e a União soviética terem assinado um tratado de não agressão, no dia 1 de Setembro de 1939 os exércitos da Wehrmacht invadem a Polónia dando início à segunda grande guerra mundial. No dia 17 do mesmo mês, o exército vermelho invade igualmente o território polaco. No tratado de não agressão assinado entre Hitler e Stalin, tinha ficado acordado a partilha da Polónia.

Hitler tinha assim evoluído do falso pretexto de proteger as populações germanófonas conhecidas como Sudetos, para a sua verdadeira pretensão na Europa, expressa na frase que ele próprio mais tarde proferiu: “O espaço vital do povo alemão”.

As atuais circunstâncias e os seus atores não são exatamente iguais, mas certamente não serão totalmente diferentes. O erros do presente podem ser evitados analisando os erros do passado.

28.04.22

Enquanto o secretário geral da ONU e o presidente ucraniano davam uma conferência de imprensa em Kiev, a cidade foi atingida pelos bombardeamentos do exército russo.

O alvo foi uma fábrica de armamento a poucos quilómetros do local da conferência. Não se tratou apenas de mais um bombardeamento e de mais um alvo, tratou-se de um ataque político às Nações Unidas, e como tal, um ataque ao mundo inteiro. Nem se pode qualificar como sendo uma provocação, tratou-se na realidade de um ultraje a toda a comunidade internacional.

Putin, num clímax de cinismo, depois de se ter reunido com António Guterres, ordena um ataque direto a Kiev no preciso dia e momento em que o secretário geral da ONU se encontrava presente na cidade.

Depois das farsas que constituíram todos os encontros entre os líderes ocidentais e o presidente da Federação Russa, espera-se agora, com mais esta afronta, que mais ninguém com vergonha na cara se preste a falar com Vladimir Putin.

Quando um membro permanente do conselho de segurança da ONU é responsável por um ato desta gravidade, não pode restar mais espaço para o mesmo continuar a ter o estatuto privilegiado de que desfruta. O único destino que resta à Federação Russa na ONU, é a expulsão do conselho de segurança.

Este bombardeamento, apesar de não ter como alvo direto o secretário geral da ONU, constituiu uma ameaça velada de guerra ao mundo inteiro.

O líder do Kremlin é um terrorista de estado e um criminoso de guerra que só entende a linguagem da força. Quem manifestar fraqueza perante esta personagem está condenado a ser subjugado. Todas as exposições, todas as conceções e todos os fechar de olhos que o ocidente concedeu a Putin, estão a resultar não só na tragédia que está a ocorrer na Ucrânia, mas também na mais grave crise geopolítica vivida na Europa desde o final da segunda grande guerra mundial.

Quanto maior for a fraqueza, quanto maiores forem as hesitações perante Putin, maior será o preço que todos pagaremos.

No Kremlin existe um cancro que cresce a cada dia que passa, ou o contemos agora, ou todos seremos vítimas dele.

27.04.22

O presidente Zelensky deixou bem claro que está disponível para receber chefes de estado que lhe tragam propostas concretas de apoio referentes às sanções a aplicar à Federação Russa, ao apoio militar e à ajuda humanitária. Visitas cujo objetivo seja apenas de posar para a fotografia com o político mais mediático do mundo, estão fora da agenda.

Considerando a postura da Alemanha na política de sanções, tudo apontava para que o presidente da Alemanha ia mesmo só para a fotografia. A Alemanha tem vindo a praticar uma política de inércia no processo de sanções atribuídas à Federação Russa, apesar, dela depender o verdadeiro impacto das mesmas na economia russa. Depois de ter cometido o colossal erro de se colocar numa posição de excessiva dependência energética, não quer agora de maneira nenhuma pagar o preço exigido.

Pelo menos até agora, para o governo alemão é impensável reduzir uma décima que seja do seu PIB em consequência de restringir significativamente as suas importações de gás natural da Rússia. Com um esforço adicional da Alemanha, a máquina de guerra da Federação Russa teria sérias dificuldades em manter este conflito, - o resultado disso, permitiria no mínimo, que o mesmo não se arrastasse muito mais no tempo. Com um maior esforço de um, o sacrifício de muitos, seria aliviado.

Outros têm-no feito, como é o caso da Itália. A Alemanha não está disposta a fazê-lo porque isso sai caro. As justificações de que o seu nível de dependência é demasiado elevado, não impedem que se exija à maior economia europeia um esforço muito superior àquele que por ela tem sido feito.

Talvez uma das razões para não correr o risco de abrandar o ritmo da sua economia, se prenda com o fato de já ter planeado a atribuição de largos milhões de euros à sua política de defesa. Compreensível, depois de ter subsidiado e continuar a subsidiar um país que representa uma série ameaça.

Do Reino Unido sopram ventos de muito maior eficácia. O anfitrião das festas no 10 de Downing Street, desta vez mandou parar a festa e tem mostrado serviço. Contra factos não há argumentos, - o Reino Unido é o país europeu que mais tem ajudado a Ucrânia, e com um avanço substancial sobre os demais.

Depois de ter sido uma verdadeira lavandaria para os rublos sujos do Kremlin e dos seus amigos, O Reino Unido procura limpar a sua imagem e sem dúvida que tenta compensar de alguma forma os erros cometidos quando abriu as portas aos corruptos russos. O mal está feito, resta agora ter a atitude certa. Neste momento o que é assertivo fazer é travar Putin, e sem qualquer sombra de dúvida, que enquanto uns se encolhem, o Reino Unido não hesita e age.

26.04.22

 

  

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O secretário geral da ONU foi a Moscovo assistir ao vivo à farsa de Putin.

Perante a mentira compulsiva e doentia, nem o dono das melhores intenções consegue fazer valer o seu ponto de vista.

Quando um chefe de estado considera que tem o direito de invadir um estado soberano, usando o argumento de que nesse mesmo estado existe um conflito regional com o governo central, as palavras para o contrapor tornam-se escassas.

António Guterres até contrapôs alguns argumentos de Putin, mas o resultado foi nulo, e essa nulidade não reflete incapacidade de quem contrapõe, o que fica refletido é a imagem de uma personagem que personifica a falsidade, o cinismo e a hipocrisia.

A Putin é completamente indiferente a opinião dos outros, e quando assim é, o diálogo torna-se num monólogo. Em textos anteriores já tinha referido que tentar dialogar e negociar de boa fé com este tipo de indivíduos é simplesmente uma perda de tempo.

Alguns dirão: “Mas tem que ser tentado”. Não discordo, apenas considero que é infrutífero. António Guterres fez o seu papel e usou os seus argumentos perante um “surdo”. Foi um David contra Golias, só que este David nem funda teve ao seu dispor.

Para quem ainda duvida da postura do Kremlin, ficou ainda mais claro a forma como os seus dirigentes operam nesta crise. Enquanto António Guterres é recebido, o terrorista de estado Sergei Lavrov, dá uma entrevista onde novamente coloca a possibilidade de uma escalada nuclear num conflito ao qual ele chama “operação militar especial”.

Afirmou que perante a ajuda militar dos países ocidentais prestada à Ucrânia, a Federação Russa terá a legitimidade em usar armas nucleares. Terminou a declaração com a seguinte frase: “Guerra é guerra”. Afinal parece que agora até o Kremlin considera que existe uma guerra na Ucrânia.

De um lado apela-se a um cessar fogo e à abertura de corredores humanitários; do outro, ameaçasse com a utilização de armas atómicas.

Não sei o que é que ainda falta ouvir, o que é que falta assistir, para se concluir que o regime do Kremlin é um autêntico cancro, e que até à sua completa extração, não haverá sossego para os povos europeus.

Não basta fornecer equipamento militar ao exército ucraniano, - o aumento das sanções a TUDO o que for russo, é indispensável. Aquele regime tem que ser enfraquecido até perecer, - e que fique bem clara a mensagem para os vindouros: Este tipo de comportamento, será de imediato confrontado com a máxima força.

Este conflito tem que terminar, mas é igualmente necessário criar os mecanismos que garantam que nem este nem outros se repitam.

25.04.22

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Não bastou fazê-lo, não basta celebra-lo, é preciso que todos os anos seja renovado, porque a cada ano que passa as ameaças à democracia também se renovam.  

As personagens extremistas que em todo o mundo e em particular na europa procuram ganhar terreno político, são presenças não democratas nas nossas democracias.  

Aceitá-las não significa deixar de as combater, pois com elas está latente o objetivo de destruir os valores humanistas e pluralistas das nossas sociedades. 

23.04.22

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António Guterres vai a Moscovo fazer mais ou menos a mesma figura que Macron fez, - talvez pior, o que é difícil.

Como se pode negociar seja o que for com um indivíduo que mente compulsivamente e que nutre um desprezo total por todos, mesmo por aqueles que o rodeiam? Negociar com um narcisista que vive com a paranoia de que vai ser atacado? Negociar com um chefe de estado que condecora “soldados” que cometem crimes de guerra?

Quais vão ser as propostas de Guterres? A capitulação da Ucrânia com a cedência de todo o território ocupado? A retirada do exército russo da Ucrânia? Nem ucranianos nem Putin aceitariam as respetivas propostas.

Negociar corredores humanitários? Praticamente todos aqueles que se conseguiram concretizar foram alvo dos ataques do exército russo. Os únicos que decorreram em segurança foram aqueles que tiveram como destino o território russo, - foram na prática, deportações.

Enviar assistência humanitária da ONU para território ucraniano? Só se for debaixo de bombardeamentos, já que o cessar fogo não faz parte dos planos de Putin.

Espero estar enganado, mas creio que Guterres vai fazer a mesma figura triste que Macron fez. Por outro lado, para Putin vai ser mais uma oportunidade para ele massajar o seu ego perturbado.

Putin só vai fazer uma paragem quando isolar a Ucrânia do mar. Tal circunstância provocará um enorme enfraquecimento do país, o que permitirá a Putin desencadear uma nova ofensiva contra Kiev e com isso obter o controlo do estado ucraniano. Os planos de Putin foram desde o início o controlo absoluto de toda a Ucrânia. Tem vindo a fatiar o território e só parará quando o seu objetivo for alcançado.

Infelizmente não existe negociação que o faça desviar-se daquilo que pretende. Só será travado com a coragem do povo e do exército ucraniano, e com a ajuda dos países ocidentais.

Putin é um terrorista, e com terroristas não se negoceia.

 

 

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